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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Bucaina, o filho de Deus.

Fazendo tiras inspiradas na minha época de adolescência, acabo lembrando de passagens interessantes.

Fiz meu ensino médio no Colégio Tiradentes da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais. Ou CTPMMG. Sério o lance lá. Pelo menos era. Às sextas, saíamos pra marchar com os pelotões da PM, hastear bandeira e cantar os hinos Nacional, da Bandeira e do Colégio.

Isso mesmo, o colégio tinha um hino. Não lembro a letra toda, mas o refrão era assim:



"Salve, pois, oh colégio bendito
Sal do bem, semeador do que é puro
Em seu rumo que aponta o infinito
Nasce a luz que ilumina o futuro!"

Um must.

Boa parte dos alunos era filho ou parente de militar em algum grau. Quando sobravam vagas, eles abriam pra população civil através de um vestibulinho. Era o meu caso.

Apesar da qualidade do ensino ser alta (mais ainda se considerarmos que era uma escola pública), e da disciplina ser boa, os alunos que entravam por vestibulinho costumavam ser uns perturbados. Bons alunos, sim. Mas perturbados.

Eu lembrei hoje de uma passagem de um deles, o Marcelinho. Vulgo Wolverine. Vulgo lobisomem. Vulgo Bucaina.

Este último exige uma explicação: quando ele ficava estressado, ele fazia um movimento esquisito com a boca; como na época o povo da turma tinha o hábito de trocar as palavras por outras cujo início fosse a palavra desejada, ele pegou a alcunha de bocaina.

Bucaina é bocaina em mineirês. E não me pergunte o que é bocaina, que eu não sei.

Marcelo tinha uns lances estranhos. Ele lia sobre filosofia e tinha uns discursos cabeça, ainda mais pra época. E era absolutamente ateu. Não sei, mas concluir pelo ateísmo já adolescente, tendo criação religiosa, soa estranho pra mim.

Pois bem. Em certa ocasião fizemos um festa divertidíssima no sítio do então professor de Biologia. A propriedadezinha era tão top que nem energia elétrica tinha. Ficou bom durante o dia, mas ali pela hora do almoço o povo tava tão bêbado que nem se importava em entornar cerveja quente. Com o nível de álcool nas nuvens e o bom-senso entorpecido pela absoluta falta de entretenimento, a pegação rolou solta. Só não se deram bem os grandes peg-nings da sala: eu, Thiaguinho e, claro, Marcelinho.

Uma das meninas da turma já era então bem avançadinha pra idade, e resolveu ir um pouco além do beija-esfrega-passa-a-mão-na-bunda. Eles foram transar. Eles quem? Ela e mais quatro caras, vamos chamá-los assim: Shyriu, Hyoga, Shun (que não era bicha como o original) e... Bucaina. Porém, as condições da rocinha eram por demais precárias, e nem porta nem janela possuíam tramela ou gelosia. E, como eu havia dito antes, Bucs era como nós, um peg-ning. Já lá dentro, roupas sendo tiradas e partes sendo chupadas, é que Bucaina descobriu o que tinha ido fazer ali: eles tinham conseguido travar a porta com um ferro, mas precisavam de alguém pra segurar a janela.

Pobre Bucs.

Ali, vendo aquela agarração, aquela coisa toda, ele não tinha sangue de barata. E eis que ele solta uma pérola  com a qual seria zuado ainda mais uns três anos:

"Pô, deixa eu também. Eu também sou filho de Deus."

Pois é. Lembra-me a expressão que o Douglas usa muito quando descreve situações periclitantes: "Nessa hora eu vi ateu gritando 'Eu creio, eu creio!!"

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