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terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Vardomirinhos

Algumas pessoas manifestam o vardomirismo desde a mais tenra idade. E quem tem criança na família sabe: do nada pode vir uma pérola.

> Pessoal da família tem mania de absorver termos usados pelas crianças quando estão aprendendo a falar. Por exemplo, "osco", que minha prima Marina usava para se referir a óculos. Um dia, ela chegou com um par de óculos de sol gigante, cabiam duas cabeças dela. Caí na bobeira de elogiar: "Nossa, mas que 'osco' mais bonito!!...". Ao que ela me corrigiu: "Ó-Côs!!"


> Ciúme corre é nas artérias e veias da família. Ainda antes de meu primo Marcelinho completar dois anos, minha irmã levou seu então namorado em casa. Marcelo não se fez de rogado: fechou a cara no semblante mais rabugento que conseguiu, e ficou encarando o rapaz. Quando minha mãe perguntou o que ele tinha, ele respondeu: "Tô bravo. Tô muito bravo."

> Não subestime a capacidade de raciocínio das crianças. Em certa ocasião, Marcelo ouvira  minha mãe dizer que ela colocava sal na comida pro papá ficar gostoso. Num outro dia, ao provar de um suco de maracujá pra lá de azedo, ele sugeriu: "Tá uim. Põe tal."

> André, o filho mais novo da vizinha, afilhado dos meus pais, entrou em casa na hora da comida. Minha mãe o convidou a comer:

 - Ah, tem 'armoço' aí?
 - Não é 'armoço' que se fala, André.
 - Não? Então o que é? Janta?

> Pipa, meu primo Plínio, era conhecido por ser um pouquinho cabeça-dura. Só um pouquinho. Quando criança, ele era bastante ágil, e costumava subir em muros e árvores. Um dia ele escalou a parede vazada da garagem da casa da vovó. Um dos tios, não lembro qual, pediu pra ele descer:
 
 - Desce daí, Plínio, você vai acabar se machucando.
 - E num desço.
 - Desce Plínio, vem cá...
 - E num desço...
 - Plínio! vou ter que contar pro seu pai!
 - E num desço...
 - Aff, como você é teimoso! Tá bom então, fica aí!
 - E num fico...

E desceu do muro...

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