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segunda-feira, 16 de abril de 2012

Aula Prática de Vertebrados

Biólogo é um bicho de estranhas paixões.

Quando um estuda os meandros dos seres vivos, precisa passar por situações que são verdadeiros testes de estômago. Se você sofre com nojinhos e não-me-toques, dificilmente vai se sentir à vontade na profissão. Tá certo, nem todo mundo que estuda Biologia precisa fazer estágio em laboratório de análises clínicas, nem analisar escarro de tuberculoso. Mas o biólogo wannabe precisa ter consciência de que vai enfrentar situações pelas quais a maioria das pessoas não passaria incólume. E pior: se você tem mesmo a verve biológica percorrendo suas veias, ainda vai achar estas coisas (supostamente nojentas) lindas!

Por exemplo: o momento que você conseque encontrar seu primeiro ovo de verme no esfregaço de fezes é um momento mágico! Ou a primeira vez que você identifica as células germinativas na lâmina histológica de testículo de rato. Observar uma alga do gênero Volvox in vivo numa gota de água. Se você não consegue conceber a maravilha destas descobertas, você não foi talhado para a profissão. Vá fazer engenharia, seu sacripanta!


Quando fiz o curso de Biologia, antes de toda essa baboseira de PETA, APA e da mal redigida lei de proteção ambiental (que compara agressão a espécies nativas ameaçadas a matar pombos ou gatos), realizávamos dissecção no conteúdo das aulas práticas da disciplina de Vertebrados. Fizemos estudos da morfologia interna de pelo menos um exemplar de cada um dos grandes grupos de Vertebrados: um peixe, um anfíbio, um réptil*** , uma ave e um mamífero.

*** Calma, taxonomistas puristas. Ainda era segundo a divisão Linneana clássica, não a filogenética. Que, aliás, é confusa pra diabo, nem vocês conseguem chegar a um acordo!

No meu caso, isso significou, respectivamente: uma tilápia, uma rã, um crocodilo (!), um pombo e um rato.

Tirando o professor taradão, que aproveitava as bandejas onde havia meninas trabalhando pra chegar por trás e "avaliar o andamento da necrópsia", o evento que mais me recordo destas aulas aconteceu quando estudávamos os mamíferos. Neste dia, minha bancada era composta por mais a Milana e o Marc, e a Andréia estava na bancada logo atrás de nós. Nas instruções para a dissecção do rato dizia que, em algum momento, precisávamos espinalar o bicho. Espinalar é secionar a espinha dorsal na altura da cervical, ou seja: decapitar o roedor.

Nossa geração cresceu vendo o Schwarzenegger decepar membros, em Conan ou Comando para Matar, como se eles fossem manteiga perante uma lâmina quente. Mas a verdade é que amputar não é um ato assim tão simples. Espinalar dá um trabalho do caralho! O tecido nervoso e as adjacências da coluna vertebral são duras e resistentes, e nossos instrumentos não eram, como direi, "nossa, que bisturi afiado você tem aí, vovó!".

De modo que estávamos lá, no melhor estilo "língua de fora, suando em bicas" tentando cortar aquela desgraça, quando a Andréia conseguiu. Daí você imagine a cena: quando nos viramos, lá estava ela, toda alegre, comemorando ao som de "Consegui! Consegui!", realmente excitada, segurando a cabeça do rato pela espinha, entre os dedos, realmente feliz!

O Marc resumiu aquela situação: "Andréia: você está me assustando."

6 comentários:

  1. Quanta lembrança boa!!! Eu AMAVA essas aulas!!!
    saudade docê!
    beijoca

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    Respostas
    1. Tem a vardomirice do leitor que apagou o comentário! hahahahahahahaha

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    2. Mas, na verdade, você me deu foi uma idéia para um post! rsrs

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    3. apagaram meu comentário!!

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    4. Não fui eu. Provavelmente algum problema no blogspot, porque não é o primeiro que reclama...

      Mas eu li seu comentário, eu recebo um e-mail com todos os comentários feitos no blog. rsrs

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