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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Di Vasca

Eu nunca deixo de me surpreender com a quantidade de gente sem-noção que existe. Noção é um artigo tão raro que eu já concluí que o sem-noção, na verdade, sou eu. Estatisticamente falando, pelo menos.

Há vários tipos de sem-noção, mas uma categoria especialmente perniciosa é aquela que acha que só ela trabalha em todo o universo, e o peso de toda a sociedade verga sua coluna. Sim, para este joselito, nada do que os outros fazem tem valor. Só respeita trabalhadores braçais, até porque dizer pra um cara que tem por profissão carregar cem quilos de cimento nas costas que ele é um à-toa não é lógico e nem faz bem aos dentes.

Alguns defendem a categoria toda (vide ato médico, p. ex.), como se fazer parte daquela classe profissional os colocassem em algum tipo de elite. Mas há aqueles que nem a seus pares enxergam. Só eles trabalham em todo o universo. 

Muitos chefes são assim, inclusive o meu. Por isso é que acabo tendo que fazer muito serviço inútil, simplesmente porque ele quer daquele jeito, e foda-me, não é ele que vai executar. Além disso, ele passa um caminhão de trabalho burocrático tedioso e trabalhoso, planilhas cheias de detalhezinhos que, ao modificar uma letra, ferra toda a listagem. Daí, no meio da execução ele me chama pra vistoriar algo no pátio e, assim que volto, ele pergunta se o primeiro trabalho já está pronto. O que é isto? Simples: ele considera que trabalho feito sentado na salinha com ar condicionado, em frente a uma tela de computador, não é trabalho. Faz-se sozinho.

Uma classe de profissionais que enfrenta sistematicamente este tipo de problema são os artistas: músicos, desenhistas, designers, etc. Não vou ficar discutindo aqui as categorias mais mal valorizadas no país, isso é assunto pra mais de quilômetro. Mas os desenhistas, mais especificamente, lidam diariamente com o fato de que as pessoas consideram que fazem aquilo por hobby. Sim, é fato que muita gente desenha por hobby, eu mesmo sou um. Mas convenhamos: ninguém (ou uma minoria, né. Estamos falando de sem-noção, e já aprendi a não subestimar esta laia) pede que um dentista lhe faça uma extração de siso gratuitamente, ou espera que um pedreiro faça aquele muro da casa pro bono.

E, no entanto, o que mais tem é gente pra pedir desenhos de graça pra desenhistas. Pessoal, um toque: este é o trabalho deles. Claro, se eles quiserem fazer arte de graça, beleza. Assim como tem médico, advogado, dentista, etc, que realiza trabalhos por caridade, assim também o podem fazer os desenhistas. Mas eles vivem deste ofício. Desenhistas profissionais têm de fazer cursos, participar de oficinas e ralar pra divulgar o trabalho, como qualquer outro labor. Esperar que o cara gaste três ou quatro horas pra fazer uma arte a troco de um "muito obrigado" ou de simples divulgação? É ausência completa de noção.

Dentre minhas peregrinações por blogs de tirinhas, encontrei o blog do Di Vasca. E fiquei assombrado com a genialidade do cara.

Explico: o Luis trabalha com arte e design. E passa pelos perrengues descritos acima. Assumindo apenas pelo teor dos posts, concluo que ele é do tipo Saraiva: tolerância zero.

Mas ele foi além. Depois de tentar fazer um blog com arte que não foi pra frente (imagino que paciência não seja uma de suas virtudes), ele resolveu montar um site que conta das agruras que ele passa em sua profissão, e a forma com que lida com elas.

Ou seja: ele tinha vontade de mandar todos estes sem-noção à merda, mas provavelmente isto o faria perder muita clientela. O que ele fez? Montou um blog no qual ele expõe as respostas criativas que ele dá a estes sem-noção. Desta maneira, ele pode mandar o cara tomar naquela orifício, publicar e ainda ganhar dinheiro com isso!

Se você gosta de humor ácido e gente sendo zuada com estilo, ou simplesmente de um bom mal-feito, entra lá. Eu sei que EU dei muita risada... 


E aqui vai um link de um outro site que ilustra bem meu ponto sobre os sem-noção.

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