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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Motos

Não gosto de motos. Não digo para pilotar, mas de motos no trânsito, especificamente o paulistano. Não obstante seram veículos muito instáveis e perigosos para seus usuários, o que estou dizendo é elas tornam mais estressante um tráfego que já é de tirar o Dalai Lama do sério.

Elas surgem do nada, trançam entre as faixas, têm um dom especial de acharem o ponto cego do veículo à frente, ficam de cauda no seu carro, têm uma buzininha que veio direto do inferno e te xingam quando você faz manobras como passar o sinal verde ou sinalizar pra trocar de faixa. Não que a inexistência de motos fosse resolver alguma coisa no trânsito de São Paulo. O problema é bem mais enraizado do que isso, e os motoristas de carros, táxis, caminhões e ônibus são tão mal-educados quanto (minto: os motoristas de ônibus são piores). Neste caos que chamamos de malha viária, as motos são, digamos, a cereja do bolo. Ou, pra fazer uma alegoria mais apropriada, as moscas do estrume.


Já não fosse suficientemente chato lidar com os motoboys, agora também temos que aturar outras profissões utilizando motos pra facilitar seu trabalho. Estou falando dos marronzinhos da CET e da polícia militar. Outro dia estava voltando pra casa do trabalho, quando a minha faixa parou de súbito. Odeio quando isso acontece. Os carros da frente foram mudando pra faixa da direita e ultrapassando o obstáculo que, quando chegou a minha vez, descobri serem três motos da PM andando a velocidade menor que a de caminhada. Fiquei intrigado com aquela bizarrice, e andei atrás deles um tempo pra ver o que estava aprontando aquela turminha do barulho. Com motos comuns, normalmente este tipo de coisa significa dois motoqueiros batendo um papinho de comadres enquanto pilotam. Não era o caso. Os policiais estavam verificando as placas dos carros da faixa ao lado, por isso a lerdeza.

Pra quê? Espero que estejam procurando um carro roubado ou algum bandido em um veículo identificado apenas pela chapa. Porque se for o que eu imaginei - verificação de rodízio - a coisa é bem mais estúpida do que pareceu a princípio.

Veja: na capital de São Paulo vigora o chamado rodízio: uma vez por semana, carros com finais com determinados dois algarismos não podem circular nos horários de pico, sob pena de multa. Por exemplo: carros cuja placa termine com 5 ou 6 não podem rodar na quarta, entre as sete e as dez, nem entre as dezessete e as vinte. A finalidade desta medida é reduzir a colossal frota paulistana e desafogar o trânsito.

Bom, reduzindo dois algarismos por dia, o cálculo ideal leva a uma redução de um máximo de 20% do total de veículos, correto? Só que, pra fiscalizar, eles colocaram três motos policiais bloqueando uma faixa numa via de três, o que significa uma redução da capacidade da via de 33%. Ou seja, pela matemática dos órgãos de trânsito paulistanos, compensa onerar o trânsito em um terço para garantir que ele seja melhorado em um quinto (dos infernos, pelo jeito).

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