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quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Loop burocrático

Burocracia é um mal necessário. Não tem jeito, quem lida com dinheiro público precisa prestar contas. E quem precisa prestar contas, precisa registrar o que faz.

O problema é quando trocam a finalidade pela forma. É quando a burocracia deixa de ser um meio e passa a ser um fim em si.

E acontece muito.


Por exemplo: no fim do ano passado, meu simpático chefe me sugeriu meu nome para fazer parte da comissão de inventário. A comissão tem a premissa de fiscalizar a situação do material distribuído pelos setores.

Para isto, cada setor deve encaminhar sua lista de materiais para a comissão. No meu setor, o responsável pela lista sou eu. Tive que fazer o inventário com a maior precisão possível de todo o material em estoque. Algo em torno de 4.500 itens, com numeração própria e o maior número de detalhes técnicos possível: marca, medidas, constituição material, número de série, peculiaridades, etc.

Como o método utilizado é essencialmente manual, estamos sujeitos a muita possibilidade de erro.

Pois bem. Outro dia encontramos um desses erros: quatro estações de trabalho desmontadas que, estando mocosadas atrás de um muro de material, ficaram fora da lista final. Simples, é só acrescentar. Certo?

Nãããão. Oficialmente, a lista já tinha sido enviada à Comissão para avaliação. Adicionar coisa depois modificaria a lista enviada. Não, não, meu chefe quer que eu, enquanto membro da Comissão, relate a incongruência no processo e peça explicações.

Este é o procedimento padrão, mas quem é o responsável pelo material do meu setor... SOU EU! Ou seja: ele quer que eu (membro da Comissão) peça satisfações sobre erros cometidos por mim (funcionário do Patrimônio). Depois que eu (funcionário do Patrimônio) redigir as explicações, eu (membro da Comissão) deverei julgar se há pertinência na minha (funcionário do Patrimônio) argumentação, cabendo-me (membro da Comissão) a decisão se o engano cometido por mim (funcionário do Patrimônio) afeta de forma significativa o relatório que eu (membro da Comissão) enviei ao Controle Interno.

E depois não criticam a cunha do termo "Burrocracia".

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