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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Mitômana

Já conheceu gente com mitomania?

E em quebra de paradigma, já ouviu falar?

Antes de mais nada, quero dizer que uso o termo "mitomania" de forma popularesca, pra designar aquelas pessoas que contam mentiras repetidamente. Não sei se elas têm mesmo a condição psiquiátrica indicada pela palavra. Até porque, como já disse em posts anteriores, sou contra essa tendência atual de colocar toda a responsabilidade no determinismo biológico.

O cara é um assassino? Ah, mas ele tem hipotireodismo originado de um microtumor nas suprarrenais que ocasionam injeções aleatórias de adrenalina, que por sua vez causam episódios de irritabilidade que podem resultar em explosões de violência.

Como diria o Fábio Rabin: "Vai dá o cu, mano. Só meia hora." Quem é doente tem que se tratar, e quem é ameaça à sociedade tem que ser excluído dela.

Isto posto, voltemos à conversa: quem mora em cidade pequena, certeza que conhece um mentiroso. Eu mesmo conheço uma pessoa que conta histórias mirabolantes, crente que tá todo mundo acreditando nela. Ela inventa viagens, relações próximas com celebridades, e mesmo diagnósticos médicos.

Mas esta merece um post à parte.

A história a que eu me refiro aconteceu na faculdade. E durou quase até o final dela, embora só nos tenhamos dado conta então.

Josefa, a Jô, era uma colega muito legal da minha turma: bonita, chamava bastante a atenção masculina (embora as roupas que ela usasse a ajudassem neste intento), meio cheinha, inteligente, divertida e engraçada. Tinha um bom dom da palavra, sempre inventava bordões e expressões que, no fim das contas, todo mundo acabava usando. Era uma companhia muito agradável, realmente.

Que tinha alguma coisa estranha com ela, todo mundo achava. As meninas argumentavam que as roupas que ela usava indicavam que ela era doida - ela chegou a ir à faculdade de camisolinha curta transparente! Eu não reclamava, claro, nem nenhum dos rapazes, mas as meninas achavam aquilo muito estranho. Outra mania maluca era a de animais de estimação: durante o tempo da faculdade ela teve três cachorros (sendo que um deles uma imensa fêmea preta da raça fila), três gatos, um pato, um pintinho, um aquário com caramujos, um ranário, outro aquário com peixinhos, dois hamsters e dois chinchilas. E uma boa parte destes bichos chegou a conviver ao mesmo tempo numa quitinete minúscula.

Mas ela tinha uma personalidade cativante, e (talvez até por isso) foi a manipuladora mais hábil que eu já conheci. Sim, pois os pretensos manipuladores (como meu chefe) costumam pavonear de forma a deixarem suas vítimas perceberem suas intenções, o que destrói a eficácia da tentativa. O bom manipulador é aquele que não deixa a pessoa perceber que ela está fazendo exatamente o que ele quer.

Outra das características marcantes da Jô eram suas histórias mirabolantes. Mas ela cuidava que elas ficassem no limiar da dúvida, não inacreditável a ponto de causar o descrédito geral, mas o suficiente pra prender a atenção do ouvinte. Uma delas disse respeito a uma outra colega de turma, a Mirella: no início da faculdade, os estudantes, na sua maioria de fora da cidade, ficavam em moradias provisórias; com o passar do primeiro mês, as pessoas iam se conhecendo e formando repúblicas. Assim foi com Jô e Mirella: foram morar juntas.

Passado pouco menos de ano, Mirella se muda da casa de forma repentina, e a amizade esfria. A alguns amigos mais próximos (a faculdade inteira), Josefa explica: Mirella tinha roubado diversos itens dela, das outras colegas de república (que eram de outro curso) e mesmo de familiares que estavam visitando a casa!

Foi um choque! Claro, descobrir que uma colega de turma é uma ladra é um fato assustador. Vai saber o passado da menina, vai saber o tipo de coisa que ela já pudesse ter feito? Na idéia do cidadão comum, quem comete um crime contumazmente, é capaz de cometer qualquer um.

Continua...

** Como estamos falando de algumas infrações do código penal, os nomes foram trocados.

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