Pesquisar este blog

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Escola

Eu fui um bom aluno.

Quer dizer, pelo menos do meu ponto de vista enquanto professor. Eu era um aluno do tipo para o qual gostaria de dar aula: não fazia barulho. Tá certo que eu era o pesadelo de muitos outros professores. Afinal de contas, eu meio que ia contra muitas coisas que eles pregavam em sala.


Não me entenda mal, eu ia bem nas matérias. Meu comportamento não era ofensivo; na verdade, eu era praticamente invisível. Tá certo que também não era o que se pode chamar de exemplar. Eu tinha o hábito de sempre fazer outras coisas no decurso da aula: desenhar, ler livros ou gibis que nada tinham a ver com a matéria, etc. Claro, era uma outra época, quando ainda havia-se um mínimo de respeito com os professores, então eu fazia isso tudo no fundão, sem conversar ou emitir sons que atrapalhassem a aula como um todo. E tentando esconder o delito.


Parando pra pensar agora, felizes eram estes professores que podiam dar-se ao luxo de implicar com um aluno que está lendo Wolverine ao invés de olhar para o quadro. Em muitos casos, hoje, o professor suspira aliviado quando o aluno simplesmente finge que ele não está ali.


De qualquer forma, minhas apostilas e cadernos eram sempres cheias de figuras, dependendo da fase: Jaspion, Disney, Tartarugas Ninjas, Street Fighter, X-Men e outros heróis Marvel, etc.

Minha mãe sempre ouvia as reclamações nas reuniões, mas ela não pegava pesado comigo. Decerto pensava ser aquele o meu jeito, e, uma vez que os resultados estavam sendo satisfatoriamente alcançados, seria muita catação de piolho.

As reclamações pararam depois de um evento até meio besta. Certa vez a dona Zumar, professora de Ciências da sétima série, estava dando aula quando ela parou do meu lado. Por acaso estava desenhando algum tokusatsu no caderno ao invés de copiar a matéria. Em tom de inquisição, ela começou a perguntar coisas sobre o que estava explicando. E eu, não sei como, respondi. Perguntou uma, duas, três. Ela tinha acabado de falar, oras, e eu estava ouvindo.


Depois disso, ela passou a me defender nas reuniões. Quando algum professor comentava dos desenhos, ela retrucava: "Tudo bem, mas ele está prestando atenção, e isso é o que importa." E minha mãe não teve mais reclamações a respeito deste detalhe mais.

Eu? Continuei a ser um esquisito antissocial até hoje.

0 comentários:

Postar um comentário

Comente! Invente! Faça o Fex mais contente!