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quinta-feira, 19 de julho de 2012

E do mar?

Já falei antes sobre o Marcelinho, vulgo Bucaina, que estudou comigo no colegial.

Ele era meio perturbado. Mas até aí, eu também sou, a gente não se associa por acaso. Ainda bem que, em alguns casos, as pessoas fazem uma feliz associação de biela solta com criatividade, o que acaba gerando resultando resultados muito interessantes.

No caso do Bucaina, esta criatividade manifestava-se de várias maneiras (gibi pornô dos Cavaleiros do Zodíaco, por exemplo), mas a mais marcante eram os trabalhos em grupo. Infelizmente foram muito poucos, pois estudávamos dentro de um esquema intensivo para o vestibular, ou seja: mais rotina de estudos e menos viagem na maionese.


Certa vez fizemos um trabalho de Biologia. A sala toda dividira-se em quatro grupos: dois fariam o tema sementes e dois, incluindo o nosso, sobre frutos. No sorteio, nossa apresentação ficou por último. Fizemos uma parte do trabalho tradicional, com cartazes desenhados, e dissertações explanatórias. A surpresa ficou para o final: juntamos os oito malucos, fizemos uma dancinha estilo pagode anos 90 (aqueles grupos cheios de gente vestida de branco, em que ninguém tocava nada, só ficavam dublando o playback no Gugu e trocando uns passinhos, servindo de fundo de tela animado para o vocalista do momento) e cantamos nosso rap das frutas.

Pena que câmeras digitais não existiam ou eram tão comuns como hoje; até eu gostaria de ver um vídeo desta preciosidade. Ou, pelo menos, achar o caderno onde estava a letra da composição. Do Bucaina, obviamente.

Outro detalhe interessante deste trabalho deveu-se à já anteriormente citada obnóxia mania de sabichão que muito raramente me acometia. Nos três trabalhos anteriores, após a apresentação, o professor abria para perguntas da sala. E eu questionei para os três grupos. Mais de uma. Quando foi o terceiro grupo, o professor Ézio já virou pra mim e disse: "manda aquela". E nos três casos, em algum momento eles tiveram dificuldade de responder. Ou seja: quando foi a vez do meu trabalho, foi a mesma coisa de ter ido pra um paredão, sem venda nos olhos ou último cigarro. Apesar de sermos um grupo, e em teoria qualquer um de nós pudesse responder, acho que até meus colegas acharam carmicamente justo que a tarefa ficasse pra mim, e não intervieram.

A turma tava com sangue no zoio (é... se ideia não tem mais acento, então o neologismo "zoio" também não). Só que era o seguinte: eu só fiz perguntas sacanas porque eu sabia a matéria. De fato, eu tinha um livro de Zoologia e Botânica em casa, que já lera e relera trocentas vezes. Então, quando começou a sabatina, eu fui um verdadeiro Neo. E não o que desvia de balas: o que para as ditas no ar. Acho que a sessão de perguntas durou mais tempo que a própria apresentação do trabalho, mas correu bem (pra mim). Até que, sem muitas mais alternativas, a Luciana mandou a pérola:

- Mas e os frutos-do-mar?

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