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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Fex

Fex. Por que Fex?

Já tive vários apelidos, mas nenhum que me acompanhasse pra sempre, como vejo acontecer muito com os amigos do meu pai, cujas alcunhas acabam por ser mais repetidas pelos conhecidos e amigos que o próprio nome.

O primeiro de que me lembro foi Jaspion. Não é um apelido particularmente ofensivo; aliás, eles quase nunca são, se você for parar pra pensar. O que é incômodo a respeito de um apelido é a intenção por trás daquele que o forja. Eu teria gostado de ter este apelido, não teria problema algum. Era o tokusatsu que eu mais gostava, junto com Jiraya. Eu desenhava Jaspion e Changeman por todos os cadernos e livros da escola, e andava pela rua imitando as coreografias e os nomes dos golpes por todo canto. O problema é que quem me chamava disso eram os toscos que me alienavam quando eu era criança.



Por um curto período durante a sexta série eu também fui Cientista, graças a uma resposta impensada a uma pergunta vocacional da professora de Português.

Felizmente eu saí daquele ambiente cedo. Já na sétima série eu fui estudar fora, e acabei entrando pra uma turma diferente, curiosamente bem mais propensa a aceitar minha esquisitice. Talvez até por ser uma turma estranha em si, com pouco mais de uma dúzia de alunos, dentro de uma faculdade, ambiente sem outras classes com as quais se misturar. Lá, só me zuavam por causa do tamanho da bunda, mas não tinha apelido algum.

Na fase de Passos eu só fui ter uma alcunha no Tiradentes, graças à supracitada bizarrice que me acompanha desde o nascimento.

No começo, agastava os meus colegas o fato de eu não ter um nickname. Eles até tentaram cunhar Pintinho, mas como não fazia sentido, não pegou. Até que um dia eu lhes dei o que queriam. Não lembro do que se tratava o assunto, mas alguém contou alguma besteira que outro alquém fez, e eu reagi de forma semelhante ao desenho do logo do blog: um facepalm. Só que meu facepalm era um tanto quanto... violento. Enfim, eu dei um tapa no meu próprio rosto. Ptch!

Sabe aqueles doidinhos que existem em toda cidade pequena? Passos também tinha os seus. E um deles era o Biscoitão: um maltrapilho já de idade avançada, que andava pela cidade com uma bengala de madeira. Quando era chamado pelo apelido - que detestava - saía a perseguir o moleque ofensor mas, como era lento, nunca alcançava. Então vinham os acessos de raiva, e ele começava a acertar a própria cabeça com a bengala! Ou seja, ele batia em si mesmo, e com força.

Em suma: como eu tinha esse hábito de me bater nessas situações, eu virei o Biscoito, o filho do Biscoitão. Também tinha as variações: Biscoitão, Biscoctus, Maluco, Cachorro Doido, etc. Este talvez seja meu apelido mais longevo, muitos amigos daquela época ainda o usam. Esse é o que usei nesta tira.

Fex não é exatamente um apelido. Quem primeiro começou a me chamar assim foi a Natasha, que estudou comigo na faculdade. Aparentemente, ela já tinha tido um amigo homônimo a quem tratava da mesma forma. Seria uma corruptela de Fernando. O pessoal do tempo da faculdade, principalmente no Madrigal, onde havia outros fernandos, trata-me por Fex até hoje.

Veja, meu nome é muito comum. Não apenas Fernando, meu nome completo: Fernando Cesar de Souza. Minha mãe cometeu a vardomirice de não me registrar com o sobrenome dela; com bom motivo, é verdade, ela não queria que meu nome ficasse muito longo, mas eu e minha irmã somos os únicos da minha geração de primos que não assinamos Damasceno. E é um sobrenome de orgulho, pela família que ele traz consigo. De qualquer forma, eu sempre tive indícios da banalidade do meu nome. No vestibular da FUVEST, eu era o H02, ou seja: pelo menos dois homônimos exatos prestavam vestibular naquele ano. Na faculdade, dava uma certa confusão na ficha da biblioteca, porque tinha um outro Fernando Cesar de Souza, já formado, que tinha sido aluno da Engenharia Civil e tinha entregas de livros em atraso. Aliás, um dia, do ônibus, vi uma obra cujo engenheiro responsável era ele. Ou um outro homônimo.

Por conta disso, eu sempre tive receio de que, um dia, eu venha a ter problemas. Aliás, antes de entrar no meu emprego atual, tive um pequeno pânico logo antes da admissão. Para entrar, eu precisava entregar vários documentos, incluindo Certidão de Antecedentes Criminais dos estados em que morei nos últimos cinco anos. Isto significa São Paulo e Minas Gerais. O de Minas eu consegui tirar pela internet mesmo, porque a minha identidade é de lá, mas o de São Paulo eu precisava ir pessoalmente à SSP, pelo mesmo motivo. Eu fui deixando pra última hora e minha mulher, como de praxe, ficou brava com a minha procrastinação. Um dia ela entrou na internet e achou nada menos que oito homônimos exatos meus com condenações criminais, fora os inexatos (que tinham um sobrenome a mais, por exemplo).

Deu um frio na barriga mas, no fim, deu tudo certo, e minha Certidão saiu sem maiores perrengues.

Desde a faculdade, então, eu adotei esta denominação: Fex. É como refiro-me a mim mesmo na internet. Meus e-mails são Fex, mas como alguns não aceitam logins muito curtos, adicionei o "bio" (de Biologia). Uma vez uma amiga fez um trocadilho: Fex-Man. Gostei! Joguei no Twiter.

Acho que soa bem e não ocupa muito espaço na assinatura dos desenhos. E, apesar de eu saber que não sou o único, pelo menos no meu meio, tem mais nenhum outro.

Fex, ao seu dispor.

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