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terça-feira, 22 de julho de 2014

Diversidade


Os gibis do Gen 13 fizeram as tardes solitárias de muitos adolescentes nos anos 90 mais felizes.

Outro dia li uma matéria sobre uma minissérie sobre a Miss Marvel com uma versão totalmente diferente da heroína: ela seria uma adolescente muçulmana vivendo nos Estados Unidos.

O grande mérito desta série é que parece que é realizada por uma autora; uma mulher assinando roteiros de quadrinhos da Marvel. Além disso, está bem qualificada para estratificar esta personagem, uma vez que ela mesma é uma jovem adulta muçulmana vivendo numa grande cidade norteamericana.

Por avanço que isso possa significar, eu honestamente acredito que as grandes editoras estadunidenses não são qualificadas para retratar diversidade. Não é coisa de leitor hipster esnobe de quadrinhos independentes; se for bom, pode ser o gênero que for que eu vou gostar. O que me faz duvidar de sua capacidade de representar "minorias" (entre aspas, porque pra quadrinhos, mulher é "minoria") são dois motivos.

A primeira razão para isso é mercadológica. O motivo pelo qual é raro ver uma peça artística (não apenas em quadrinhos) ser popular e ter qualidade ao mesmo tempo é porque estas peças tem como finalidade primária vender. Novamente, não sou um comunistinha anticapitalista. É apenas uma questão de lógica. Uma peça de arte vem para dizer algo; o que define a sua qualidade é O QUE e COMO este algo será dito. Uma cena mal dirigida pode estragar um filme inteiro; uma frase barata pode arruinar a letra de uma bela canção. E na arte-produto, por uma mera questão de lógica, a peça é feita pensando primordialmente no público, e não no que o artista tem a dizer, o que afeta estas duas variáveis imensamente.

No caso que originou esta tirinha, a minissérie da Miss Marvel, ainda que seja louvável a procura de uma artista que tenha um mínimo de empatia pela própria personagem, a ação tem viés puramente mercadológico. A Marvel não está tentando criar uma grande peça de arte ou enriquecer um debate; está aplicando técnicas de marketing a um produto visando a um público-alvo. E, neste sentido, a força criativa da autora vai passar pelo grosseiro filtro da editoração. Posso morder na língua, mas o resultado costuma ser uma quimera disforme incapaz de sobreviver ou procriar. Isso quando não vira uma mera caricatura de mau gosto de uma questão multifacetada.

A segunda razão é que elas apegam-se a um gênero com o qual poucas coisas se misturam: a fantasia de super-herói. Este gênero é feito de mitologia quase pura. Sim, é verdade que muitos artistas têm realizado com sucesso verdadeiras obras-primas com este tema, mas é uma proporção ridiculamente minúscula em relação à quantidade de material com ele produzido. Sim, com tanta publicação, parece lógico que haja coisa boa e significativa, mas vai ter muito mais gente na escola do Rob Liefeld do que na do Alan Moore. E quando digo muito, refiro-me a esdruxulamente muito.

É catártico pensar nos problemas de adolescente do Peter Parker, que tá preocupado com o aluguel ou com a Mary Jane enquanto protege Nova Iorque do Duende Verde; o que me incomoda é que acho extremamente difícil imaginar um mundo onde coexistam o Superman e o Talibã ou o Lanterna Verde e a Faixa de Gaza. Toda vez que um autor com pretensões de realismo tenta dar uma razão pela qual os super-heróis não se envolvem em problemas do mundo real, soa mais esfarrapado que pneu de kombi velha.

Tudo isso só pra fazer uma recomendação:eu li Azul É A Cor Mais Quente e achei do caralho. Ou, como diz uma amiga: da buceta!

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