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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Regulando a mixaria

Peço licença ao mestre Di Vasca para utilizar-me do conceito do blog dele. Afinal, este blog começou "inspirado" por outro, nada inesperado que continue a se "inspirar" em blogs legais.


O conceito do saudoso Chacrinha parece também se aplicar à internet: "nada se cria, tudo se copia" (até porque, pensando bem, provavelmente ele também copiou o formato de algum outro lugar. hehehe...).

Transcrevo uma troca de e-mails entre meu setor e o administrativo de Jaú:

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Loop burocrático

Burocracia é um mal necessário. Não tem jeito, quem lida com dinheiro público precisa prestar contas. E quem precisa prestar contas, precisa registrar o que faz.

O problema é quando trocam a finalidade pela forma. É quando a burocracia deixa de ser um meio e passa a ser um fim em si.

E acontece muito.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Birthday

Hoje fazem exatos 24 anos desde que pedi à minha mãe pra não mais fazer festinha no ano seguinte.




Na verdade eu queria algum vídeo desta moça, mas não achei.



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Depilação

Hoje fui fazer depilação a laser.

Nos pelinhos do nariz!

Queima, dói pra caralho, lacrimeja o olho, e fica subindo cheiro de pêlo queimado o dia inteiro.

E serão três sessões!


¬¬

sábado, 21 de janeiro de 2012

Eu já sabia

O ser humano é um ser social. Por isso, solitário que ele goste de ser, sempre é bom quando um ser pensante de calibre tem uma opinião convergente com a sua.


Um exemplo disso é a Hillé Puonto, com seu Manual Prático de Bons Modos em Livrarias. Embora a escrita sem maiúsculas me dê um certo esgrízio (TOC? Não, que isso...), ela tem um estilo fantástico de contar histórias pelas quais passam os livreiros. É, parece que não tem uma profissão ilesa nesse país onde a valorização profissional é um atributo marcante. :P

Como não consigo linkar o post específico ao qual me refiro, colo abaixo o save screen do mesmo:


Confirmando o que eu já sabia: a Pepsi precisa de uma troca de slogan urgente.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Crusca

No post anterior eu comentei sobre o Manual Crusca de Economia em Combustível. Não, ninguém perguntou do que se tratava, os poucos leitores que acessam este blog já conhecem a história. Eu deixei o assunto propositadamente aberto pra dar deixa pro próximo post.

Crusca era um colega meu do mestrado, trabalhávamos no mesmo laboratório, com o mesmo orientador. Chegamos a morar na mesma república inclusive, por quase um ano. Faz um bom tempo que perdemos contato, mas ele era um cara muito bacana, me ajudou muito na época da conclusão da minha dissertação, quando eu trabalhava como professor de escola pública numa favela em São Paulo e mal tinha tempo pra preparar as aulas, provas, diários, etc.

Mas o homi era um pão-duro de marca maior. Muquiranagem era com ele mesmo. Tanto que, mesmo que a miséria que era a bolsa da CAPES, ele conseguiu comprar uma picape Corsa. A gasolina.

No estado de São Paulo álcool é bem mais barato que gasosa, quem tem carro Flex praticamente só coloca álcool. Pois bem, mas a picape do Crusca não era Flex. Quer dizer, não deveria ser. Mas, no fim, era. Crusca tinha o hábito de colocar "meio-a-meio" de gasolina e álcool. Entre aspas, porque essa "metade" era no quesito custo. E cinco reais de álcool dava, à época, o dobro do volume de cinco reais de gasolina.

Um dia, Crusca foi viajar pra sua cidade natal, Votuporanga. Já viciado pelo hábito, não teve dúvida: colocou os já usuais cinco mangos de gasolina, e completou com vinte mangos de álcool.

Obviamente que deu merda. Estourou a bomba de gasolina, que teve que ser trocada pela bagatela de 350 mangos.

Que beleza!

Claro que, chegando na república, recebeu a devida salva de palmas, e, pelo menos enquanto a república durou, era procurado com frequência pra dar dicas de Economia...

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Gasolina

Natal. Domingo. Sem folga no trabalho, a solução foi viajar pra casa da família no sábado e voltar no próprio domingo. 25 de dezembro. Natal.

Eu, a mulher e o cunhado, que também precisava trabalhar, pegamos a estrada ali por volta das cinco da tarde. Um quarto do tanque no mostrador. Sabe como é, combustível em Minas é caro, depois da fronteira o preço do álcool cai bastante, toca o carro. Manual Crusca de Economia em Combustível.

Saímos, ainda claro o dia. Três pessoas no carro, aquele blablablá. Passa Paraíso, passa Monte Santo, passa a fronteira... acende a luz da reserva! Putz, esqueci de ficar esperto com os postos.

É impressionante como os quilômetros ficam longos. Percorremos uns 450 quilômetros (assim me pareceu) e nada de posto.

Palma, palma, não priemos cânico! Tem um posto em Mococa! Vai dar pra chegar.

Logo depois da placa de "Chegando em Mococa", o tempo fechou. Começou a chover. Parecia que São Pedro tinha acumulado uns três meses de serviço, o Chefe descobriu, mandou resolver tudo até o fim do dia. E ele mandou ver. Não dava pra andar a mais de 30 por hora, com o pisca-alerta ligado, visibilidade 2%, por aí. Feia a coisa. Quando a chuva finalmente afinou, já tínhamos passado de Mococa. Mas não sabíamos disso.

Momento tenso: o motor perde a força. O acelerador não responde. A marcha começa a reclamar por uma redução. Não tem outra opção: encosto.

Mas não dá tempo nem de lamentar a burrice: a sorte, esta caprichosa, fez com que parássemos a uns cento e cinquenta metros de um posto de gasolina do outro lado da estrada!

Caprichosa e fanfarrona (ou seria fanfarrã? Ô linguinha complicada!). Enquanto Murphy ria-se litros no inferno, eu e meu cunhado atravessamos a estrada apenas para descobrir que o posto estava fechado: tinha sido interditado por adulteração de combustível.

Não é legal? Não sei o que seria pior: ele estar fechado ou aberto, de modo que eu pudesse abastecer meu carro com álcool misturado com benzeno e água, pra depois ferrar de vez com o motor.

Fomos até um daqueles orelhões do SOS da concessionária, mas não estava funcionando. Peguei o número e liguei do celular, atenderam. Registraram o quilômetro e a ocorrência. Pane seca.

Nesta hora de incerteza, o cérebro trabalha como nunca, e a imaginação flui solta. Lembrava de histórias sobre médicos que, em dias de movimento pesado, deixavam aqueles que se machucavam por burrice ou negligência pra atender depois de todas as outras emergências, e fazia o paralelo. Imaginava a conversa dos atendentes da concessionária: "Esqueceu de por gasolina? Então espera aí, seu mané. Huahuahauhua! (risada maligna de deboche)".

De qualquer modo, parece-me que eu não estava muito errado. Cinco ligações depois, chegou o guincho. E, como havia um outro motorista também parado próximo a nós (também com pane seca. Que povo burro que não abastece o carro antes de sair pra estrada é esse?), ele não nos rebocou ao posto: me levou até lá, depois me levou de volta ao carro com um galão de gasosa. Não deixei o senhor do guincho ir embora antes de nós, e foi uma sábia decisão: depois de quatro horas funcionando, o pisca-alerta arriou a bateria. O cara teve que fazer a proverbial chupeta.

Assim, QUATRO HORAS DEPOIS de ter parado no acostamento, conseguimos partir.

E este foi o nosso natal. Vardomiro é pouco.

Pra finalizar o post, fico com uma citação de Sheldon Cooper, do The Big Bang Theory: "Esta é Penny, que aparentemente desconhece o papel do combustível em um motor de explosão interna."

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Brilhantismo

Muita gente considera a história da eleição do chefe dos órgãos uma piada. Eu não. Pra mim, ela é uma verdadeira parábola, um ensinamento, uma daquelas expressões que, em simples frases ou pequenos textos, carregam em si grande dose de sabedoria.

Onde eu trabalho há uma parada coletiva de fim de ano que vai do dia 20 de dezembro ao dia 6 de janeiro (lógico que é do ano seguinte, seu pleonástico. Aliás, pros chatos: do ano subsequente). Este ano, correspondeu quase que exatamente a três semanas.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Fala logo, carai!

Eu tenho medo de ser promovido. Aliás, a idéia não me atrai nem um pouco. Meu trabalho é chato e tedioso, e virar chefe significaria ter que coordenar o trabalho chato e tedioso de um monte de gente, sem ganhar tão a mais assim pra isso.

Aliás, que impulso estranho este que nos impele a uma hierarquia? É sempre assim: basta existir mais de um tipo de alguma coisa, e já querem ordenar de alguma forma. A idéia de cooperação, de divisão de trabalho, embora seja responsável pelo sucesso relativo da espécie humana, é um conceito estranho mesmo a mentes supraordinárias.


sábado, 14 de janeiro de 2012

Bambambices

O lugar onde trabalho segue um estratificado processo para fornecer material aos setores que deles necessitam: o supervisor local encaminha o pedido ao diretor local de almoxarifado, que por sua vez encaminha ao meu setor. Assim que recebemos, enviamos para aprovação da diretoria local, subordinada diretamente da diretoria administrativa geral. O material só sai com autorização expressa.

Inclusive para setores do mesmo edifício.

Material que envolve layout então, é ainda pior: antes de passar por nós, o pedido deve ser avaliado pela engenharia, que deve analisar uma série de normas legais e internas a respeito da estrutura do prédio, acessibilidade, etc.

Pois hoje chegou um pedido estranho via sistema. Seguindo a rota da solicitação, deu pra ver os tortuosos caminhos que ele percorreu: há alguns dias, uma das bambambam da empresa enviou para nós um pedido de mesas de apoio para a papelada de seus setores subordinados, diretamente para nós. A solicitação foi devolvida, com polidas explicações de que estávamos presos às resoluções internas, que determinavam os passos do pedido. Meu chefe não tem autoridade para atender daquela forma, ainda que fosse um pedido da presidenta.

Entretanto, alguns dias depois o pedido vem, não do almoxarifado local, muito menos da engenharia: vem direto do Diretor Geral, que até merece umas letras maiúsculas. A bambambam passou por cima de todos os procedimentos, foi direto ao chefão e determinou que fosse atendido. E o dito, único que poderia dizer um não direto e seco à solicitação... mandou atender àquela merda.

Parece besteira, mas vocês não têm idéia do B.O. que é quando algum procedimento falha. Há alguns dias meu chefe correu reais riscos de ser substituído devido a umas exceções que ele abriu a contragosto, há alguns anos, em virtude da completa urgência da situação.

E o detalhe mais interessante: no pedido não estavam especificadas quantas mesas ela precisava! Autorizar umas coisa assim é como assinar um cheque em branco: se ela pedir todas as mesas do estoque, vamos mandar pra lá e acabou.

Por essas e outras é que é difícil respeitar chefe. Falam grosso pra cima dos funcionários, mas na hora que a coisa aperta, são um bando de cagões.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Sobre o "Manual de Convivência com Vegetarianos"

1º – Não pense que os vegetarianos são espartanos que se alimentam de cenouras cruas e brotos de feijão.

A pergunta que mais ouço é “O que você come?”

Esta me deixa desconcertada; o que pode responder uma pessoa que tem uma dieta razoavelmente variada? Eu como espaguete, refogados, humus, cozidos, sorvete de framboesa, minestrone, saladas, burritos de feijão, bolo de gengibre, lentilha, lasanha, espetinhos de tofu, waffles, hambúrgueres vegetarianos, alcachofras, tacos, bagels, arroz com açafrão, musselina de limão, risoto de cogumelos silvestres — o que você come?

Não me venha com papo de que comer algo que tenha “rosto” é coisa de bárbaro desalmado.

Decidiu não mais comer carne? Escolha sua, problema seu. Mas respeite o fato de que comer carne é um ato cotidiano e comum, e não preciso de nenhum xiita defensor dos animais criados em cativeiro com único objetivo de alimentar pra me encher o saco enquanto como meu bife.

2º – Aprenda um pouco de biologia.

Eu ainda não sei bem o que fazer com pessoas que são inteligentes sob outros aspectos mas acham que uma galinha não é um animal. Só para constar, vegetarianismo significa não consumir carne vermelha, aves, ou peixe — nada que tenha um rosto. Já perdi a conta das vezes em que garçons sugeriram um prato de frutos do mar como entrada “vegetariana”.

Já perdi a conta de quantas vezes ouvi a bobagem de “eu não me alimento de seres vivos”. A não ser que você seja uma bactéria quimiossintética que vive nas crateras vulcânicas abissais oceânicas, ou faça fotossíntese, alimentar-se de outros seres vivos é pré-requisito pra manutenção da vida. Ou você acha que vegetal não é ser vivo só porque não tem olhos ou um sistema nervoso?

Segundo meu ponto de vista, que tende a ser bastante biológico devido a minha formação, ser vivo é ser vivo e pronto. Todos ocupam seus lugares no bioma, e todos merecem igual respeito. Da minúscula bactéria à colossal sequóia. Entretanto, a natureza não funciona de forma a preservar tudo. Seres vivos comem seres vivos, e isso é parte do ciclo.

Pra mim, é muito mais ultrajante arrancar as flores de uma planta (que são seus órgãos sexuais) simplesmente porque são bonitas, que comer animais. Afinal de contas, se alguém propusesse arrancar o saco do seu cachorro pra enfeitar a sala, isso te deixaria ultrajado, não?

Aliás, o problema é esse: antropomorfização. Cachorro, galinha, peixe, são vertebrados, são evolutiva e estruturalmente mais próximos aos humanos, e isso faz com que nos apeguemos à semelhança. Normal, eu mesmo tenho um gatinho em casa. Mas, no MEU entender, se é pra preservar indiscriminadamente a vida, então vamos viver de lamber pedra.

3º – Principalmente se as pessoas forem vegetarianas por razões éticas, não julgue que elas não se importarão com “só um pouquinho” de carne em sua refeição.

Você aceitaria “só um pouquinho” de seu gato, ou “um bocadinho” do Tio Jim em sua sopa?

Não me venha com lição de ética.

O que é ou não ético em relação a outras espécies é um assunto bastante discutível. Embora seja contra a crueldade gratuita contra animais, ELES NÃO SÃO SERES HUMANOS. Ou seja, não são sencientes, não possuem ética própria (experimente argumentar com um touro furioso sobre a ética de ele te chifrar ou não) e não são beneficiados pela Declaração Universal dos Direitos do Homem. Se você tem opiniões fortes sobre o assunto, é seu direito tê-las e expressá-las, como é meu direito discordar delas. Respeitemos nosso direito mútuo.

4º – Deixe de fazer lobby para a indústria da carne.

Parece que os “não-vegetarianos” pensam que os vegetarianos são como as pessoas que fazem regime e que nós queremos trapacear de vez em quando.

Meu pai tem certeza de que se ele conseguir me convencer que sua carne enlatada é uma delícia, eu vou ceder e comê-la. Amigos tentam me fazer experimentar “só um pedacinho” de qualquer prato com carne que eles estejam comendo, partindo da premissa de que é tão bom que é impossível que eu recuse. Há vezes em que penso que os “não-vegetarianos” aprenderam a fazer pressão com os caras malvados dos filmes anti-drogas que nós assistíamos no ginásio. Ouçam bem: não precisam insistir dizendo que é “ótimo”, nós não vamos comer.

Pare com o pseudo-comunismo ideológico, porque ele não funciona.

Lobby para indústria da carne de cu é rola. Não ganho um centavo de royalties por nenhum grama de produto animal vendido. Entenda o seguinte: para a maioria das pessoas, pratos ditos vegetarianos simplesmente não são saborosos. Então, embora eu concorde que é um desrespeito insistir para que você coma carne, é um desrespeito de igual gramatura insistir pra que eu coma moqueca de berinjela.

5º – Quando um vegetariano fica doente, não diga a ele ou a ela que está desnutrido.


Dos comentários que ouvi quando tive gripe, vocês pensariam que os “não-vegetarianos” nunca ficam doentes. Quando eu fico doente, tem sempre alguém esperando para me dizer que é por causa da minha dieta. Na verdade, da mesma forma que existem “não-vegetarianos” saudáveis e doentes, há vegetarianos saudáveis e doentes. (Por falar nisso, estudos demonstraram que os vegetarianos tem o sistema imunológico mais resistente do que os “não-vegetarianos”.)

Quando um não-vegetariano fica doente ou são, não diga a ele ou a ela que precisa ter uma alimentação saudável.



Pra cada estudo dizendo que comer carne faz mal, tem um dizendo que não comer carne também. Na verdade, a pesquisa na área de nutrição é bastante imprecisa, pois é quase impossível fazer uma amostragem que elimine outros fatores na constituição do grupo de teste e do grupo controle. Por isso que todos os “fatos” sobre alimentação vivem mudando: ontem o sal era o vilão, hoje ficar sem sal é prejudicial; ontem, comer ovo era pecado que condenava ao inferno, hoje quem não come perde três anos na expectativa de vida. Alimentar-se saudavelmente é alimentar-se com moderação e variedade.

6º – Quando estiverem em um restaurante com um vegetariano, tenham paciência — comer fora pode ser um desafio mesmo para o mais consumado vegetariano.


Apesar da aceitação em voga da dieta à base de vegetais, a maior parte dos cardápios de restaurantes ainda está repleta de produtos animais.

Alguns restaurantes parecem não ter nada a não ser carne em seus cardápios; mesmo as saladas têm ovos ou frango! Não reclamem se seus esforços para determinar os ingredientes exatos do minestrone parecerem paranóia; a experiência nos ensinou que esses interrogatórios à mesa são necessários. Após anos interrogando garçons e garçonetes, descobri que itens descritos como vegetarianos muitas vezes contém caldo de galinha, banha, ovos, ou outros ingredientes animais.

7º – Não façam caretas para nossos alimentos.


Antes de torcerem o nariz para meu cachorro-quente de soja ou para o tofu, pensem naquilo que vocês estão comendo. Só porque se alimentar de animais é amplamente aceito, isso não significa que não seja uma grosseria.

Este conselho vale pra ambos. Afinal de contas, comer é uma necessidade biológica; no entanto, o que se come é um fator cultural. Comer em um país diferente, especialmente se for um muito distante culturalmente do seu, será uma experiência que pode chegar a revirar o estômago. E, mesmo assim, parece bem óbvio que revirar os olhos e fazer cara de nojo será uma grosseria e falta de noção. Vegetarianismo também é questão cultural. Tem nojo de carne? Realmente, não é problema meu. Se quer ser respeitado, respeite.

8º – Percebam que nós provavelmente já ouvimos isso antes.


Uma das coisas mais engraçadas sobre ser veg é a pessoa que tem certeza de ter o argumento que vai mudar minha maneira de pensar. Quase que invariavelmente vêem como uma destas jóias:
(a) “Animais comem outros animais, portanto porque os seres humanos não o fariam?” (Resposta: A maior parte dos animais que mata para se alimentar não sobreviveria se não o fizesse. Esse obviamente não é o caso com os seres humanos. E desde quando usamos os animais como exemplo de comportamento?)
(b) “Nossos ancestrais comiam carne.” (Resposta: Talvez — mas eles também moravam em cavernas, conversavam aos grunhidos, e tinham escolhas muito limitadas de estilo de vida. Supõe-se que nós já tenhamos evoluído desde aquela época.)

Percebam que não queremos ouvir suas preleções sobre ética.

Sinceramente, nada tenho contra vegetarianos. O problema são aqueles que não conseguem simplesmente ser vegetarianos; antes, atuam como profetas angariando fiéis para a causa. Mais ou menos como os Testemunhas de Jeová: ninguém se importa com o que eles acreditam, pregam ou cultuam. O problema é quando eles se sentem no direito de invadir a sua privacidade em horários impróprios para tentarem impor aquilo que é de sua crença.

Se você tem mesmo convicção de algo, não precisa que outros concordem com você pra validar sua opção.

9º – Apesar da opinião popular, vocês não têm o direito de esperar que os vegetarianos transijam convicções pessoais em nome da “cortesia”.



Pessoas que nunca sonhariam em convidar um alcoólatra recuperado para experimentar sua vodca preferida, ou em querer que alguém que levasse uma vida kosher aceitasse um pouco de bacon, acham perfeitamente razoável esperar que eu coma o bolo de carne da tia Maria porque eu o adorava quando criança e ela ficaria muito ofendida se eu não aceitasse um pouco agora.

Idem ibidem. Isso me lembra um caso: minha prima foi se casar, e a cerimônia e festa seriam pagos todos pelo pai dela. Toda a família seria convidada. O problema é que, devido a convicções religiosas, ela não bebe e, assim, proibiu que fossem servidas bebidas alcoólicas no dia. O pai dela então disse: “Tudo bem. Você escolhe a festa, você paga a festa. Eu sei é que não vou obrigar a minha família a permanecer quatro horas numa recepção sem uma cerveja só porque VOCÊ não quer beber.

No fim, teve cerveja na festa. As pessoas se divertiram, e ela continuou não bebendo.

Pessoas abstêmias (de qualquer coisa) tendem a pensar que apenas elas fazem as coisas por convicção pessoal. Mas não se abster é um posicionamento também, e seu peso não pode ser medido à contrapartida. Eu, por exemplo, ouvi todos os argumentos dos vegetarianos e decidi, ativamente, comer carne.



Quem está na chuva, é pra se molhar. Se você vai à casa de um vegetariano, não deve esperar sobremaneira que ele sirva uma picanha mal-passada apenas em consideração à sua preferência. Mas é igualmente ultrajante esperar que eu coma tofu ou hambúrguer de soja só pra agradar. Entendo sua objeção, mas acredite: sua convicção não é mais forte do que a minha.

Em tempo: não bebo.

10º – Parem de dizer que os seres humanos “precisam” comer carne;

Nós somos a prova viva de que não precisam.

Pessoas que sob outros aspectos respeitam minha capacidade de me cuidar recusam-se a acreditar que não tomei a decisão de me tornar vegetariana impulsivamente. Eu fiz muita pesquisa sobre o vegetarianismo — provavelmente mais do que vocês fizeram sobre dieta e nutrição — e estou confiante da escolha que fiz.

Vocês conhecem os estudos que demonstram que os “não-vegetarianos” tem duas vezes mais possibilidade de morrer de problemas cardíacos, 60% mais chance de morrer de câncer e 30% a mais de possibilidade de morrer de outras doenças? Eu não estaria comendo desta maneira se uma extensa pesquisa não tivesse me convencido de que o vegetarianismo é mais saudável e mais ético do que comer carne; uma pergunta mais pertinente seria se você pode justificar a sua dieta.”

Então parem com a argumentação biológica. Um dos estandartes dos defensores do vegetarianismo enquanto meio de vida é a incapacidade do sistema digestório humano de processar carne propriamente. Falam em odores e putrefação como se, no caso dos vegetais, isso não acontecesse. Quase defendem a alimentação de vegetais como algo espiritual, evoluído, sublime. E, no popular: no fim, é tudo a mesma merda.

Então, como eu disse anteriormente, pare com o papo doutrinário. Eu não preciso justificar minha dieta, pra vegetarianos, vegans ou pro papa. "Vegetarianismo = mais ético" é um conceito completamente pessoal seu, conheço um vegetariano que não come carne por "ética", mas que é um grandecíssimo de um filho de uma puta. Então, não generalize. É tão chato conviver com alguém tentando te convencer a ser vegetariano quanto com alguém tentando te convencer a comer carne.

No fim, todos estes quesitos, tanto deste manual quanto das minhas respostas, podem se resumir ao seguinte: respeite a opção do próximo.


Pra quem tem um pouco de bom humor: Contratempos Modernos.


Pra quem tem muito bom humor: Mundo Canibal.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Di Vasca

Eu nunca deixo de me surpreender com a quantidade de gente sem-noção que existe. Noção é um artigo tão raro que eu já concluí que o sem-noção, na verdade, sou eu. Estatisticamente falando, pelo menos.

Há vários tipos de sem-noção, mas uma categoria especialmente perniciosa é aquela que acha que só ela trabalha em todo o universo, e o peso de toda a sociedade verga sua coluna. Sim, para este joselito, nada do que os outros fazem tem valor. Só respeita trabalhadores braçais, até porque dizer pra um cara que tem por profissão carregar cem quilos de cimento nas costas que ele é um à-toa não é lógico e nem faz bem aos dentes.

Alguns defendem a categoria toda (vide ato médico, p. ex.), como se fazer parte daquela classe profissional os colocassem em algum tipo de elite. Mas há aqueles que nem a seus pares enxergam. Só eles trabalham em todo o universo. 

Muitos chefes são assim, inclusive o meu. Por isso é que acabo tendo que fazer muito serviço inútil, simplesmente porque ele quer daquele jeito, e foda-me, não é ele que vai executar. Além disso, ele passa um caminhão de trabalho burocrático tedioso e trabalhoso, planilhas cheias de detalhezinhos que, ao modificar uma letra, ferra toda a listagem. Daí, no meio da execução ele me chama pra vistoriar algo no pátio e, assim que volto, ele pergunta se o primeiro trabalho já está pronto. O que é isto? Simples: ele considera que trabalho feito sentado na salinha com ar condicionado, em frente a uma tela de computador, não é trabalho. Faz-se sozinho.

Uma classe de profissionais que enfrenta sistematicamente este tipo de problema são os artistas: músicos, desenhistas, designers, etc. Não vou ficar discutindo aqui as categorias mais mal valorizadas no país, isso é assunto pra mais de quilômetro. Mas os desenhistas, mais especificamente, lidam diariamente com o fato de que as pessoas consideram que fazem aquilo por hobby. Sim, é fato que muita gente desenha por hobby, eu mesmo sou um. Mas convenhamos: ninguém (ou uma minoria, né. Estamos falando de sem-noção, e já aprendi a não subestimar esta laia) pede que um dentista lhe faça uma extração de siso gratuitamente, ou espera que um pedreiro faça aquele muro da casa pro bono.

E, no entanto, o que mais tem é gente pra pedir desenhos de graça pra desenhistas. Pessoal, um toque: este é o trabalho deles. Claro, se eles quiserem fazer arte de graça, beleza. Assim como tem médico, advogado, dentista, etc, que realiza trabalhos por caridade, assim também o podem fazer os desenhistas. Mas eles vivem deste ofício. Desenhistas profissionais têm de fazer cursos, participar de oficinas e ralar pra divulgar o trabalho, como qualquer outro labor. Esperar que o cara gaste três ou quatro horas pra fazer uma arte a troco de um "muito obrigado" ou de simples divulgação? É ausência completa de noção.

Dentre minhas peregrinações por blogs de tirinhas, encontrei o blog do Di Vasca. E fiquei assombrado com a genialidade do cara.

Explico: o Luis trabalha com arte e design. E passa pelos perrengues descritos acima. Assumindo apenas pelo teor dos posts, concluo que ele é do tipo Saraiva: tolerância zero.

Mas ele foi além. Depois de tentar fazer um blog com arte que não foi pra frente (imagino que paciência não seja uma de suas virtudes), ele resolveu montar um site que conta das agruras que ele passa em sua profissão, e a forma com que lida com elas.

Ou seja: ele tinha vontade de mandar todos estes sem-noção à merda, mas provavelmente isto o faria perder muita clientela. O que ele fez? Montou um blog no qual ele expõe as respostas criativas que ele dá a estes sem-noção. Desta maneira, ele pode mandar o cara tomar naquela orifício, publicar e ainda ganhar dinheiro com isso!

Se você gosta de humor ácido e gente sendo zuada com estilo, ou simplesmente de um bom mal-feito, entra lá. Eu sei que EU dei muita risada... 


E aqui vai um link de um outro site que ilustra bem meu ponto sobre os sem-noção.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Hulk

Comprei uma mesa digitalizadora... e sabe que até que ela é legalzinha?


Elevador

Morar em condomínio é um constante convite a situações inusitadas.

Por exemplo: por trabalhar no setor de armazenamento de material, que tem mais poeira que na tumba do Senhor de Sipán (vai pesquisar no Google, safado), eu mandei confeccionar para mim dois macacões azuis, inteiriços, tipo mecânico. A roupa fica no trabalho, eu a mantenho lá para não levar pó pra casa.

Ontem, a presidente da Comissão Anual de Inventário de Material Permanente (falaremos disso mais adiante) ficou me enrolando vinte minutos depois do meu horário. Como era dia de levar o macacão pra lavar, pra poupar tempo eu voltei pra casa vestido assim mesmo.

Justamente neste dia, no elevador da garagem para o meu andar, estava a síndica do prédio, que não é exatamente conhecida por sua discrição. No entanto, comigo ela não costuma tirar farinha, acho que deve ser minha cara de cachorro doido. Porém, vendo-me vestido daquela maneira tão proletária, não resistiu em iniciar um colóquio:

Síndica: - Oi, tudo bem?
Eu: - Bom dia, dona Dilma.
S: - Você está de férias?
E: - (?) Não, voltei a trabalhar hoje.
S: - E onde você trabalha?
E: - Na Justiça Federal.
S: - (?!?)
S: - Ah... mas é aqui pertinho?
E: - ¬¬ Não, tanto que tenho que ir de carro. (Duh!)

A melhor parte dessa conversa é que ela deve ter interpretado como má resposta minha. Mais ou menos quando, ao ser perguntado "o que você foi fazer na farmácia?", a pessoa responde "comprar carne pro churrasco, oras."

Hehehe...

domingo, 8 de janeiro de 2012

Kids

Avião para Chiclayo, Peru. Clima quente, avião pequeno e apertado, cada fileira com apenas duas poltronas.

Na fileira oposta, um banco à frente, um moleque de seus quatro ou cinco anos faz uma birra. E, como se sabe, a principal característica de uma birra é que ela é barulhenta. Afinal, só serve pra chamar a atenção, ou para incomodar até que lhe seja dado o que quer.

O que mais chamou a atenção, entretanto, não foi a barulheira que nos induzia a procurar as saídas de emergência (pra jogar o moleque e a mãe, não pra pular). Foi o fato de que o menino se comportava como um bebê. Ou, ao menos, como uma criança bem mais nova que ele era. Claro, ele podia ter algum tipo de deficiência mental. Mas segundo pude observar, estava mais para deficiência parental.

Os pais simplesmente ignoravam o moleque. E quanto mais ignorado, mais alto ele gritava. Claro, alguém pode argumentar que ignorar é uma técnica válida para lidar com birra (se for por atenção). E eu replicaria: é uma técnica válida NA SUA CASA. Em local público, sair com criança birrenta deveria ser proibido por lei.

Desde que fui professor, desenvolvi uma teoria que, ao menos hipoteticamente, poderia tornar o mundo um lugar muito melhor para todos nós: a Licença Procriação.

Vejamos antes alguns aspectos da questão educacional.

A começar, a maturidade sexual humana ocorre em dois estágios: o físico e o psicológico. E estes estão separados por anos. Pior: à medida que a sociedade evolui, a distância temporal aumenta: as crianças estão se sexualizando mais cedo e tornando-se adultas mais tarde. Isto posto, parece óbvio que se aumente cada vez mais o número de nascimentos indevidos. Por "indevidos" entenda-se: indesejados e rejeitados posterioremente à notícia.

Além disso, aparentemente uma característica tipicamente brasileira (não falarei de outros lugares que não conheço, mas me parece ser um problema ultra-nacional) finalmente alcançou a educação familiar: responsabilidade. Ou, mais precisamente, a ânsia em livrar-se dela. Pessoas não se preocupam em resolver os problemas; antes, estão mais preocupadas em achar em quem jogar a culpa. Junte-se isto à inadequação de boa parte dos pais, e temos uma legião de pequenos regentes ocupando as escolas, suportados por pais que exigem que os professores façam, em cinquenta minutos, com quarenta e cinco alunos, o que não conseguem fazer em casa, com apenas um e em tempo integral.

Chegaram até a transformar em lei: proibiram a palmada. É uma chancela legal aos pais relapsos. "Não posso fazer nada a respeito, o governo me proibiu de educar meu filhos".

Agora, todas as atividades humanas que são potencialmente danosas a outros indivíduos sofrem algum tipo de regulação social. Para dirigir um veículo, é necessário fazer um exame de direção e obter a CNH, por exemplo. E eu diria que não há atividade mais potencialmente perigosa à sociedade que a procriação.

Por isso mesmo, eu defendo o seguinte: deveria ser necessária permissão governamental (enquanto representante legítimo da sociedade) para procriar. Isso mesmo: para poder ter filhos, as pessoas deveriam ter que provar à sociedade que eles serão potenciais aditivos, e não um peso.

Para isto, seria preparada uma série de testes físicos, psicológicos, sócio-econômicos e quaisquer outros que um possa achar necessários. Ser reprovado em um destes testes resultaria em esterilização compulsória.

Nazista? Sim, entendo que é. E também uma situação ideal e, portanto, impossível. Mas se tivesse que optar por uma destas, preferiria aquela em que os adolescentes fossem responsáveis e usassem camisinha, e os pais fossem responsáveis e educassem seus filhos, ensinando valores e preparando-os para uma vida em sociedade como cidadãos conscientes e produtivos. Mas acho isto ainda mais impossível que a minha hipótese.

Por isso, cheguei a um ponto menos impossível, mas que exigiria uma mudança de postura governamental: operações de esterilização gratuitas. Sim, aquele que tomasse a sábia e responsável decisão de não ter filhos deveria ser premiado. Ou, ao menos, ver facilitados os meios para cumprir sua determinação. Isto indepentente de idade, sexo ou condição social.

Arrependimento? Ainda acho menos danoso á sociedade o arrependimento de não poder colocar um filho no mundo do que o de ter colocado e agora não querer arcar com isto. Filho é um compromisso pra toda a vida, afinal de contas, e é ainda menos reversível que uma vasectomia ou laqueadura. Além do quê, com a atual evolução do conceito de família (já não era sem tempo), convenhamos: é melhor que o arrependido cuide de uma criança indesejada por outrem do que arriscar a procriar mais uma para aumentar o problema.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Mach 3

O universo é um lugar complexo de estudar. Embora possamos contar que as leis naturais mantenham-se constantes, não raro elas se apresentam de forma incompreensível, exigindo um grau de abstração tão grande que se cria um verdadeiro abismo entre os capazes de aprofundar-se nos meandros da Física e os incapazes.

E mesmo assim, penso que Einstein ou Bohr teriam dificuldades para explicar algumas coisas da vida cotidiana. Por exemplo: no Peru, uma caixa de Mach 3 com quatro lâminas custa 18 soles, algo em torno de 12,50 reais. No Brasil, não é menos de 20 reais.

O problema é que esta lâmina de barbear, aqui no Peru, trata-se de um artigo importado... do Brasil!

Com uma diferença de preços dessa, seria possível viver de vir ao Peru, comprar (material fabricado no Brasil, friso) no varejo e revender no país de origem.

Quatro anos para formar um economista é muito pouco tempo. Até porque, economista de verdade é aquele que tem poderes mediúnicos.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Grude

Já falei aqui antes: praticamente não assisto à televisão.

Mas de vez em quando, acompanho a esposa na morgagem do fim de semana, mais pra ficar aconchegado que pra assistir mesmo. Além disso, em casa se come na sala, com a telinha ligada. E, mais raramente, dá uma vontade irresistível de fazer nada, daí eu deito no sofá e assisto.

Eu e a patroa diferimos muito no comportamento diante da TV. Como em casa de aquela NET que permite que vejamos uma legenda com a programação de cada canal antes de trocar, é assim que eu zapeio: vou olhando as prévias, e quando vejo algo que me interessa, mudo. E fico até dar no saco, recomeçando o processo.

Patrícia não, é zapeadora mais profissional: ela muda o canal pro mais alto, e vai descendo metodicamente.

Como eu nem gosto de televisão, e a maioria das coisas que eu assisto a fazem ficar com aquela cara de ¬¬, ela fica mais com o controle do que eu. E este zapeamento já nos permitiu tirar uma conclusão sobre TV: tem programa que gruda!

Quando estou sozinho, grudam na tela séries que eu gosto (Two and a Half Man, The Big Bang Theory, Law and Order SVU, etc), desenhos idiotas (Simpsons, Family Guy, Padrinhos Mágicos) e filmes que eu não só já vi, como tenho em DVD (pra tristeza da patroa).

Mas existe todo um nicho de programas que grudam apenas quando estou assistindo com a Patrícia.

Primeiro, os filmes: Notting Hill e Como se Fosse a Primeira Vez. É batata. Entre almoços e pizzas, já assistimos a cada um destes umas cinquenta vezes, somadas as horas, porque é raro pegar do começo. E, quase sempre, o filme vai até o final.

Já os programas, estes variam com o tempo. Se fosse pra categorizar, seriam programas semi-reality que falam de assuntos os quais nem eu, nem Patrícia dominamos.

O primeiro da lista foi o Queer Eye for the Straight Guy. Era um verdadeiro protetor do botão de canal. A partir daí, todos os programas foram comparados e ele.

O próximo Queer Eye foi Extreme Makeover - House Edition, acho que invocava em nós instintos primitivos de destruição ao ver as escavadeiras destruírem a casa toda fudida pra construir outra no lugar. Aliás, na verdade isso não é makeover nem aqui nem na China. Tá mais pra makeother.

Teve também a fase do Sexiest, programa do E! Entertainment que faz um ranking com top 10 de alguma categoria, algumas bem bizarras, como "modelos da Victoria Secret" ou "atores que trabalharam com Alfred Hitchcock". Mas não durou. Na maioria das categorias, as bichas comentaristas falavam como se conhecessem a pessoa desde a infância, enquanto nós ficávamos com aquela cara de "e esse aí é o famoso quem mesmo?". E, mesmo quando conhecíamos as personalidades, costumávamos ficar frustrados com o resultado.

Kate Hudson não é a loira mais sexy nem no bairro dela, e isso porque não sei onde ela mora. E Paris Hilton é tão sexy quanto um manequim de loja sem a peruca. (embora na semana passada a eleita foi a Sofia Vergara, eleição com a qual fui obrigado a concordar...)

Tudo isso pra dizer que a bola-da-vez, além do Bradley Cooper, é o Kitchen Nightmare. Eu gosto do programa, embora ache bizarro os caras estarem na lama, chamarem um renomado cozinheiro pra consertar as coisas e depois ficarem brigando com ele por não gostarem das sugestões. Mas esse nome me deu uma idéia de ilustração, que eu queria postar no blog.

É isso mesmo: este post é apenas uma desculpa esfarrapada.


KITCHEN NIGHTMARE