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quarta-feira, 22 de agosto de 2012

X-Men

Uma das notícias empolgantes na época em que jogava RPG foi o lançamento do GURPS Supers.

Obviamente, a primeira coisa que um nerd rpgista leitor de gibi disinfiliz pensa é em construir e personificar seu herói preferido: Homem-Aranha, Batman, Wolverine, etc. Infelizmente, o suplemento acabou por demonstrar que não se prestava bem a mimetizar o universo das HQs. Não por ser ruim, muito pelo contrário: por ser coerente.


Por exemplo, um pouco de lógica aplicada demonstra que um combate hipotético entre Ciclope e Batman não teria muita graça, uma vez que o único superpoder envolvido é capaz de abrir um buraco numa montanha, e é praticamente impossível errar (ou você consegue imaginar um sistema de mira melhor que seu próprio olho? ); imagine o que a rajada do Ciclope poderia fazer num corpo humano. Nos quadrinhos, no entanto, dá-se um jeito: uma canetada do roteirista e lá está o Batman alvejado levantando sem um arranhão, apenas com o peito fumegando em vermelho.

No GURPS isso não acontece, pois as regras de combate são imparciais e, portanto, a luta costuma resultar naquilo que a lógica dita. Um inimigo páreo para o Colossus seria capaz de matar o Homem de Gelo num só golpe.

GURPS Supers prestar-se-ia melhor a campanhas de fundo mais realista, onde os superpoderes seriam apenas mais um recurso à disposição para resolver problemas, mas não o pivô, o cerne da história, como costuma ser com os super-heróis de quadrinhos.

Independentemente disso, muitas foram as tentativas do grupo de reconstruir o universo das HQs de modo que pudéssemos personificar nossos heróis. E, dada a natureza grupal do jogo, era natural que tentássemos simular uma equipe. A nossa favorita era a dos X-Men. Foram várias as tentativas de engrenar uma campanha com este tema, todas frustradas.

A melhor de todas foi a do Mingall.

Éramos o grupo: Tempestade, Psylocke, Míssil (ai!), Colossus, Homem de Gelo e Vampira. Comandados por Ciclope (que era um personagem do narrador), tínhamos ido para o Egito tentar impedir a ressurreição de En Sabah Nur (para os nubs: Apocalipse), quando demos combate a um misto de mutantes e humanos de um grupo paramilitar em frente às pirâmides.

A batalha até ia bem, não fosse ela: Fantasia. O PdM colocado para criar a discórdia.

Os mutantes que nos enfrentavam eram um bando de ninguéns de algum supergrupo russo obscuro que só o Mingall conhecia (ou se dava ao trabalho de lembrar). Pra nossa vergonha, claro, porque o trabalho coordenado deles (controlados pela mão de um apenas) estava fazendo a diferença contra os desordenados e desliderados X-Men.

(Mas você não falou que a Tempestade fazia parte do grupo? Ela era uma das líderes! É, pode ser que seja mesmo, mas você não conhece o Anderson e suas técnicas de lidar com inimigos).

Colossus fazia sua parte e segurava o grandão fortão, enquanto Psylocke lutava no mano a mano contra um supersoldado (tipo Capitão América). Eu fui neutralizado pela Fantasia no primeiro round, que desativou meus superpoderes; sua próxima vítima foi a Vampira. Pra ser honestos, estávamos levando uma tunda, quando Fantasia resolveu fazer aquilo que resultou na merda das merdas: desativar o poder do Colossus.


Ora, ele estava brigando contra um superforte, que acabara de pegar um carro pra usar como porrete. Sem os poderes em GURPS, como eu já frisei, levar um carro na cabeça mata. Quando eu vi isso acontecendo, bateu o desespero, e gritei para a Vampira fazer alguma coisa, pois era dela a próxima ação. Tendo seus poderes restaurados quando Fantasia voltou sua atenção para Colossus, Vampira voou na direção dela e meteu-lhe um soco no meio do peito. A essa altura, Mateus (o jogador da Vampira) estava de saco cheio por ter tido seus poderes neutralizados, e queria garantir que a desgraça da Fantasia caísse e caída ficasse. Assim, quando Mingall perguntou quanto de dano ele queria dar no soco, Mateus respondeu: "é com toda a força".



Bem, eu já vi a Vampira levantar um ônibus nos quadrinhos. Um soco dela a todo vapor num corpo humano, deu a maldita lógica: o soco atravessou o peito dela.

Aí a coisa apenas degringolou. Vendo sua companheira morta, os mutantes maus ficaram enraivecidos e começaram a atacar pra matar; os X-Men, seguindo seu código de ética, responderam à altura. Tempestade acertou um raio full power no supersoldado, torrando-o; ao ver seu inimigo cair dessa forma, Psylocke correu pra tentar socorrê-lo, mas quando o mestre informou que ele ainda não tinha caído e iria tentar se defender, ela mudou sua ação para uma adaga psíquica no meio de sua fuça. E ali tínhamos mais um corpo extendido no chão. Minto; na verdade, era um corpo convulsionando no chão.

Neste meio-tempo, um grupo dentre os mercenários humanos montara no jipe e partira a toda a velocidade para dentro da pirâmide, onde dar-se-ia o ritual da ressurreição. Homem de Gelo, ao perceber sua intenção, fechou a entrada com um muro de gelo; no calor dos acontecimentos, no entanto, a ação ficou mal entendida entre narrador e jogadores, e o resultado foi que o jipe espatifou-se contra a muralha glacial, pois estava a toda velocidade quando o gelo surgiu. E assim, mais alguns humanos figurantes adicionaram-se á lista de baixas daquela luta desastrosa.

Não lembro exatamente como a luta acabou. Mas logo em seguida, aterrisou o Pássaro Negro, dropando uma estupefata Jean Grey no meio do dantesco cenário, que logo foi consolada pelo Homem de Gelo.

- Mas... Mas... O que aconteceu aqui?

- Veja bem, Jean, a situação ficou complicada, e a Vampira se descontrolou um pouco, e...

- E aquele soldado! Ele precisa de socorros médicos urgente! Ele está em convulsão!

- Veja bem, Jean, é que a Tempestade e a Psylocke também se descontrolaram um pouco, e...

- E esses corpos? Meu Deus, quanta gente morta!

- Veja bem, Jean, é que eu também me descontrolei um pouco, e...

E desata Jean a chorar.

Desnecessário dizer, a campanha acabou ali. Nunca mais jogamos outra história depois desta sequência infeliz que, aliás, depois o Mingall nos contou, e parecia bem interessante a proposta! Mas não rolou. Infelizmente não temos o preparo, o trabalho de equipe e a certeza de estarmos sendo roteirizados que permeia a psicologia das personagens da Marvel.

O único sucesso desta campanha foi que conseguimos ao menos um objetivo que nos perseguia há várias histórias de X-Men: a morte do Ciclope. Não conseguimos antes com armas e poderes mutantes, mas desta vez jogamos baixo e o matamos de desgosto.

P.S.: Por favor, façamos um minuto de silêncio em respeito à finada Fantasia (in memorian).

5 comentários:

  1. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk..... Que isso, fracasso aonde??? Foi uma das histórias mais bem sucedidas que já jogamos!!! O Objetivo desde o início era claro: O MingaLL gostava do Cíclope e nós não! Portanto decidimos matar o Cíclope e, como matar um PdM (Protegido do Mestre) é impossível (ainda mais se o Mestre usar argumentos do tipo: "A Marinha dos EUA caiu na sua cabeça!") usamos a via mais fácil: matamos o Cíclope de desgosto!

    É uma das melhores lembranças que tenho da época do RPG, eu, usando palitos de dente, montando o túmulo da finada Fantasia!

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    Respostas
    1. * onde??? (omg, outro erro de português)

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  2. Pobrezinha... ainda lembramos dela todo dia 2 de novembro...

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  3. Vou ver se eu acho o desenho que fiz desta cena na época.

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  4. Morta para vocês desnaturados, a Fantasia vive em minha memória! Coitada, mais uma vítima da violência moderna. KKKKKKKKKKKKKKKKKK

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