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sábado, 23 de junho de 2012

Projeto Quadrinhos: Desenhando Quadrinhos



O livro deste mês é o excelente Desenhando Quadrinhos.

"Oh, não! Scott McCloud de novo?!?"


Desculpem-me a insistência na redundância (?), mais eu estou estudando a sério o assunto. Preciso mesmo de bagagem do tipo, pois o TCC da minha pós-graduação em Língua Portuguesa será na área. Provavelmente deverão ver Eisner, Spiegelman e outros que escreveram manuais e livros-textos sobre o assunto, pelo menos até eu terminar minha dissertação. Aliás, meu plano é disponibilizá-la para download aqui no blog tão logo esteja pronta, como parte do projeto, embora não deva ser tão cedo.

O que eu acho mais interessante sobre a obra do McCloud é que, por mais técnica que ela possa ser em muitos momentos, sua confiança no formato em quadrinhos é tão absoluta que seu livro é, ao mesmo tempo, um texto referência e uma obra em quadrinhos. Os três livros do autor, bastante formalista segundo sua própria definição, apresenta ao leitor os conceitos exemplificados em si, criando uma metalinguagem fortemente didática, uma experiência que somente a HQ poderia proporcionar. Principalmente ao falar de... HQ!

Os livros anteriores, que o abalizaram a escrever este manual, tratam os quadrinhos como um objeto de estudo; o primeiro, Desvendando os Quadrinhos, analisando profundamente as bases da linguagem dos quadrinhos, caracterizando os pontos onde interação de imagem e palavra criam uma sinergia única da forma; o segundo, Reinventando os Quadrinhos, fala da interação das HQs dentro do contexto social e dos caminhos que esta arte poderia trilhar para alcançar seus potenciais narrativo e artístico plenos. Ambos eu recomendo a todo fã de quadrinhos pois, conhecendo-os mais a fundo, tornam-se ainda mais apaixonantes.

Desenhando Quadrinhos (Making Comics no original), no entanto, eu já relutaria em dizer que é leitura para o leitor comum de comics. Antes, é um manual mais prático e analítico, voltado para aqueles que, como eu, desejam realizar quadrinhos. McCloud aborda várias técnicas que têm sua origem na literatura, nas artes plásticas e nas artes dramáticas, adaptando-as para a forma ao tratar de tópicos como enquadramento, ritmo, intensidade, coerência, empatia com o público, etc. Todavia, não se limita a importar regras - ou orientações, melhor dizendo, pois soam menos como aula e mais como conselhos de alguém que já trilhou o caminho das pedras, as analisou, mapeou e dissecou o máximo que conseguiu - mas também de extraí-las de estudos dos próprios quadrinhos, realizando uma compilação que é leitura obrigatória para pessoas que querem realizar um trabalho que vá além do trivial.


O livro mais prático dos três, este volume trata de aspectos cotidianos e pragmáticos da profissão de quadrinista (sem esquecer, porem, de orientações relativas ao cerne da própria artesania), desde os materiais e softwares adequados até ideias de como fazer sem emendas a ligação entre história e desenho de quadrinhos feitos a mais de duas mãos. Pela bibliografia, mesmo nas técnicas que não são dominadas por McCloud foi feita uma extensa pesquisa, e o próprio Scott assume as áreas que não são exatamente sua especialidade.

Como em todas as suas obras formalistas, o quadrinho é uma testemunha em si da mestria com que lida com o assunto, levando o leitor mais atento a vivenciar uma experiência ao mesmo tempo em que aprende com ela. E, como toda pessoa apaixonada por aquilo que faz, consegue transbordar seu entusiasmo em cada linha, cada cuidadosamente planejado quadrinho. Mais do que um simples manual de "Como Fazer", Escrevendo Quadrinhos não ficou aquém das elevadas expectativas que possuo a respeito deste autor, cujo nome entrou definitivamente no mirrado rol de ídolos entre os grandes quadrinistas.

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