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sábado, 7 de abril de 2012

Som automotivo

Neste momento tem um carro embaixo da minha janela. Portamalas aberto, aparelhagem de som provavelmente mais cara que o próprio carro. E, obviamente, tocando rap no último volume.

"Obviamente" não, estou sendo obtuso. Poderia muito bem ser funk, sertanejo, forró universitário ou mesmo, nos mais nostálgicos, axé.

Gilberto, meu colega de trabalho, propõe uma lei: se um decibel ultrapassar os limites do carro, seria permitido guinchá-lo e prensá-lo. Com o dono dentro, de preferência.


Já reparou que esses "trio elétricos" nunca tocam música boa? Já ouviu alguém tocando Toquinho no máximo volume em frente a uma balada? Oswaldo Montenegro na praia? Andrea Bocelli na porta do barzinho? Claro que não. Quem não tem noção de que aquilo incomoda as pessoas também não faz idéia do que seja música. Se você falar Tchaikovsky perto de um cara desses corre o sério risco de levar bala por ter xingado sua mãe.

Não é um fenômeno atual. Quando eu era moleque em Itaú, havia apenas uma opção de saída nos fins de semana, que era o "calçadão". Entre aspas, porque não era um calçadão de verdade, era apenas uma calçada larga com uns poucos bancos para as pessoas sentarem. Havia, nesta época, o Terraço, que era um bar-restaurante com um espaço no andar de cima para bandas ao vivo e cantores de barzinho. Como era a única opção itauense, juntavam-se os jovens nos arredores do bar, e ficavam andando de um lado a outro do "calçadão" a noite toda, conversando e bebendo cerveja em pé. Aliás, o "calçadão" também tinha outros apelidos lisonjeiros, como "rodobobo" e "bobódromo", devido às constantes idas e vindas sem aparente propósito.

Eu acho que as pessoas faziam isso para reativar a circulação das pernas, que corriam sério risco de isquemia depois de tanto tempo em pé.

Um dos musts da época era a caminhonete do Pirca. Era uma Silverado, na época um lançamento, com um baita equipamento de som. Ele parava na frente do Terraço, estacionava a dita, colocava o som no úrtimo, e tome-lhe putzputzputzputz. Foda-se se havia alguém tocando ao vivo. Tava dominado, tava tudo dominado. Havia um galo no terreiro, e ele cacarejava alto! Mas o que eu achava mais bizarro não era isso. A parte estranha era que as pessoas, geralmente menininhas, subiam na caçamba e ficavam lá dançando! Meu, quem se presta a este papel? Tanto que, no nosso seleto círculo de estranhos amigos do Mingall, tínhamos um apelido para aquela caminhonete: era o Pirca's Dance Móvel, a danceteria ambulante.

Mas a coisa mais esdrúxula - neste tópico - de que já ouvi falar é a tal da guerra de som. É basicamente uma disputa pra ver quem tem o pau maior; só que, ao invés do pinto mesmo, eles usam aparelhagem de som do carro. E dá-lhe corneta disso, caixa daquilo, subwoofer não-sei-das-quantas... a tralha ocupa praticamente todo o portamalas. Aliás, som no maleiro já denota uma má intenção: não é pra ouvir dentro do carro. Daí, juntam quatro ou cinco patetas do mesmo naipe, enxameiam em algum local público (até porque comparar o bilau no privado não deve ter a mesma graça) e cada um liga seu funk/rap/Restart ou qualquer outra porcaria barulhenta.

Não conheço as regras, não sei qual o critério pra definir o vencedor; no meu entender, vence quem estiver mais longe possível desta localização naquele momento.

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