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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Superpoderes

Eu sempre tive dificuldade de me expressar claramente, de explicar algo que esteja se passando em minha mente. Talvez até por isso eu seja tão prolixo, sempre procurando novas maneiras de repetir uma informação numa mesma explanação.

A razão para isto é que minha cabeça é uma verdadeira zona. Claro, não tenho como saber se as das outras pessoas são diferentes, mas a minha imaginação é estranha. Meu cérebro é um pilantrão, vive me metendo em frias, guardando informações inúteis por décadas, fazendo associações bizarras de ideias e me lembrando coisas nos momentos mais inusitados.


Até por isso sou dado a devaneios, e um dos mais comuns é a fantasia de superpoder. Quando mais novo, imaginava-me sempre com uma armadura tipo as do seriado Saint Seiya (o que de jeito algum depõe a meu favor, eu queria ser um Cavaleiro sem cavalo de um Zodíaco com trocentos signos, onde o ápice da emoção da luta era quando um deles "queimava o cosmo"). Mais tarde, os delírios transferiram-se para os poderes mutantes, muito mais variados e apropriados a diversas situações. Chuva no fim de semana na praia? "Ah, se eu tivesse o poder da Tempestade..". Coca-cola quente? "Pô, bem que eu poderia ser o Homem de Gelo..." Capote da bicicleta? "Era uma boa hora pra ser o Wolverine". Viagem longa? Noturno. Prova de concurso? Professor Xavier. Chefe torrando as paciências? Banshee.

Uma situação hoje, porém, deixou-me indeciso. Estava eu indo para o trabalho, já atrasado, quando, faltando dois quarteirões pra chegar, deparo-me com uma cena até comum na avenida Presidente Wilson: uma carreta manobrando pra entrar num galpão. Não fosse essa bosta suficientemente pé-no-saco, ainda era um corno que não sabia dirigir. Eu não sei manobrar carreta, é verdade, mas exatamente por isso, eu não manobro carretas, nem me meto a viver de conduzir uma. Em suma, o... melhor não identificá-lo com o que me vêm à mente, pra manter o nível da conversa... o barbeiro já ia lá seus quinze minutos (não é uma hipérbole) tentando enfiar a caçamba de ré pela porta do galpão, quando do nada, sei lá por que cargas d´água, quando a coisa parecia finalmente estar alinhada, ele resolve que não vai conseguir (ou recebe a notícia de que o bebê acabou de nascer e é a cara do vizinho, sei lá), tira o que já tinha conseguido entrar e para no meio da rua. Assim, simples. Bloqueou as duas mãos da avenida, ligou o pisca-alerta (e o foda-se, pelo jeito) e lá permaneceu.

Daí minha indecisão. Eu não sabia se eu queria ter a força do Colossus, pra dobrar a carreta em quatro e enfiar no... galpão, ou o eletromagnetismo do Magneto, pra mandar a carreta pra lua, como motorista dentro.

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