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segunda-feira, 11 de junho de 2012

Moço dos Anéis (tô muito novo pra Senhor)

Em princípios de 1998, fui convocado pela quarta chamada da FUVEST para fazer o curso de Biologia na UFSCar. Já estava, então, na terceira semana de cursinho, acostumado à ideia de que, faculdade, só ano que vem.

O resultado foi uma correria, pois avisaram na quinta pra fazer a matrícula na segunda. Ainda mais quando você é adolescente, três dias são muito pouco para acostumar-se à idéia de mudar de cidade e ir morar longe dos seus pais, amigos, namorada...


À época eu namorava a Vânia; estávamos perto de completar três anos de namoro. A despedida foi bem triste. Víamo-nos todos os dias e, de repente, iríamos nos separar. A verdade é que o namoro já desandava há algum tempo, mas, mesmo assim, era uma mudança grande de paradigma. Como lembrança, escrevi na capa amarela de papelão do meu CD Equilíbrio Distante (aquele em que o Renato Russo canta em italiano) e lhe dei, e ela me deu um anelzinho que lhe era muito querido, feito de níquel (quando começamos a namorar, ela morava na vila da mineiração do Morro do Níquel). Como ela era bem pequena, o anel só cabia no meu mindinho.

Foi assim que comecei a usar os anéis da minha mão esquerda. Com o tempo, mesmo após o fim do namoro, comecei a achar legal aquela história. Acho que era resquício da adolescência. Eu sempre tive o biotipo mais comum que há; minha descrição poderia ser considerada a descrição de um brasileiro genérico, mais um Silva da vida. Ou, no meu caso, um Souza.


Não foram todos de uma vez; no princípio era apenas o mindinho. Depois de anos é que veio o do anelar. Como minha mãe trabalhava com jóias e bijuterias, e sabia do meu interesse em anéis, ficava de olho em modelos que pudessem agradar. Com os anos, vim a usar anéis nos quatro dedos da mão esquerda, e isso virou meio que uma característica distintiva minha.

Muitos eram os questionamentos dos alunos: "Professor, é um anel pra cada namorada?" Tá louco? O trabalho que dá pra manter uma só... 

Depois que vim trabalhar no meu setor atual, porém, logo a princípio fiquei encarregado do pátio. Isso significava que minhas mãos de fada-que-nunca-pegou-numa-enxada iam, vez sim, vez também, ia ter que pegar no pesado e na sujeira. Como consequência, minha falanges viviam inchadas, e as argolas incomodavam deveras. Passei a não mais usá-los. Depois ainda comecei a usar a minha aliança, mas esta era mais fácil de tirar - com ressalvas, uma vez quase a perdi.

Passaram-se os meses, entrou outro funcionário no setor. Ao contrário de mim, ele gosta do trabalho no pátio. Prefere ir pra poeira a ficar de burrocracia no computador em companhia do boss. Num intervalo de uns seis meses, foram transferidas todas as minhas funções poeirentas pra ele, e eu fiquei com o controle de estoque e a árdua tarefa de conviver o dia todo com meu chefe.

Depois que comecei a desenhar as tiras da Turma do Quiabo, ao compor os personagens, eu decidi me representar com os anéis. Como costuma acontecer muito com meus estranho cérebro, hoje pensei, ao acordar:

- Faz tempo que já não trabalho no pátio. Acho que dá pra voltar a usar meus anéis...

Chegando ao serviço, está lá meu colega separando e organizando os carrinhos de carregar processos. Passado o almoço, a notícia: os funcionários da terceirizada teriam que sair para assinar uns documentos com a empresa, e não ficaria ninguém para a ajudar a terminar o trabalho. Como eu não tinha nada urgente pra resolver, não fazia o menor sentido deixá-lo trabalhando sozinho enquanto eu ficava no ar condicionado da salinha.



Queria conhecer a mulher do Murphy. Se fosse bonita, ia tentar a sorte, porque que ela era fácil, isso é certeza...

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