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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Projeto Quadrinhos: Pagando por Sexo e Meus Problemas com as Mulheres

Mês passado enrolamo-nos devido às férias e acabou não virando um post do Projeto: Quadrinhos. O que não significa que eu não segui as premissas. Este é o post atrasado de setembro, dos volumes que adquiri então. Para o de outubro, se der certo, farei mais de um post, pois dois grandes eventos de quadrinhos ocorrem neste mês: o Fest Comix em São Paulo e o Gibicon em Curitiba. Já fui ao primeiro e vou ao segundo, de forma que o número de volumes de quadrinhos estão bem maior que o projetado.


Aliás, não sei se perceberam, mas eu expandi a ideia do Projeto: Quadrinhos. Começou com uma espécie de obrigação autoimposta de adquirir e conhecer quadrinhos novos e, de preferência, diferentes do circuito Marvel-DC-Maurício de Souza. Porém, estou usando esta tag agora pra mencionar todas as minhas desventuras no universo das HQs em geral, como a participação em grupos, interação com nomes dos quadrinhos, etc.

Bem, vamos às aquisições de setembro.

PAGANDO POR SEXO (Chester Brown)


Paying for it no original, do autor canadense Chester Brown, trata-se de uma narrativa autobiográfica das incursões do quadrinista pelo universo do sexo pago e da prostituição. Cruamente honesto, o livro trata-se da tentativa do autor de despir-se (e despir-nos) das ideias preconcebidas a respeito desta profissão tão associada aos baixos escalões da sociedade.

Cruamente honesta, a graphic novel mostra um Chester roboticamente pragmático ao passar por períodos e experiências que normalmente são motrizes de filmes e séries de drama. Ao terminar com sua namorada, com quem morava (e continuou morando), o protagonista vê-se num dilema: como resolver suas necessidades sexuais? Depois de muito ponderar contra seus próprios preconceitos, ele decide utilizar-se dos serviços de uma prostituta. Ali começava um novo hábito e, como se vem a perceber, um novo estilo de vida e uma nova visão sobre as meretrizes, suas vidas, experiências, idiossincrasias e todo este universo que, no mais das vezes, está debaixo de nossos narizes, mas não enxergamos. Talvez porque não queiramos.

Mais do que uma simples história, entretanto, o livro também é o argumento definitivo, a carta na manga de Chester, por assim dizer, para demonstrar seu ponto de vista sobre a prostituição. Tendo vivido experiências reais e humanas neste submundo, ele defende várias ideias que podem ser chocantes para pessoas de mente fechada. Vale lembrar que no Canadá, a lei é diferente da do Brasil: a prostituição em si não é crime, mas utilizar-se dos serviços de uma prostituta, bem como alojar pessoas para esta finalidade, são. Mr. Brown é um defensor de mudanças nesta postura da sociedade, e utiliza suas próprias vivências para abalizar sua causa.




Infelizmente, em respeito às próprias moças de cujos serviços se vale durante o decorrer da história, o próprio autor faz a ressalva de que evita entrar em aspectos muito pessoais das histórias e das ocorrência, de modo que em vários momentos, fica-se com a impressão de que aquela cena teria muito mais a dizer; de que o autor tem no coração uma lembrança muito mais sentimental (ainda que do jeito torto do Sr. Chester de demonstrar) do que a que ficou demonstrada.

Um parêntese: embora eu concorde com as premissas do autor (não se preocupe, não foi ele que me convenceu; há muito que defendo a liberdade das pessoas de utilizarem-se de seus corpos a bel prazer, sem a necessidade de explicar-se pra ninguém), e ele tenha me convencido dos males de um ponto de vista que defendia - a regulamentação da profissão - devo dizer que considero suas projeções para uma total descriminalização da prostituição otimistas e irreais. Embora nossos países tenham diferenças culturais brutais, o Brasil é um exemplo de que a descriminalização simples e pura não basta para melhorar a vida dos profissionais do sexo; antes, é preciso uma mudança de mentalidade social, coisa muito mais difícil de atingir que uma mudança de lei.

Se você é um xiita a respeito do assunto, não vai gostar deste quadrinho. Mas se você é contra por razões morais pessoais, é uma leitura interessante, especialmente se aprecia um bom debate. Os argumentos dele são fortes e lógicos (um pouco frios até), e mesmo que você discorde de forma ferrenha, nada como um bom argumentista pra deixar uma discussão interessante.

MEUS PROBLEMAS COM AS MULHERES (Robert Crumb)


Setembro foi um mês assim, como direi, meio sexual em termos de compras de quadrinhos.

Bom, acho que falar sobre Crumb é meio que chover no molhado, não? Robert Crumb, o ícone maior dos quadrinhos underground de vanguarda nos Estados Unidos, um monstro, um verdadeiro desbravador das possibilidades narrativas desta mídia. Enfim, um marco na história da nona arte.

Vergonhosamente, eu nunca tinha lido nada dele. Bem, não por isso, antes de começar essa história de Projeto: Quadrinhos, eu também nunca tinha lido nada do Eisner, ou do Spiegelman, do Moore...

Eu moro perto da loja física da Monkix, que eu conheci no dia do lançamento do Mentirinhas, do Fábio Coala. Desde então, como gosto de ter uma loja de quadrinhos diferenciados perto de casa, procuro fazer as minhas compras para o projeto lá. Eu entro sem vaga ideia do que comprar - exceto quando fui atrás do Três Dedos, que não tinha - olho em volta e decido na hora. Quando vi a seção do Crumb, vi a oportunidade de corrigir mais uma das enormes lacunas quadrinhísticas no rol das minhas leituras. Talvez influenciado pelo romance gráfico do Chester Brown, que já tinha decidido levar (e cujo livro é prefaciado por Crumb, aliás), acabei levando um de temática semelhante.




Claro, eu não sabia disso então. Achei que era uma história fictícia. Mas descobri, na leitura, que o livro é um recorte de várias histórias, rascunhos e considerações do autor sobre suas experiências com mulheres, desde as primeiras experiências até as declarações à esposa atual, passando pelas perversões sexuais mais bizarras que sua mente de cartunista conseguiu imaginar. E, veja: o que não falta a um verdadeiro quadrinista é imaginação. Pura, caótica e selvagem imaginação.

Acho que Crumb é recomendação automática, então nem vou falar pra vocês lerem. Só vou dizer uma coisa: não será o último volume que comprarei dele.

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