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domingo, 8 de janeiro de 2012

Kids

Avião para Chiclayo, Peru. Clima quente, avião pequeno e apertado, cada fileira com apenas duas poltronas.

Na fileira oposta, um banco à frente, um moleque de seus quatro ou cinco anos faz uma birra. E, como se sabe, a principal característica de uma birra é que ela é barulhenta. Afinal, só serve pra chamar a atenção, ou para incomodar até que lhe seja dado o que quer.

O que mais chamou a atenção, entretanto, não foi a barulheira que nos induzia a procurar as saídas de emergência (pra jogar o moleque e a mãe, não pra pular). Foi o fato de que o menino se comportava como um bebê. Ou, ao menos, como uma criança bem mais nova que ele era. Claro, ele podia ter algum tipo de deficiência mental. Mas segundo pude observar, estava mais para deficiência parental.

Os pais simplesmente ignoravam o moleque. E quanto mais ignorado, mais alto ele gritava. Claro, alguém pode argumentar que ignorar é uma técnica válida para lidar com birra (se for por atenção). E eu replicaria: é uma técnica válida NA SUA CASA. Em local público, sair com criança birrenta deveria ser proibido por lei.

Desde que fui professor, desenvolvi uma teoria que, ao menos hipoteticamente, poderia tornar o mundo um lugar muito melhor para todos nós: a Licença Procriação.

Vejamos antes alguns aspectos da questão educacional.

A começar, a maturidade sexual humana ocorre em dois estágios: o físico e o psicológico. E estes estão separados por anos. Pior: à medida que a sociedade evolui, a distância temporal aumenta: as crianças estão se sexualizando mais cedo e tornando-se adultas mais tarde. Isto posto, parece óbvio que se aumente cada vez mais o número de nascimentos indevidos. Por "indevidos" entenda-se: indesejados e rejeitados posterioremente à notícia.

Além disso, aparentemente uma característica tipicamente brasileira (não falarei de outros lugares que não conheço, mas me parece ser um problema ultra-nacional) finalmente alcançou a educação familiar: responsabilidade. Ou, mais precisamente, a ânsia em livrar-se dela. Pessoas não se preocupam em resolver os problemas; antes, estão mais preocupadas em achar em quem jogar a culpa. Junte-se isto à inadequação de boa parte dos pais, e temos uma legião de pequenos regentes ocupando as escolas, suportados por pais que exigem que os professores façam, em cinquenta minutos, com quarenta e cinco alunos, o que não conseguem fazer em casa, com apenas um e em tempo integral.

Chegaram até a transformar em lei: proibiram a palmada. É uma chancela legal aos pais relapsos. "Não posso fazer nada a respeito, o governo me proibiu de educar meu filhos".

Agora, todas as atividades humanas que são potencialmente danosas a outros indivíduos sofrem algum tipo de regulação social. Para dirigir um veículo, é necessário fazer um exame de direção e obter a CNH, por exemplo. E eu diria que não há atividade mais potencialmente perigosa à sociedade que a procriação.

Por isso mesmo, eu defendo o seguinte: deveria ser necessária permissão governamental (enquanto representante legítimo da sociedade) para procriar. Isso mesmo: para poder ter filhos, as pessoas deveriam ter que provar à sociedade que eles serão potenciais aditivos, e não um peso.

Para isto, seria preparada uma série de testes físicos, psicológicos, sócio-econômicos e quaisquer outros que um possa achar necessários. Ser reprovado em um destes testes resultaria em esterilização compulsória.

Nazista? Sim, entendo que é. E também uma situação ideal e, portanto, impossível. Mas se tivesse que optar por uma destas, preferiria aquela em que os adolescentes fossem responsáveis e usassem camisinha, e os pais fossem responsáveis e educassem seus filhos, ensinando valores e preparando-os para uma vida em sociedade como cidadãos conscientes e produtivos. Mas acho isto ainda mais impossível que a minha hipótese.

Por isso, cheguei a um ponto menos impossível, mas que exigiria uma mudança de postura governamental: operações de esterilização gratuitas. Sim, aquele que tomasse a sábia e responsável decisão de não ter filhos deveria ser premiado. Ou, ao menos, ver facilitados os meios para cumprir sua determinação. Isto indepentente de idade, sexo ou condição social.

Arrependimento? Ainda acho menos danoso á sociedade o arrependimento de não poder colocar um filho no mundo do que o de ter colocado e agora não querer arcar com isto. Filho é um compromisso pra toda a vida, afinal de contas, e é ainda menos reversível que uma vasectomia ou laqueadura. Além do quê, com a atual evolução do conceito de família (já não era sem tempo), convenhamos: é melhor que o arrependido cuide de uma criança indesejada por outrem do que arriscar a procriar mais uma para aumentar o problema.

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