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terça-feira, 27 de setembro de 2011

O enterro




Em Itaú, o cemitério fica no alto de um morro. Dando acesso a ele tem uma pequena avenida de paralelepípedos, bastante irregular. Esta estradinha desemboca, pra quem desce, numa rua que segue em frente e numa avenida maior, que segue à direita (atualmente, é um cruzamento, mas à época, era assim). A avenida da direita tinha sido construída há pouco; o canteiro central rodeava um córrego, a uns três ou quatro metros de altura em relação ao nível da rua. A baliza de proteção, então, estava ainda sendo construída, estando prontos apenas os pilares de concreto.


Como a avenidinha que vai até o cemitério é bem íngreme, costumávamos ir até lá para descê-la de bicicleta em alta velocidade. Meus primos tinham bicicletas mais chiquetês, com marchas, Aluminum Mountain Bike e o escambau; a minha era uma humilde Cruiser sem marchas, meio capenga de tanto uso.

Nesta ocasião em particular, minha bicicleta estava sem freio. Não era incomum isto acontecer, parávamos com a sola do tênis ou então só nos embalos mesmo. É, parece estranho pensar, hoje, que eu já tive alguma habilidade controlando uma bicicleta.

Estávamos eu e PM (meu primo Paulo Marcos) subindo e descendo a ladeira. Já ia lá a quarta vez quando, ainda no primeiro quarto da descida, olho para baixo e suo frio com o que vejo na rua defronte à descida

Um enterro avançava.

Lenta e inexoravelmente.

Não havia muito tempo para pensar. Olhei para minha direita, esperando trocar um olhar cúmplice com PM, mas este já tinha acionado o freio e estava já bem para trás.

Embora o velório ainda não tivesse chegado à avenida lateral, o impulso da descida numa bicicleta sem freios era mais que suficiente para andar ainda uns dois quarteirões só de embalo, o que me faria chocar-me contra a multidão em luto.

Olhei para frente, não deu tempo de raciocinar melhor do que isso: chegando ao final da descida, torci o guidão para a direita. Bom, uma curva de noventa graus em alta velocidade, sem freios, é coisa pra profissional. Coisa que não sou. Deu a lógica: cai de lado, meio inclinado, larguei a bicicleta e dei umas duas piruetas no asfalto. Minha bicicleta bateu no pilar, principiando um ângulo desfavorável na direção do córrego.

Tive a presença de espírito de, perna ralada e tonteira da queda, correr e segurar a bicicleta pelo quadro.

Sei lá. Acho que todo moleque, por mais nerd que seja, tem seu momento "triplo X" na vida... :P

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