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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Furacão Melk

Desde bem antes de começarmos a namorar, a Patrícia tinha uma diarista que vinha uma vez por semana, a Ozélia. Ela era ótima, mas no final, a coisa começou a decair; acho que toda relação de longa duração acaba se desgastando, ainda que apenas uma vez por semana. Enfim, venceu a validade.

Eu já morava aqui quando aconteceu, e isso criou-nos um problema: conseguir uma nova diarista. Em São Paulo, este é um verdadeiro trabalho de Héracles. Aliás, achar qualquer profissional minimamente comprometido aqui na Terra da Garoa é.


No entanto, não demoramos a achar uma, indicada pelo zelador do condomínio, a Rita. Ela era ótima, realmente boa de serviço, mas tinha um porém: ela fuçava. Nunca notamos falta de nada, o problema não era roubo. Mas ela simplesmente mexia nas coisas. Se tinha um pacote na casa, ela abria pra ver o que tinha dentro. Usava a escova de cabelo e deixava montes de fios de lembrança. Chegou a abrir e experimentar roupas da Patrícia! Olha, eu sou cioso da minha privacidade, mas a Patrícia é muito, muito pior que eu. Avisamos uma, duas vezes, numa nice, mas como a coisa não se resolveu, não tivemos alternativa a dispensar seus serviços.

Depois disso, foi uma dança das cadeiras. Veio uma outra diarista que a indicaram à Patrícia, mas não durou três meses, porque ela quebrava tudo na casa. Logo depois, conseguimos uma moça de uma agência de domésticas. Era até boa, mas depois de quase dois meses, sumiu sem dar aviso. Simplesmente parou de vir. 

Esbravejamos com a agência, que nos garantiu nova seleção. Nesta segunda vez, nós é que escolhemos mal, pois a dita fazia um serviço desleixado, pra não dizer mulambento. Coisas assim: ela não limpava o espelho inteiro, só limpava a parte que ficava à mostra; não movia os produtos  pra limpar a parte que ficava atrás deles. Mais ou menos como aquela piada:

Três amigos vão a um bar e pedem uma cerveja. Quando o garçom ia saindo, um deles, acostumado a botecos, grita: "Copo limpo, hein!". Ao retornar com a bebida, o garçom pergunta: "Qual dos senhores pediu copo limpo?"

Não durou. A que veio depois, confesso que cheguei a exercitar meu preconceito, uma experiência não muito comum para mim: era analfabeta. Eu sei que muitas pessoas não têm muitas oportunidades na vida, mas aprender a ler e escrever, além de não ser nenhum feito de outro mundo, é uma coisa ao alcance, se não de todos, ao menos de quem vive em São Paulo. Um ano frequentando as aulas do EJA e a pessoa deixa de ser uma estrageira em seu próprio país. Não  sei, pode ser absoluta falta de noção de alguém que teve acesso à Educação desde muito cedo na vida, pois minha mãe tinha a correta idéia de que isto era o mínimo pra se ter qualquer chance de realizar algo. Mas um adulto que tem celular e casa pra morar, e que me diz ser analfabeto, eu penso ser um relapso.

Neste caso em específico, eu não me enganei, e novamente o serviço deixava e muito a desejar. Depois de muitos perrengues (a Patrícia se estressava com a qualidade da limpeza; eu, com o estresse dela), a solução foi, novamente, dispensar a moça.

Tendo passado meses de chateação com o assunto, sem ter perspectivas de qualquer pessoa que nos quisesse indicar alguém, sem ânimo de correr atrás de agência, pagar e ficar na mão, ficamos sem diarista. Foi uma merda de período. Um dia por semana, normalmente aos domingos, tirávamos o dia eu e ela para limparmos nós mesmos a casa. Olha, trabalhar a semana inteira num carguinho de preso como o meu, pra comprometer metade do descanso do fim de semana porque não achávamos a porra de uma pessoa, pra mim, era o fim da picada. Aí, quem se ficava puto (e estressava a Patrícia) era eu.

Assim passaram-se os meses, até que saturou. Tava foda. Após nossa viagem de férias, resolvemos voltar á carga, cansados do serviço doméstico e distantes o suficiente das mazelas anteriores para animarmo-nos novamente a sair à caça. Minto: quem saiu à caça foi ela, e achou um site bom, que tinha já o nome, currículo e os vídeos das moças.

Em suma: conseguimos, após uma longa e árdua peregrinação pela terra da poeira, sapólio e escova de limpar privada, encontrar uma diarista. E o melhor: uma que parece ser muito trabalhadeira! Bom, pelo menos o santo da Patrícia bateu com o dela. Meire. Estamos com boas expectativas em relação a ela.

O que o meu gato tem a ver com isso? Ontem, depois desta odisséia contemporânea, eis que Melk, o Peralta (com maiúscula; ele merece este título), em seu primeiro dia de serviço, me derruba o celular da mulher, que literalmente se espatifa todo.

Ai, que vergonha do Varte!

O que me dá medo às vezes é que a gente tem uns sinais de que sempre pode piorar...

4 comentários:

  1. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
    kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

    Eu me mato de rir!!!!

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    Respostas
    1. Melk, o Peralta. O pequeno monarca do apartamento. rs

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  2. Pena que o gatinho da reportagem não resistiu aos ferimentos... tadinho.

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