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segunda-feira, 30 de abril de 2012

sábado, 28 de abril de 2012

Roteiro esburacado: a saga Matrix

Atenção: contém spoilers.

Matrix é o Star Wars dos anos 2000. Para mim, é a melhor ficção científica da década, sem dúvida. Roteiro original, novas tecnologias e uma história envolvente, que consegue juntar filosofia com porradaria.

Infelizmente, as continuações não ficaram à altura do primeiro filme. Talvez por isso o filme não tenha o séquito nerd de um Star Wars ou Star Trek. Mas, mesmo assim, sempre gosto de assistir.

Entretanto, é preciso reconhecer que a premissa na qual toda a história do filme é sustentada baseia-se num furo científico: o bloqueio do sol. Ela viola a frase clichê que resume o postulado do Lavoisier: "na natureza nada se perde, nada se cria: tudo se transforma", também conhecida como Lei da Conservação das Massas. O problema é que este enunciado, hoje já expandido por Einstein, também vale pra energia, o que significa que, pelo menos pela Física que conhecemos, não há como se criar energia, a não ser pela transformação da matéria, e vice-versa.


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Religião

Não costumo e não gosto de falar de assunto sério nesse blog, que ele não foi criado pra isso. Mas não raro a atitude deixa de ser vardomirice e ultrapassa o limite da estupidez pura e simples, e eu tenho este ímpeto de escrever minha opinião a respeito.

Outro dia estava assistindo a este vídeo do PC Siqueira, que fala a respeito de religião e outros comportamentos de rebanho da espécie humana. Comentando, eu disse que era cristão, mas que concordava com o ponto de vista e os argumentos dele. Daí veio um otário qualquer na resposta e disse algo, mais ou menos assim: “Parabéns, você está a meio caminho de se tornar um ateu =)”

Caro ateu: não estou não. Tenho plena convicção da existência de Deus. Eu tenho uma certa dificuldade em definir-me para aqueles que procuram um rótulo, pois não faço parte de nenhuma religião, mas não sou ateu, nem agnóstico, nem qualquer outro eufemismo acachapante que vocês encontraram pra descrer crendo. Para mim mesmo, eu me denomino cristão, mas parece que as pessoas têm dificuldade de encaixar-me em seus limitados conceitos a respeito desta palavra.


terça-feira, 24 de abril de 2012

Bebê a bordo

Hoje tomei um xingo no trânsito.

Estava bem eu descendo pela minha faixa na rua da Consolação, quando a moçoila que conduzia o veículo ao lado percebeu, já meio tardiamente, que sua faixa estava bloqueada pela CETESB. Não se fazendo de rogada, embicou à esquerda bruscamente. Felizmente, ela se lembrou a tempo de Newton e de sua incômoda Impenetrabilidade da Matéria. Fosse meu carro ao menos gasoso, ela poderia ter tido êxito em sua audaciosa manobra automobilística; como é sólido como todos os outros, ela viu-se obrigada a esperar que eu terminasse de passar.

O vidro estava fechado e a música ligada, mas ouvi um grito, algo que soou como: "bobão!". Quando ela me alcançou mais abaixo, novo grito, nova impressão sonora: "bobão!"

Ah, mas aquilo não ia ficar assim! Não deixei barato, não: mostrei minha língua pra ela.

Se a janela estivesse aberta, tê-la-ia chamado de feiosa cara-de-sapo.

Bobona.

sábado, 21 de abril de 2012

Fanfarronice

Depois do filme Tropa de Elite, muita gente passou a usar o termo "fanfarrão", mas poucas com o sentido original da palavra. Fanfarrão é o sujeito que gosta de intimidar as pessoas por intimidar, geralmente se valendo de uma valentia falsa ou de um equivocado senso de poder. Ou seja: aquele sujeito que te incomoda até o dia em que você enfrenta.

Como a fanfarronice é um blefe, a palavra acabou por extender seu sentido a todos aqueles que falam, mas não sustentam: faroleiros, mentirosos, contadores de papo e afins.

Eu me lembro de uma situação, há uns bons pares de anos, em que meu primo Túlio e eu pudemos contar com o verdadeiro sentido da palavra pra evitar uma confusão. Como eu já falei em posts anteriores, nesta época Itaú tinha como única opção de lazer o Bobódromo, que era o calçadão onde todo mundo ficava indo de um lado para o outro, feito tonto. Adolescentes não costumam ter um bom filtro seletivo e, assim, costumávamos então andar em companhia do Caçamba. É, pelo apelido, vê-se logo que não podia ser boa coisa.

Caçamba, Caçamba... que pessoa!


quinta-feira, 19 de abril de 2012

Nabunda, vaza!


E agora, José... digo, Nabunda?

Arrombamento

Minha relação com a criminalidade da sociedade pode ser resumida a uma palavra: medo.

Mas não o medo real, de quem convive constantemente com esta realidade. É mais para o medo do desconhecido, o temor que se sente de um lugar escuro, daquilo que não se vê, apenas imagina. E, apesar de viver em São Paulo hoje, minha relação com a marginalidade da cidade é a mesma de quando era moleque, há quase vinte anos, crescendo na (então) pacata cidade de Itaú, interiorzão de Minas: apenas projeções, baseadas em relatos e notícias.

Ocorreu-me hoje esta epifania: eu nunca presenciei uma cena de crime. Nunca vi uma arma em uso, apenas em coldres de policiais ou expostas em alguma vitrine. Nunca fui abordado por um bandido, nunca fui assaltado, nem presenciei nada do gênero. Nunca vi briga de torcidas nem motoqueiros ganqueando motoristas no trânsito. Coisas que, segundo consta, são cotidianas em São Paulo.


terça-feira, 17 de abril de 2012

Charles Chápolin



Minha mãe não gostava que eu assistisse Chaves e Chapolin. Ela dizia que aquelas piadas deixavam as crianças retardadas.

Quando eu tenho esse tipo de idéia, olhando em retrospecto, acho que ela tinha razão, afinal.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Aula Prática de Vertebrados

Biólogo é um bicho de estranhas paixões.

Quando um estuda os meandros dos seres vivos, precisa passar por situações que são verdadeiros testes de estômago. Se você sofre com nojinhos e não-me-toques, dificilmente vai se sentir à vontade na profissão. Tá certo, nem todo mundo que estuda Biologia precisa fazer estágio em laboratório de análises clínicas, nem analisar escarro de tuberculoso. Mas o biólogo wannabe precisa ter consciência de que vai enfrentar situações pelas quais a maioria das pessoas não passaria incólume. E pior: se você tem mesmo a verve biológica percorrendo suas veias, ainda vai achar estas coisas (supostamente nojentas) lindas!

Por exemplo: o momento que você conseque encontrar seu primeiro ovo de verme no esfregaço de fezes é um momento mágico! Ou a primeira vez que você identifica as células germinativas na lâmina histológica de testículo de rato. Observar uma alga do gênero Volvox in vivo numa gota de água. Se você não consegue conceber a maravilha destas descobertas, você não foi talhado para a profissão. Vá fazer engenharia, seu sacripanta!


quarta-feira, 11 de abril de 2012

Vida, louca vida

Quando eu era criança, era o discurso em casa era: "estude, faça uma boa faculdade para se sair bem na vida."

Estudei, passei numa federal. Fiz meu curso bem feito, como manda o figurino. No curso, os professores se alinhavam na ladainha: "siga uma carreira acadêmica, faça uma boa pós-graduação."

Entrei no mestrado, desta vez na UNESP, outra universidade de respeito. Até tive sorte, passei bem colocado e ganhei uma bolsa! Enfrentando alguns contratempos aqui e ali, consegui um diploma de mestrado. Entretanto, estes perrengues dissuadiram-me de seguir dependendo de bolsa. As vozes da razão alertaram, então: "a melhor opção é concurso, porque é um caminho seguro, que vai dar uma boa base".


sábado, 7 de abril de 2012

Som automotivo

Neste momento tem um carro embaixo da minha janela. Portamalas aberto, aparelhagem de som provavelmente mais cara que o próprio carro. E, obviamente, tocando rap no último volume.

"Obviamente" não, estou sendo obtuso. Poderia muito bem ser funk, sertanejo, forró universitário ou mesmo, nos mais nostálgicos, axé.

Gilberto, meu colega de trabalho, propõe uma lei: se um decibel ultrapassar os limites do carro, seria permitido guinchá-lo e prensá-lo. Com o dono dentro, de preferência.