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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Gasolina

Natal. Domingo. Sem folga no trabalho, a solução foi viajar pra casa da família no sábado e voltar no próprio domingo. 25 de dezembro. Natal.

Eu, a mulher e o cunhado, que também precisava trabalhar, pegamos a estrada ali por volta das cinco da tarde. Um quarto do tanque no mostrador. Sabe como é, combustível em Minas é caro, depois da fronteira o preço do álcool cai bastante, toca o carro. Manual Crusca de Economia em Combustível.

Saímos, ainda claro o dia. Três pessoas no carro, aquele blablablá. Passa Paraíso, passa Monte Santo, passa a fronteira... acende a luz da reserva! Putz, esqueci de ficar esperto com os postos.

É impressionante como os quilômetros ficam longos. Percorremos uns 450 quilômetros (assim me pareceu) e nada de posto.

Palma, palma, não priemos cânico! Tem um posto em Mococa! Vai dar pra chegar.

Logo depois da placa de "Chegando em Mococa", o tempo fechou. Começou a chover. Parecia que São Pedro tinha acumulado uns três meses de serviço, o Chefe descobriu, mandou resolver tudo até o fim do dia. E ele mandou ver. Não dava pra andar a mais de 30 por hora, com o pisca-alerta ligado, visibilidade 2%, por aí. Feia a coisa. Quando a chuva finalmente afinou, já tínhamos passado de Mococa. Mas não sabíamos disso.

Momento tenso: o motor perde a força. O acelerador não responde. A marcha começa a reclamar por uma redução. Não tem outra opção: encosto.

Mas não dá tempo nem de lamentar a burrice: a sorte, esta caprichosa, fez com que parássemos a uns cento e cinquenta metros de um posto de gasolina do outro lado da estrada!

Caprichosa e fanfarrona (ou seria fanfarrã? Ô linguinha complicada!). Enquanto Murphy ria-se litros no inferno, eu e meu cunhado atravessamos a estrada apenas para descobrir que o posto estava fechado: tinha sido interditado por adulteração de combustível.

Não é legal? Não sei o que seria pior: ele estar fechado ou aberto, de modo que eu pudesse abastecer meu carro com álcool misturado com benzeno e água, pra depois ferrar de vez com o motor.

Fomos até um daqueles orelhões do SOS da concessionária, mas não estava funcionando. Peguei o número e liguei do celular, atenderam. Registraram o quilômetro e a ocorrência. Pane seca.

Nesta hora de incerteza, o cérebro trabalha como nunca, e a imaginação flui solta. Lembrava de histórias sobre médicos que, em dias de movimento pesado, deixavam aqueles que se machucavam por burrice ou negligência pra atender depois de todas as outras emergências, e fazia o paralelo. Imaginava a conversa dos atendentes da concessionária: "Esqueceu de por gasolina? Então espera aí, seu mané. Huahuahauhua! (risada maligna de deboche)".

De qualquer modo, parece-me que eu não estava muito errado. Cinco ligações depois, chegou o guincho. E, como havia um outro motorista também parado próximo a nós (também com pane seca. Que povo burro que não abastece o carro antes de sair pra estrada é esse?), ele não nos rebocou ao posto: me levou até lá, depois me levou de volta ao carro com um galão de gasosa. Não deixei o senhor do guincho ir embora antes de nós, e foi uma sábia decisão: depois de quatro horas funcionando, o pisca-alerta arriou a bateria. O cara teve que fazer a proverbial chupeta.

Assim, QUATRO HORAS DEPOIS de ter parado no acostamento, conseguimos partir.

E este foi o nosso natal. Vardomiro é pouco.

Pra finalizar o post, fico com uma citação de Sheldon Cooper, do The Big Bang Theory: "Esta é Penny, que aparentemente desconhece o papel do combustível em um motor de explosão interna."

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