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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Forga

Minas Gerais tem uns lances curiosos.

Por exemplo, um dia meu amigo Douglas me contou que tinha conseguido emprego numa faculdade no centro-leste de Minas. Perguntei onde, ele me disse o nome da cidade: Virginópolis.

Sério, existe mesmo! Pode olhar no Google Maps que tá lá!

E o pior foi o pagamento de língua: tanto zuei meu amigo que trabalhava em "Cabaçópolis" e, no fim, acabei tendo o mesmo destino, e virei professor na mesma FaFunQ* que ele... Falta de experiência e de pistolão é dose. :P

Virginópolis... esse nome deve ter sido dado por uma freira, claro, e bem inocente, pra achar que a gente o entenderia como sendo a "cidade da Virgem". Pelo tanto de tonta que tem por ali, acho que é a cidade das virgens. E, se você for lá, dá pra entender o porquê: nunca vi uma concentração tão grande da gays em uma cidade. O que é estranho, ainda mais numa cidade minúscula dessas. Afinal de contas, temos aquele estereótipo do mineiro tranquilo, comiqueto, mas machista até o osso, de dar tiro no amante e continuar com a mulher.

Outra grande marca do mineiro é a 'forga'.

Assim mesmo, com 'r', como se diz em 'Mins'.

Aliás, mineiro nem pode achar ruim de ter fama de sossegado, tranquilo... forgado, em suma. Uma vez, logo após ter começado a trabalhar justamente em Virginópolis, conheci o pessoal que dava aula no curso de História (Douglas é historiador), inclusive o Francis. Ele precisava ir de carro até Diamantina pra verificar uns arquivos pessoalmente, mas a situação pedia que ele fosse de carro. Como eu tinha o carro, mas não o conhecia ainda muito bem, não emprestei, mas dispus-me a levá-lo até lá.

Pros padrões mineiros, a estrada até que não era das piores, e tava bem vazia. Muito de vez em quando passava um carro no sentido oposto. Estava um calor do inferno, e um sol de rachar mamona. Em um certo momento, avistamos uma grande árvore na beira da pista, do lado esquerdo, que projetava uma boa sombra na estrada. Na sombra havia o que, a princípio, julguei ser algum animal atropelado.

À medida que nos aproximamos, pudemos ver o que estava caído: estatelados no chão estavam dois moleques cochilando. Sim, assim mesmo, naquela lua, dois meninos, sem camisa, deitadões com as costas no meio do asfalto, aproveitando o fresquinho da penumbra da árvore...

Perigo de passar um carro? Os carros que se explodam!

Ei, ai, viu? Te contá um negócio...

* FaFunQ: acrônimo para a maior de todas as redes de ensino superior particular do Brasil: Faculdades Fundo de Quintal.

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