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quarta-feira, 21 de março de 2012

Concurso

Prova de concurso.

Minha formação é em Biologia, mas esta não é minha profissão. Na verdade eu sou concurseiro profissional. Já ocupei três cargos públicos, nas três esferas: municipal, estadual e federal. Minha constituição genética me fez uma pessoa plácida e completamente antissocial. Como resultado, não tenho os ímpetos necessários para o empreendedorismo, e afundo como chumbo em entrevistas de emprego. Porém, minha tranquilidade é um grande trunfo em avaliações escritas, o que me fez escolher trilhar o caminho do funcionalismo público.

De concurso em concurso, já sou capaz até mesmo de avaliar as promotoras. Provas da VUNESP, por exemplo, são superficiais, cuja dificuldade reside nos rodapés de livros e pegadinhas pueris. A CESPE, em contrapartida, é o estilo de prova mais difícil: cada questão tem apenas duas alternativas, sim ou não; há uma quantidade monstro de questões, na ordem de cento e cinquenta, e cada questão respondida incorretamente anula uma resposta correta; questões não respondidas valem zero. A FCC costuma ter uma prova de Português muito difícil.


Também é possível classificar alguns tipos de concurseiros. Tem aqueles como eu, completamente desencanados. Vão com documento e duas canetas no bolso, não sabem de antemão qual a sala em que vão prestar a prova, chegam dez minutos antes de fechar o portão, fazem a prova rapidamente e saem pouco tempo depois do mínimo exigido pelo edital. Outros tratam a prova como verdadeiras maratonas: fazem alongamento, levam líquidos e comes para a sala, programam a hora de irem a banheiro, têm impressas todas as publicações possíveis em mãos no dia do certame, cronometram o tempo de transferência do gabarito, geralmente ficando pra assinar como testemunha do fim do tempo regular.

Uma coisa, no entanto, intriga-me: o banheiro. Tem gente que pede pra ir ao toalete e demora lá trinta, quarenta minutos. Obviamente que vão realizar o número 2. Olha, sair pra fazer um xixizinho até entendo, dá uma quebrada na tensão, um tempinho longe da carteira pra dar aquela respirada profunda antes de voltar pras questões. Mas "ir á casa do Pedrinho" no meio de uma prova de concurso? Soa-me estranho gastar meia das contadas três ou quatro horas com isso, ainda que se argumente que o nervosismo do momento estimule os movimentos gastrointestinais.

Por isso deixo aqui a dica, que deveria entrar no rol destes sites e reportagens que dão instruções a quem vai aventurar-se no mundo dos concursos: cague em casa. Sério. Vai te poupar tempo e outras dores de cabeça.

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