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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Receita Federal

O vardomirismo é um estado de espírito, uma espécie de fantasma que ronda a pessoa e que, mancomunado com Murphy, acaba por manifestar-se em poltergeist nas situações mais inesperadas.
Meu amigo Mingall foi convidado a uma festa de fim de ano de um amigo, em outro estado, Mato Grosso, se não me engano. Aceitou o convite, mas não conhecia realmente ninguém além do próprio. Era uma festa de família, sabe como é, reveillon e essa coisa toda.
Para dar uma animada na festa, a família combinou, meio no supetão, uma modalidade nova de uma já tradição em viradas de ano e confraternizações de natal no trabalho: o amigo-da-onça secreto.

(Um parêntese: a brincadeira original muda de nome em algumas regiões. De onde eu venho, por exemplo, falamos amigo oculto; em outros lugares, diz-se amigo secreto. Aceitaria outros, como amigo misterioso, presenteador das sombras ou mesmo amigo furtivo. Porém, é muito estranha a denominação amigo invisível. Você pode até não saber quem é, mas se você não consegue ver seu suposto amigo, melhor consultar um oftalmologista. Você pode ter ficado cego!)


Bem, voltando: o amigo-da-onça secreto nada mais é que um amigo secreto cujo limite de preço do presente é irrisório. Coisa assim, de R$ 1,99. Desta maneira, somente regalos podres e inúteis podem ser comprados. Quando eu participei de um desses no primeiro ano da faculdade, ganhei uma gravata colorida, e presenteeei um par de bonecos do Bananas de Pijama, um deles estando caolho.
No clima da palhaçada, Mingall fez um kit inutilidades: juntou uns chaveiros, umas bugigangas, três DVDs piratas, empacotou tudo e levou.
Como a coisa foi feita de última hora, não tiraram nomes: cada um compraria sua porcaria embrulhada e colocaria numa pilha; na hora do show, cada selecionado escolheria um presente qualquer na sua vez.

O primeiro sorteado calhou de pegar justamente o presente do Mingas. Ao desembrulhá-lo, seu semblante fechou-se ao descobrir o conteúdo do embrulho. Sorrisos esvaindo-se dos rostos, Mingall não entendeu muito bem o que estava acontecendo, assim como outras pessoas na festividade. Estabeleceu-se um climão. Pô, os filmes eram até legaizinhos! O presenteado pergunta, sobriamente:

- Quem foi? Quem comprou este presente?

Momentos de tensão. Mingall ficou na dúvida se devia identificar-se. Não entendia o que estava acontecendo. O dono da festa adianta-se, tentando acalmar o convidado, colocar os panos quentes. Afinal, era só uma brincadeira.

- Não, faz assim: troca comigo. Eu pego esse presente, você pega outro...

- Posso até trocar, mas estes DVDs você não vai levar!

E logo a situação esclarece-se: o sorteado, por acaso, era fiscal da Receita Federal.
De todo mundo na festa a tirar o presente que tinha DVDs piratas, logo o fiscal. Esse Murphy...

Felizmente, os embrulhos não estavam identificados, e Mingall pode aproveitar sua passagem de ano sem ser enquadrado no artigo 184 do código penal.

2 comentários:

  1. Mingall! É preciso dizer mais alguma coisa? Acho que você deveria desenhar um busto do próprio e posta aqui. Ele merece.

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    Respostas
    1. É por isso que em assuntos relativos a Mingall, minha postura é a daquele sábio humorista:

      "Tá com dó? Leva!"

      Nazareno, Chico Anísio.

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