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sexta-feira, 2 de março de 2012

Instituição abençoada

Banco.

O fato dos rudimentos desta categoria de empresa ter surgido em grupos ligados à igreja não muda um simples fato: banco não é de Deus. Meus amigos costumam referir-se ironicamente a banco como "a instituição abençoada".

Mas mesmo já tendo essa predisposição, ninguém está totalmente livre dele. Ninguém está imune a ser vítima.

Vítima do banco.

Essa aconteceu com o Gustavinho. Na faculdade, dinheiro contado, situação de cinto apertado. Pra poder beber sua cerveja vital, muitas vezes tinha que economizar em outras coisas, na sua maioria supérfluas, como comida e roupas.

Um dia marcaram um churrasco. Cada um contribuiria com seus dez reais. Ele estava liso, mas o dinheiro do mês chegaria exatamente no dia seguinte. Como proceder? Deixar de ir ao churrasco por causa de UM dia era uma puta sacanagem. Allan, então, dá uma sugestão salvadora:

- Por que você não tira no LIS?

LIS é o serviço de cheque especial do banco Itaú. Até então, Gustavo nunca tinha usado, e não sabia como proceder. Allan explicou:

- Olha, não sei se tem que fazer alguma coisa especial. Eu simplesmente tiro a grana no caixa eletrônico, e fica negativo lá até cair o dinheiro.

Bom, um diazinho de saldo devedor não mataria ninguém, né? O que Gustavo não sabia era que era necessário ativar o tal serviço na conta. Abençoadamente ignorante dos trâmites bancários, foi ele tentar tirar a grana do churrasco no LIS. Como não havia saldo, o caixa eletrônico informou: "Saldo Insuficiente". No entanto, um botão chamou a atenção: prometia um crédito pessoal imediato, ali mesmo no caixa eletrônico.

- Deve ser isso aqui.

Surge um campo a ser preenchido com um valor. Gustavo não titubeia: dez reais. A máquina recusa-se: "Valor mínimo: vinte reais."

- Uau, que banco legal! Querendo me emprestar até mais do que eu preciso! Tá melhor que pegar dinheiro emprestado com amigo.

Campo seguinte: data para início do pagamento. Gustavinho preenche: "Amanhã." A máquina novamente adverte: "Período mínimo: vinte dias."

- Puxa vida! Melhor que amigo nada, isso aqui tá melhor que pegar dinheiro com a minha mãe! Ela dá o dinheiro, mas depois fica perguntando onde eu vou gastar, quando que vou devolver, quer troco, etc... Banco legal esse!

"Quantas parcelas?" Bem, aí o brio estremeceu. Parcela pra pagar vinte conto? Pelamor, né? Não. Uma parcela só. Desta vez, o banco não fez objeção. Preenche a senha, dá o OK, entra em ação a contadora de notas e, logo em seguida, a impressora do comprovante. Ao ler o papelzinho, surpresa surpresa!

Taxa de juros não-sei quanto, IOF mais não sei quanto, mais não sei que taxa de serviço = valor total: 45 reais!

125% de acréscimo por um empréstimo de vinte dias. Ele ainda tentou argumentar com a máquina que não queria mais, não precisava, mas a máquina não quis nem saber: voltou pra tela inicial e fingiu que ele nem estava ali.

Só espero que o churrasco tenha sido muito bom.

2 comentários:

  1. Sem duvida foi um dia mto triste

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    1. Pra você, talvez. Eu mesmo, só rachei de rir. hahahahahahahahahahahah!

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