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sábado, 28 de abril de 2012

Roteiro esburacado: a saga Matrix

Atenção: contém spoilers.

Matrix é o Star Wars dos anos 2000. Para mim, é a melhor ficção científica da década, sem dúvida. Roteiro original, novas tecnologias e uma história envolvente, que consegue juntar filosofia com porradaria.

Infelizmente, as continuações não ficaram à altura do primeiro filme. Talvez por isso o filme não tenha o séquito nerd de um Star Wars ou Star Trek. Mas, mesmo assim, sempre gosto de assistir.

Entretanto, é preciso reconhecer que a premissa na qual toda a história do filme é sustentada baseia-se num furo científico: o bloqueio do sol. Ela viola a frase clichê que resume o postulado do Lavoisier: "na natureza nada se perde, nada se cria: tudo se transforma", também conhecida como Lei da Conservação das Massas. O problema é que este enunciado, hoje já expandido por Einstein, também vale pra energia, o que significa que, pelo menos pela Física que conhecemos, não há como se criar energia, a não ser pela transformação da matéria, e vice-versa.


A Terra ou, melhor definindo, a Biosfera (conjunto de todos os seres vivos do planeta) é um sistema semiaberto: a matéria se recicla, a energia entra e sai. Sai através de todos os processos termoquímicos necessários à manutenção da vida, e entra através... do sol. A única fonte constante que repõe a energia que gastamos no dia-a-dia é a estrela central do sistema solar, na forma de calor e luz, que é aproveitada pelos produtores através da fotossíntese. Tudo isso é uma baboseira termodinâmica para os leigos, mas acreditem em mim: sem sol, não tem fonte de energia.

Ok, puristas, temos ecossistemas abissais que se sustentam da energia do geotérmica, mas a existência destes ecossistemas não invalida meu argumento, pois ele vale para 99,99% da Biosfera.

O filme tem o cuidado de dizer que a energia bioelétrica é combinada com uma forma de fusão, mas isso não muda nada. Porra, se você tem condições de sustentar "um tipo de fusão", não há a menor necessidade de seres humanos pra isso! Não faz sentido uma tecnologia que necessite utilizar gente pra gerar energia pra ignitar fusão nuclear; na verdade, uma vez existente a fusão, ela mesma é capaz de gerar energia suficiente para se sustentar. Essa, inclusive, é a essência do funcionamento do sol. Aliás, a rigor, a quantidade de energia necessária pra sustentar uma rede como a Matrix já excederia de longe a energia gerada pelo corpo humano. Até porque, a maior parte desta energia é usada para manutenção dos próprios processos do organismo. Não é porque a mente do cara tá na Matrix que os órgãos dele usam menos energia pra funcionar.

Mas não é isso que me intriga na trilogia. Veja, eles brigaram pra dar um fim definitivo à guerra entre humanos e máquinas, certo? Com o fim da guerra, fica acordado que os humanos serão libertados da Matrix. E eu pergunto: e agora, José? Pra onde vai essa cambada? Zion não tem capacidade para sustentar os então seis bilhões de humanos libertados. A superfície da Terra não tem sol, ou seja: sem agropecuária, com um frio insustentável. Além disso, as máquinas dominaram a maior parte da extensão das terras emersas, e o fim da guerra não implica em devolução automática. As únicas que têm opção de geração de energia de forma sustentável neste cenário são as próprias máquinas. Pra que, caralhos, esse povo quereria sair da Matrix?

A única solução que eu vejo é tentar entrar num acordo pra ver se eles melhoram a Matrix, fazendo programação de apps com opção de vôo, soltar bolas de fogo, mudar de aparência à vontade, formação de grupos de luta virtual e... tá, tá bom, é verdade. Preciso parar de jogar World of Warcraft urgente.

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