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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

À preposição

Obnoxious.

O problema de se entender duas línguas é que, por diversas vezes, alguns conceitos que você deseja transmitir são muito melhor expressados por uma delas que pela outra. Por exemplo, o dicionário traduz obnoxious como desagradável, ofensivo, chocante. Nas vezes que vi sendo usado, geralmente era para um misto de arrogância com chatice, uma espécie de prepotência ativa.

Todo mundo conhece alguém obnoxious. Meu chefe é um exemplo típico. Mas devemos ter muito cuidado: ninguém está livre de agir desta maneira. Ainda mais sendo um adolescente sem-noção.

No primeiro ano do colegial (ou ensino médio, ou qualquer outra porcaria que os pedagogos tiverem inventado pra justificar seus salários e diplomas) a professora de Português era a dona Virgínia, também conhecida pelo singelo apelido de dona Carneirinha, tanto pelos cabelinhos encaracolados quanto pelo temperamento plácido. 

Quer dizer, "plácido" na superfície, né? Já houve situações onde podia jurar que ela pularia na carótida do disinfiliz. Não me entenda mal, a dona Virgínia era uma excelente professora. Apenas acho que ela não estava preparada emocionalmente para lidar com uma turma de adolescentes ensandecidos.

Esta história me virou bem uns dois anos e tanto de eventos contraditórios em relação à professora. Até uma prova única e diferente da do resto da sala já cheguei a fazer.

Estávamos estudando as classes de palavras. O tópico era "artigos". Num dado momento, quando a apostila falava sobre onde NÃO usar artigos, chegamos a uma frase de exemplo que era algo assim:

"Darei estes chinelos a meu pai."

Estando a aula na parte de usos errôneos do artigo, dona Virgínia assertiu que o "a" da frase estava colocado de forma inadequada, pois era um artigo feminino que se referia ao substantivo masculino "pai".

Não é difícil perceber que, na verdade, quem errou foi a apostila. O erro estaria em uma virtual crase, que provavelmente não foi impressa por erro na gráfica.

De qualquer forma, eu, que apenas nas passagens do cometa Halley costumava participar da aula, não deixei passar em branco:

- Dona Virgínia, este "a" não é artigo, é preposição.

- Não, imagina! É artigo! Estamos na aula de artigo!

(As exclamações são propositais. Ela falava assim mesmo.)

- Não, não. É preposição.

- Ferrnando, é arrtigo! Querr pararr de teimarr?!

(Ela tremia o rr como um gaúcho quando ficava brava.)

- É preposição...

A última frase já foi dita com condescendência. A esta altura, já começaram as vaias e gritos de "sabe nada!" e "dá moral pra ela não!" normais da típica crueldade adolescente. Não sei se foi a classe que a intimidou, ou se ela acabou se dando conta do engano por si, mas, neste momento, ela recuou (um pouco):

- Tá, vejamos então...! Vamos analisar a frase novamente...!

E eu, sem piedade:

- Ok, podemos até analisar a frase de novo. Mas que é preposição, é preposição.

Enfim. Obnoxious.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Plano de saúde

Na instituição onde trabalho há um convênio com um plano de saúde. Eles oferecem três tipos de planos: o Maomenos 1/2 B, o Bonzim Plus e o MEGABLASTER TODASMAIÚSCULAS.

O primeiro é o mais barato; o segundo, coisa de quarenta reais mais caro; o terceiro, cinco vezes o preço do segundo.

Este ano, além do ajuste anual de praxe (quem dera o salário ajustasse na proporção das contas...), eles estão fazendo uma campanha de adesão e mudança de planos. Campanha de adesão tudo bem, normal. O estranho é a campanha de mudança de planos: só é permitida a mudança pra planos menores.

Isso mesmo. Quem é do MEGABLASTER pode ir pra qualquer dos outros dois, e quem é do Bonzim pode ir pro Maomenos. Mas se alguém quiser pagar mais por um plano melhor, a operadora cita o já consagrado dito da sabedoria popular: "Ema, ema, ema: cada um co' seus pobrema".

Campanha pra piorar plano de saúde. Tem base? Esse tipo de coisa que me deixa doente...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Plasmídeo

"Como esta pessoa conseguiu chegar até aqui?"

São incontáveis as vezes que já fiz-me esta pergunta. Como fulano conseguiu sair de casa, amarrar os sapatos, vestir a roupa, pegar algum transporte e chegar aqui, tudo isso sem morrer no processo?

Andei estudando pra concursos, e acabei lembrando desta pérola. Vai ficar mais inteligível pra quem é da área, mas tentarei manter os pés no chão enquanto narro.

Aula de Genética Bacteriana. Era o último tópico de um longo semestre de Microbiologia. A professora, Mirna, irritava tamanha a didática dela. Isso mesmo! Era tudo tão explicadinho, tão detalhadinho, que parecia que ela estava se dirigindo a uma turma do Mobral (ia falar APAE, mas daí corre o risco de tirarem o blog do ar). Mas, de qualquer modo, antes isso que um professor relapso. E devo reconhecer: funciona. Você não aprende em profundidade, mas o que se aprende, fica.

Para os leigos no assunto, uma breve explicação: as bactérias possuem um DNA acessório chamado plasmídeo. Esta estrutura, embora não seja obrigatória, tem uma grande importância na biologia dos procariotos, de maneira que durante o curso fala-se inúmeras vezes sobre plasmídeos, em vários tópicos: estrutura da célula, reprodução, transformação bacteriana, etc. Muito. Vocês não tem noção do quanto se fala de plasmídeo quando o assunto é bactéria.

Pois bem. Voltemos à genética bacteriana. Estava lá a professora explicando a existência de genes de resistência a antibióticos presentes em algumas famílias de plasmídeos, quando Davi, um cara que estava cursando a disciplina lá pela terceira ou quarta vez, soando mais ou menos como Pedro Bó, levanta a mão. A professora pergunta qual a dúvida, ele dá um dos mais lindos coup de grace verbais que eu já presenciei:

- Professora: o que é plasmídeo?

É mais ou menos como perguntar, ao final de um curso de Direito: "Professor: o que é lei?"

Sério, embora eu não simpatizasse muito com o método da professora, neste dia fiquei com pena. A expressão dela era a mais pura decepção. Ela transmitiu naquele olhar e naquele discreto suspiro toda a desilusão de que sua dedicação ao ensino fazia alguma diferença na vida dos alunos. Tenho a impressão de que ela questionou, ali, naqueles fugazes segundos, todas as grandes decisões da vida dela que a levaram àquele momento.

E o salário, ó...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Escola

Eu fui um bom aluno.

Quer dizer, pelo menos do meu ponto de vista enquanto professor. Eu era um aluno do tipo para o qual gostaria de dar aula: não fazia barulho. Tá certo que eu era o pesadelo de muitos outros professores. Afinal de contas, eu meio que ia contra muitas coisas que eles pregavam em sala.


Não me entenda mal, eu ia bem nas matérias. Meu comportamento não era ofensivo; na verdade, eu era praticamente invisível. Tá certo que também não era o que se pode chamar de exemplar. Eu tinha o hábito de sempre fazer outras coisas no decurso da aula: desenhar, ler livros ou gibis que nada tinham a ver com a matéria, etc. Claro, era uma outra época, quando ainda havia-se um mínimo de respeito com os professores, então eu fazia isso tudo no fundão, sem conversar ou emitir sons que atrapalhassem a aula como um todo. E tentando esconder o delito.


Parando pra pensar agora, felizes eram estes professores que podiam dar-se ao luxo de implicar com um aluno que está lendo Wolverine ao invés de olhar para o quadro. Em muitos casos, hoje, o professor suspira aliviado quando o aluno simplesmente finge que ele não está ali.


De qualquer forma, minhas apostilas e cadernos eram sempres cheias de figuras, dependendo da fase: Jaspion, Disney, Tartarugas Ninjas, Street Fighter, X-Men e outros heróis Marvel, etc.

Minha mãe sempre ouvia as reclamações nas reuniões, mas ela não pegava pesado comigo. Decerto pensava ser aquele o meu jeito, e, uma vez que os resultados estavam sendo satisfatoriamente alcançados, seria muita catação de piolho.

As reclamações pararam depois de um evento até meio besta. Certa vez a dona Zumar, professora de Ciências da sétima série, estava dando aula quando ela parou do meu lado. Por acaso estava desenhando algum tokusatsu no caderno ao invés de copiar a matéria. Em tom de inquisição, ela começou a perguntar coisas sobre o que estava explicando. E eu, não sei como, respondi. Perguntou uma, duas, três. Ela tinha acabado de falar, oras, e eu estava ouvindo.


Depois disso, ela passou a me defender nas reuniões. Quando algum professor comentava dos desenhos, ela retrucava: "Tudo bem, mas ele está prestando atenção, e isso é o que importa." E minha mãe não teve mais reclamações a respeito deste detalhe mais.

Eu? Continuei a ser um esquisito antissocial até hoje.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

( Y )ou Tube

Homem é um bicho tosco.

Gosto de viajar pelos links relacionados do You Tube. Sabe, aqueles thumbs que ficam à direita do vídeo que você está vendo, que levam a outro vídeo, que por sua vez tem seus próprios links relacionados, ad infinitum.

Parece a minha corrente de devaneios. Quando eu começo a pensar nas coisas, um assunto vai puxando o outro, até que eu me dou conta de que não só o tópico atual do pensamento em nada tem a ver com o que comecei a pensar, como muito provavelmente eu já nem lembre como é que aquilo tudo começou.

É um bom exercício, recomendo: tentar rastrear de volta a linha de pensamento até o original. Como um Teseu da psique. A diferença, aliás, do You Tube pros emaranhados da minha mente é que meu cérebro não tem navegador com botão de "voltar".

Mas divago. Hoje, meu primo passou um link do You Tube que mostra uma surfista quase sendo engolida por uma baleia. De fato, já o tinha visto, foi muito divulgado nos últimos dias:





Nos links relacionados, uma dessas relações esquisitas que só os mecanismos de busca da internet conseguem fazer: uma moça decotada falando do feriado de Ação de Graças estadunidense.

Navegando a partir deste link, descobri que existe toda uma espécie de categoria de vídeo do You Tube, que consiste de moças decotadas falando coisas desinteressantes sobre assuntos igualmente inócuos. Elas não são engraçadas, nem especialmente inteligentes, e não se ouve nada realmente original. No geral, nada mais do que um monte de reclamações de patricinhas. É só isso. Blá blá blá, uma peituda falando.







Olha, nada contra peitudas decotadas (muito pelo contrário!), mas é uma puta sacanagem! Pra um cara conseguir o mesmo número de views, ele precisa ou fazer uma coisa muito estúpida e diferente, ou elaborar algo que exige muita criatividade e sagacidade. Elas não. Tudo que elas precisam pra terem audiência é ter seios grandes em frente a uma câmera!!!

Eu até pensei em reclamar do sexismo, que isso é uma desvantagem muito grande mas, cá pra nós, elas não são as responsáveis. Por exemplo, se eu soubesse que, pra conseguir muitos leitores pro meu blog, eu só precisasse, sei lá, vestir uma camisa vermelha, será que eu não faria isso? Acho que faria. Claro, a maioria das pessoas só ia acessar pelo "decote-equivalente", o que invalidaria a iniciativa de conseguir leitores. Mas se minha preocupação fosse unicamente conseguir audiência pra mostrar a um patrocinador, missão cumprida.

Não, não. Os responsáveis são os homens, esses broncos. Porque, no fundo a Dilma Russef (do Kibeloco, não a presidenta) é que tá certa. Não precisa mais que isso: um decote mais revelador, uma sainha mais curta, um reboladinho ali e pronto: ali constitui-se um séquito.

Pelo menos uma ou outra parece ser minimamente consciente. Quer dizer, considerando que ela esteja sendo irônica intencionalmente...





P.S.: Em tempo: apenas assisti a estes vídeos para ter material para este post. :P

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Compartilhando

Mais uma vez nossa imprensa demonstra que toma muito cuidado antes de confeccionar uma manchete.




Ou seja: pegou uma tuberculose, uma hanseníase ou qualquer outra doença contagiosa? Não seja egoísta! Ignore os sintomas, as dores e o atestado e vá trabalhar! Compartilhe seus problemas de saúde com seus colegas, estes que te apóiam todos os dias!


Claro, eles não pensaram nas pessoas com câncer, mas você sempre pode comprar um cigarrinho e violar umas leizinhas pra cumprir a recomendação do repórter.

Aliás, alguém sabe quanto a Fátima Bernardes tá cobrando? Saiu numa manchete outro dia que ela deixou o Willian Bonner no Jornal Nacional pra fazer programa.

P.S.: Alguém tem uma sobra daquele pó do carbunculozinho do Bin Laden? Tem uma pessoa no meu trabalho com quem eu adoraria compartilhar um frasquinho destes...