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quinta-feira, 5 de julho de 2012

Vardomirices

Ontem, no You Pix, conversando com algumas pessoas, percebi uma coisa: é bem embaraçoso dar o nome do meu blog verbalmente. Vardomirices não quer dizer nada pra ninguém! Resolvi, então, explicar o nome do site pra ficar registrado.

Era o primeiro colegial (naquela época o ensino médio chamava-se “colegial”). Como todo bom conjunto de adolescentes, minha turma também era dividida em panelas. Os meninos eram mais unidos, mas mesmo assim havia as subpanelas. Foi a primeira da qual fazia parte, e era meio estranha: éramos três nerds e três, como direi, valentões. Não valentões do tipo bullies, eram mais como caras populares. Thiago, Marcelo, e eu, do lado nerd; Juliano, Glauco e Jaime, os populares.



Tinha também o João, o Fabianinho, o Rodrigo (que acabou reprovando e indo pra turma do Douglas Mussarela), o Alilson, etc. Mas acho que marquei mais estes seis porque os interesses da época (quadrinhos, filmes, programas de TV, etc) eram mais parecidos.

Esses dois últimos, Glauco e Jaime, eram meio que a alma da classe. Manja aqueles caras que sempre têm uma resposta? Claro, como eu disse, não eram bullies, pelo menos do meu ponto de vista, mas também não eram santos. Fosse quem fosse, professor, colega, aluno de outra sala, passantes na rua, ninguém passava ileso pelo escrutínio deles. Vacilou? Era zuado.

Eles gostavam de brincar com palavras. Nós tínhamos mesmo uma espécie de código, inventado por eles, que permitia que usássemos certos vocábulos que não eram recomendados a alunos de colégio militar. Funcionava assim: o palavrão ou o termo que se queria ocultar era o princípio da palavra utilizada, de preferência uma que não tivesse relação direta com o verbete original. Por exemplo, se quiséssemos dizer “Fulano comeu a Cicrana”, diríamos “Fulano comércio a Cicrana”. Percebe?

“Aquela minâncora queria danete pra ele, mas ele não quis comércio. Deve ser Gatorade”. Tradução: “Aquela mina queria dar pra ele, mas ele não quis comer. Deve ser gay”. Quando alguém ficava puto: “Ah, vai tomate em Curitiba!”

O ano já estava correndo quando entrou um cara novo na turma, de Nova Barra. É uma cidadezinha minúscula, menor que Itaú, talvez, que fica nas redondezas de Passos. Magro, alto, cabelinho liso meio em cuia e uma aparência meio ingênua. Quando perguntamos o nome dele, respondeu:

- Leonildo.

Claro, não foi preciso outra palavra pros dois puxarem o resto da turma na risada. De bate-pronto, Glauco respondeu:

- Leonildo?! Isso lá é nome? Não, não, a partir de agora você é o Tiãozinho!

E Tiãozinho ele foi até o fim do curso. No dia da formatura, quando chamavam alfabeticamente os alunos para pegarem seu canudo e apertar a mão do comandante, várias pessoas surpreenderam-se quando ele levantou ao mencionarem o nome Leonildo.

- Mas o nome dele não é Sebastião?

Tiãozinho era um cara bacana, levava sempre na boa as brincadeiras. E ainda bem, porque, apesar disso, a aparência ingênua não enganava, e ele vivia dando rata. E, seguindo a linha de mudar o nome dele, cada “besteira” que ele falava ou fazia, o Glauco e o Jaime o chamavam de um nome pouco ortodoxo.

- Não, ô Tibúrcio!

- Iiiih, ó o Cleosvaldo...

- Só podia ser mesmo o Nicodemus! Hahahahahahahahahah!

Porém, o nome que eles mais usavam nessas ocasiões era Vardomiro. Não Valdomiro, VaRdomiro mesmo, com o melhor R puxado caipira que conseguíamos forçar ainda mais no nosso já bucólico sotaque.

A turma passou, mas o termo, pra mim, ficou cunhado, como muitas outras besteiras que uso no meu jargão cotidiano. Quando iniciei o blog, coloquei um nome qualquer lá; minha mulher, minha primeira leitora e incentivadora, observou que o blog estava legal, mas que o nome não ornava.
 
Parafraseando Forrest Gump: “Vardomiro é quem faz vardomirices”. Não dá pra ser mais pessoal que isso.

Valeu Glauco, e valeu Leonildo!

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