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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Jornalismozinho

Minha mente funciona de uma maneira bem tortuosa. Só pra ilustrar com um exemplo: um dia, quando ainda morava em São Carlos, estava voltando pra casa quando pensei: "Puxa... aquela trilha sonora do O Corcunda de Notre Dame é boa mesmo, né." Chegando em casa, baixei a trilha, muito legal. Depois comprei o filme (na época, em cassete ainda) e fiquei ainda mais fã da música, agora inserida no contexto.

A questão é que eu tinha ouvido esta trilha uma única vez, havia uns três anos, apresentada pelo Anderson, lá em Itaú.

Pois hoje me ocorreu algo semelhante. Vinha eu divagando como sempre no caminho de casa quando me ocorreu uma coisa: como jornalismo de internet é mequetrefe.

Como é de conhecimento amplo, há uns meses o comediante Rafinha Bastos foi execrado pelos meios de comunicação por ter feito piada com a neta do Francisco, Wanessa Camargo, a mulher de vidro. Só não uso a palavra "palhaçada" porque os circenses são pra ser engraçados.

Debates sobre liberdade de expressão e humorfobia à parte, o que eu pensei de curioso dessa história foi a respeito desta reportagem.

Para você que está com preguiça de clicar no link, vou resumir a situação: no meio da polêmica do "como ela e o bebê", a Folha foi uma das que mais colocou lenha na fogueira. Participou ativamente da queima de bruxas, este que é um jornal tão ético (pfff). E, durante toda o perrengue, Rafinha em nenhum momento parou de fazer o que ele faz, de si mesmo ou dos outros: piada. A cada manifestação do humorista vinha uma porrada da mídia, Folha inclusa.

Pois bem: numa das últimas reportagens, a Folha o procura para pedir explicações uma piada que ele fizera em seu show particular (os caras tavam levando pro pessoal), sobre Nextel, traficantes e Fábio Assunção. E ele deu a seguinte resposta ao contato da reporter por e-mail: "Chupa o meu grosso e vascularizado cacete".

Em suma: ele deu a resposta que todos nós gostaríamos de ter dado, estivéssemos no lugar dele. Mas a questão aqui é o profissionalismo do jornalismo envolvido: eles achavam mesmo que, dentro do contexto, o Rafinha daria uma explicação da piada? E pra Folha?? Olha, é uma inocência do tipo que não combina com sensacionalismo. Ou será que eles pensavam ser tão poderosos que estavam em posição de exigir algum tipo de satisfação?

Eu até cheguei a pensar que eles estavam tentando manter a polêmica em andamento o maior tempo possível mas, lendo bem a matéria, ela tem um tom oscilando entre estar puto por ter sido desprezado e sem-graça por ter levado um "TOF!".

E a pior parte é: como eu conheço a resposta do Rafinha? Simples. A própria Folha o divulgou. Pois é, eles procuraram o cara, ele mandou um "chupa" e eles publicaram!

Eu não sei quanto a vocês, mas eu entendo isso como um tabloidismo que nunca antes havia sido atingido, nem pelo mais infame dos folhetins do Notícias Populares. Seria mais ou menos como se eu fosse um diretor de uma grande empresa e, tendo ligado pra um candidato pra dizer que a vaga é dele ouvisse como resposta, um sonoro "enfia a vaga no rabo". E, em vez de ficar puto em silêncio, publicasse a resposta num memorando dirigido a toda a empresa no dia seguinte.

Galhofa é pouco pra definir como esse assunto seria tratado pelo resto da empresa.

Não sei se foi falta de amor-próprio, de noção do ridículo ou se é gana por audiência a qualquer custo, tentando pegar carona na indignação Tang que eles mesmos tinham ajudado a criar, mas o fato é que achei de um chinfrismo acachapante.

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