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segunda-feira, 19 de março de 2012

Show do Chico

Não tenho mais ânimo de ir ao cinema. Vejo os banners anunciando os filmes e até me interesso por alguns, mas prefiro esperar que saiam na TV ou em DVD.

Curiosamente, não é a preguiça que me tira o ímpeto. É a raiva. A raiva que eu vou passar, porque já é estabelecido como certo: vai ter sempre alguém conversando no cinema. Já desisti de tentar entender o que leva uma pessoa a pagar pra conversar durante o filme, um dinheiro que seria muito melhor aproveitado numa mesa de barzinho em cervejas e tiragostos. Eu simplesmente sou incapaz de compreender.

Pior ainda é no teatro. No caso dos filmes, o conversador atrapalha os assistentes. Mas no teatro, o colóquio afeta o espetáculo em si. Atrapalha os atores, a música, a direção de arte. O Antônio Fagundes fez até uma peça sobre isso, intitulada Sete Minutos.


Ontem, no entanto, cheguei ao quinto estágio do inevitável. Passei pela negação ("não é possível que esse cara não vai calar a boca"), raiva ("filhadaputa, vou enfiar esse celular goela abaixo dele"), barganha ("pelamordemeujesuiscristim, sssshhhhhhh!!!") e depressão ("Essa espécie já passou da hora de se extinguir."); agora, finalmente, alcancei a aceitação.

Ontem teve show do Chico Buarque de Hollanda. Ícone cultural brasileiro, esta é a sexta turnê de sua carreira. Sexta! Até Michel Teló já deve ter feito mais turnês que ele. Ambiente refinado, mesas com quitutes chiques, canapés e etc. E duas gralhas conversando no meio do show. Coisas interessantes? Ainda que fossem, esse comportamento é injustificável. Mas não, eram assuntos totalmente fúteis de patricinha. Se eu fosse uma delas, inclusive, mandaria a outra ficar quieta. Chico não é show de rock, o som é ambiente, leve. Quando o volume aumentava, elas começavam a gritar.

Pois é. Se as pessoas pagam um rim pra ir a um dos exclusivíssimos shows do Chico conversar, não há solução, não há esperança. Só o que me restou foi a aceitação. Agora, é treinar a ignorância ativa.

Meu único alento é que, pelo menos com estas vardomiras consegui fazer alguma coisa: durante o show, no escuro da platéia, joguei três catotas de nariz no cabelo da filhadaputa.

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