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quinta-feira, 12 de julho de 2012

Andreia

Este post é pra agradecer à minha amiga Andreia.

Pode-se dizer que a parte quadrinística do blog, que tem aparecido bem mais ultimamente (e tende a aumentar, uma vez que as minhas histórias tendem a acabar), deve-se à ela. Única e tão somente pelo fato de ela ter me apresentado o Um Sábado Qualquer.

Este evento foi um marco no ressurgimento do meu interesse por quadrinhos e desenho. Depois de ler e reler todas as tiras por bem mais de uma vez, comecei a clicar nos links e a descobrir todo um universo de excelentes cartunistas e quadrinistas brasileiros, escondidos bem debaixo no meu nariz, nesta imensidão de fluxo que é a internet. Neste meio, os mais diferentes estilos de arte, humor, filosofia e drama proliferam em meio ao caos imagético da rede mundial de computadores.


Eu simpatizo com a causa destes guerreiros. Aliás, a história dos quadrinhos, em especial no Brasil, é pontilhada de lutadores, pessoas que chegam a sacrificar tempo e dinheiro para realizarem algo que, fosse na Europa ou nos Estados Unidos, seriam remuneradas para fazer.

Claro, a maior força dos quadrinhos é também seu maior ponto fraco. Estou falando de sua acessibilidade. Para fazer um filme, é necessária toda uma parafernalha em equipamentos e uma equipe técnica e criativa inteira. Para contar a mesma história em quadrinhos, basta um lápis, uma borracha, um papel, uma caneta e um meio de reprodução, que pode ser simples como um xerox. Bytes e mais bytes de dados são necessários para fazer o Superman voar de forma crível no filme, coisa que os quadrinhos já fazem com mestria desde pouco depois da criação do personagem na década de 40 (sim, pouco depois. No início, o Superman não voava, apenas dava saltos quilométricos, tal qual o Hulk).

Esta é uma característica fantástica, pois dá vazão a mentes criativas que, de outra forma, dada a seletividade dos outros meios dramáticos, talvez não pudessem expressar de forma ilustrada sua aventurosa imaginação. Não é à toa que muitos dos grandes filmes da atualidade têm sua origem em histórias inicialmente criadas para os quadrinhos.

Todavia, esta acessibilidade também tem o outro lado: não é porque todo mundo pode criar quadrinhos que todo mundo pode criar quadrinhos. Explico: nem todo mundo leva jeito pra coisa. Mas não dá pra impedir que estes quadrinhos existam. Infelizmente, a própria facilidade de criar neste meio leva a uma profusão de material sem qualquer preocupação com a qualidade do traço ou da história, fazendo com que, muitas vezes, o entusiasta do assunto precise cavar muito para encontrar material que atenda suas expectativas. O advento da internet, então, funcionou tal qual um meio de cultura não seletivo: muitos que hoje publicam webcomics estariam restritos, por questão de material e divulgação, ao alcance local, não fosse pelas as facilidades proporcionadas pela web. Entretanto, tal qual o ágar nutritivo deixado ao ar livre, a potencialização das ferramentas de produção e divulgação afetaram a todos indistintamente. Rios e mares de tiras em quadrinhos são publicadas diariamente, para os mais variados gostos: desde bonecos de pauzinhos toscamente desenhados, passando pelos memes e fotos letreirizadas, indo até ao traço mais belo e aos roteiros mais introspectivos. Você não precisa mais sequer saber desenhar (nem escrever, na verdade, ou mesmo ter um pensamento linear minimamente inteligível) para "fazer quadrinhos".

Felizmente, peneirar esta miríade não é tarefa difícil. Demorada, talvez, mas se você tem interesse num determinado assunto na net, e já conhece algum site ou blog de qualidade, o material bom vem a você quase que sem esforço, à distância de um clique e alguns minutos de atenção.

E foi isso que aconteceu comigo. De parceiro em parceiro, de link em link, fui compondo uma lista de mais de cinquenta sites que visito diariamente, todos ligados a quadrinhos e cartum de alguma forma. Nem todos vieram diretamente daí; alguns, principalmente os internacionais, vieram de interesses paralelos, como RPG e World of Warcraft.

Para quem acha que é uma hipérbole, no fim deste post está a lista de sites que visito diariamente (sem ordem específica).

edit: a lista aumentou muito e acabou ficando grande demais. Você pode ver uma amostra dos links que acesso diariamente na parte inferior do blog.

Se derem uma sapeada em alguns links, notarão uma enorme diversidade de traço e estilo. Alguns são apenas stick figures, outros são extremamente bem desenhados. E são dos mais variados temas e gêneros. Não são todos que primam pela excelência, mas todos têm pelo menos uma quantidade de sacadas muito boas.

Outro evento que proveio desta singela recomendação da minha amiga foi a tomada de ciência de Scott McCloud, pelo Nabunda Nada, e por conseguinte de Will Eisner, Robert Crumb, Art Spiegelman, Hergé e outros monstros dos quadrinhos, que aos poucos vou vasculhando e conhecendo. Mas foi o Desvendando os Quadrinhos que abriu os portões: embora a ideia de fazer quadrinhos tivesse surgido com o podcast da Turma do Quiabo, foi depois de ler este livro que decidi fazer. Acredite: há um enorme abismo entre querer fazer e fazer; este livro foi a ponte que me permitiu atravessá-lo. 

Se eu sou um dos que leva jeito ou um dos que faz porque é muito fácil fazer, ainda não sei dizer. Não tenho isenção pra analisar meu próprio trabalho, então vou fazendo e deixando pro tempo responder. O que eu posso garantir, que é dedicação, tenho feito dentro do máximo que minhas possibilidades limitam.

O que sei é que gostei de fazer isso. Se puder, continuarei indefinidamente. Gosto tanto que até parei com as drog... digo, o WoW (não tem muita diferença, na verdade).

Valeu, Dé.

1 comentários:

  1. Não sou a única Andréia que curte quadrinhos que você conhece! :)

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