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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Manchinha

Tem coisa que é melhor deixar quieto, embora seja impossível.

Meu amigo Marc estava fazendo cursos em São Paulo, de modo que vinha vindo diariamente para a capital. Outro dia, já dentro do ônibus, ele percebeu, segundo o próprio, uma "sujeirinha em forma de gosma" (?) na bermuda, próxima ao zíper.


Eu, particularmente, odeio quando este tipo de coisa acontece. A situação é irremediável, uma vez que, claro, você só percebe quando já não há mais a menor possibilidade de voltar pra casa e se trocar; é sempre no ônibus, no metrô, no engarrafamento, etc. E a pior parte é que, além de não haver o que se fazer, não existe a menor chance de seu cérebro ignorar seletivamente aquela informação. Você simplesmente não vai conseguir esquecer aquela maldita mancha durante o dia todo, o que vai complicar deveras qualquer tarefa que exija atenção ou esforço mental. Mais ou menos quando tem alguém com um pedaço de comida no dente conversando com você: pode ser a Ellen Rocche pelada  (ou o Hugh Jackman, sei lá sua preferência), você só vai conseguir olhar para aquele fragmento desgarrado de brócolis fugitivo da salada.

Seria melhor sequer ter visto.

Bom, malfeito feito, ele decidiu tentar limpar com um pouco de água. Medindo cuidadosamente uma gota rápida que carregava na mochila, ele tomba vagarosamente a garrafinha, confiando na tensão superficial para garantir a precisão do processo. Naquele exato momento que, estivesse ele num filme, estaria em câmera lenta, onde a gota ia se desprender do resto do conteúdo, eis que o ônibus passa por cima de uma lombada.

Um belo desastre molhado.

Por "sorte" ninguém viu esta cena dantesca, mas assim que ele guardou a garrafa de volta na mochila, senta-se do seu lado uma moça, que deixa entrever uma conspícua cara de espanto ao se deparar com a agora enorme mancha úmida na região virilhal.

Pelo menos ele teve a noção de nem tentar explicar o que havia acontecido. Pode até ser que ela tenha pensado que ele se mijou todo, mas ainda resta a possibilidade de ela racionalizar e acabar concluindo que havia uma explicação menos urinária para aquela visão. Se ele tivesse esclarecido a situação, porém, ela teria tido certeza absoluta que a mancha teria saído diretamente da bexiga do meu amigo.

2 comentários:

  1. hahahaha, queria ter escrito DESSA FORMA originalmente! Muto bom!

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  2. Coloquei algumas considerações, me imaginando no seu lugar... rs

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