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domingo, 30 de outubro de 2011

A namorada do primo do Mingall

"Seu burro. Mingau se escreve com 'u'!!"

Calma, leitor acólito do prof. Pasquale. O Mingall a que me refiro não é o prato cremoso, mas ao meu amigo Mingall. Na verdade, ao primo dele, com quem aconteceu uma das histórias de relacionamento mais bizarras que já ouvi.

Por que os dois "l"? Porque é característica de vardomiro. Veja, por exemplo, a Turma do Quiabo: Dougllas, Israell, Matells... tem dois "l" no nome, pode saber que coisa boa não é. No mínimo, baba. Resta saber onde que estão os "l" do Gustavinho, porque o Éder não precisa: o sobrenome Amorim já diz tudo (não se preocupe: você precisa ser de Itaú pra entender esta referência).

O tal primo, entretanto, não mora em Itaú, embora tenha suas raízes parentais lá. Mas contemos a história direito, pra não ficar sem pé nem cabeça.

Em 1999 entrou para o curso de Imagem e Som (não, não é um curso universitário de jogo de mímica) Leonardo*. Boa pinta, bem apessoado, e bixo**, não deu outra: já se engraçou com uma veterana, a Mara.

A coisa ia naquela enrolação, fica ali, fica aqui, vai-se levando.

Um dia, desembarca na rodoviária uma mulher misteriosa. Alta, bonita, bem vestida. Clara, ela se chamava, embora seus objetivos ainda fossem obscuros. Pega um táxi e parte para o câmpus da Federal de São Carlos.

Na faculdade, noite de sexta, rolava o Palquinho, um evento semanal em que tocavam bandas amadoras, alunos da própria faculdade e quem mais quisesse arranhar uma musiquinha. Dirigindo-se para lá, nossa misteriosa moça procura pelos alunos de Imagem e Som, os maiores frequentadores do dito evento. Encontra Marcos, com quem trava conhecimento: afirma ser a irmã de Leonardo, cuja chegada já deveria ser esperada pelo dito, mas havia levado um bolo, e que não tinha as chaves da casa nem o endereço do irmão. Marcos, na inocência, conta a ela o provável paradeiro do rapaz (a casa de Mara), e, solícito, oferece-se para levá-la até lá.

Chegando ao local, a moça toca a campainha insistentemente e, quando Leonardo a atende, tal qual Clark Kent ao adentrar a cabine telefônica, sua verdadeira identidade é revelada: a namorada dele. Ela tinha vindo a São Carlos justamente porque desconfiava que ele a traía, e agora estava determinada a tirar satisfações com quem quer que fosse.

Daí, a coisa foi colina abaixo. Ainda fora da casa, iniciou-se uma discussão violenta, com direito a chute na caminhonete (que amassou a lataria) e paulada na cabeça do moçoilo com um pedaço de galho que ali perto encontrava-se. Clara estava claramente (hehehe) descontrolada. Lá dentro, Mara e outras três colegas de república entreouvem a discussão e se apavoram: quem era aquela maluca? Namorada? Putaqueopariu...

Assustadas com a violência da discussão, entram todas num dos quartos da casa, e lá ficam de olhos arregalados, até que os sons da briga cessam. Antes que o alívio se instale, porém, outro som mais ameaçador é ouvido: a porta da sala abrindo. A moça entra procurando: "Cadê ela? Cadê ela?", vocifera. Sai procurando pelos cômodos. Quando entra num quarto que percebe ser o de Mara, começa a jogar as coisas no chão, computador, o diabo. Babando de fúria, ela finalmente descobre o quarto trancado e começa a bater na porta.

Enchendo-se de coragem, Mara decide que aquela palhaçada tinha que acabar. Estufa o peito,escancara a porta e dá de cara com a fera, pelo menos quinze centímetros mais alta, vermelha de raiva e com sangue nos zóio. A moça a encara e pergunta: "cadê ela?"

O instinto de sobrevivência faz maravilhas com o raciocínio. Mais rápido que o pensamento, ao perceber que a louca ainda não conhece sua aparência, Mara vira para as três amigas (sem se dirigir a nenhuma especificamente) e manda: "Peraí, fica tranquila que ela não vai fazer nada!" 

Lá fora, agora cheia de razão, Mara passa uma descompostura na moça. Diz que o problema é dela com ele, não com a amante que, aliás, nem sabia que ele tinha namorada (o que era verdade). Que aquele comportamento era indesculpável, ainda mais porque as outras donas da casa nada tinham a ver com isso! Os tais quinze centímetros de vantagem na altura até sumiram. A mocinha encolheu, murchou, ficou sem-graça, tentou justificar, e saiu meio gaguejando para uma aliviada (e encharcada de suor frio) Mara.


No fim, até onde eu saiba, Leonardo e Clara se casaram e estão juntos até hoje; ele acabou por abandonar o curso no meio, mas não por conta do escândalo. Mara, por sua vez, já namorou um ator famoso, engatou uma bem-sucedida carreira e, pelo jeito, Léo foi apenas uma besteira da juventude.


Agora, o detalhe curioso dessa história é o seguinte: tendo o ocorrido ficado conhecido em toda a faculdade, fiquei um pouco bolado quando ouvi o sobrenome do dito: era o mesmo de um amigo de Minas, e um sobrenome bastante incomum. Em outra ocasião, minha mãe comentou algo sobre a tia deste mesmo amigo ter contado a ela que o filho também estudava em São Carlos. Ligando os pontos, só deu pra concluir que era o tal da história.


Claro que cumpri minha pequena parte nesta tragicomédia, que foi esclarecer os fatos para o Mingall, pois seu primo havia contado uma versão beeeeem diferente para a família... Assim, muitos sarros e gozações que, outro modo, teriam sido perdidos, acabaram por encontrar seu destino nas orelhas do Leonardo. Que, convenhamos: mereceu. rs

* Por envolver terceiros desconhecidos, nesta história os nomes estão trocados.
** Novamente, não é um erro ortográfico. Ao menos, não meu. Bixo, com "x", é referência ao calouro da faculdade, não a um animal.

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