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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Exército

Não criei este blog pra falar de assuntos sérios, que isso eu já faço, por profissão, o dia inteiro. Mas surgiu uma discussão na seção de e-mails do site Charges.com sobre casos de truculência do exército em ações no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro.

Pra quem não quer ler tudo, a situação foi esta: Maurício Ricardo, o criador do site, fez uma charge sobre a situação, e recebeu e-mails indignados de militares defendo a si e à instituição. Imagino que tenham sido muitos, pois normalmente essas discussões não extrapolam mais que o dia posterior à publicação da charge. Em seu argumento, o militar afirma que a charge é ofensiva à instituição inteira por causa de alguns comportamentos isolados, e que M.R. estava enganado na abordagem do assunto.

O cartunista respondeu à altura, mas este assunto me incomodou, tive até dificuldades pra dormir. Acordando hoje, entendi o que me incomodava. Assim, posto aqui a minha resposta ao tópico.

"Eu concordo em 110% com o MR em criticar. Uma coisa que o brasileiro precisa começar a ter é consciência global do problema.

Sou funcionário público, então estou falando com propriedade. Por quê? Porque minha classe é a mais criticada do país, excetuando os políticos, que não são profissionais. E criticada com razão: o cidadão não tem como saber o quanto eu trabalho e tenho compromisso com o erário e a eficiência da máquina pública. Porque, no fim das contas, o que importa pro cidadão é: meu problema foi resolvido? Minha necessidade, a qual pago para o Estado suprir, foi sanada? Se não, então toda a Administração é responsável. Incluindo eu.

Quando você veste o uniforme do exército, da polícia, o crachá de funcionário do judiciário ou qualquer coisa do gênero, naquele momento você não é simplesmente você: você representa uma instituição, um órgão público e, em última instância, o Estado. E o comportamento do Estado deve ser EXEMPLAR.

Quando um soldado agride a um cidadão, é o exército inteiro representado nele que o está fazendo. A responsabilidade individual só interessa num nível interno. Externamente ao órgão, você, soldado, é o exército. Essa é a carga de ser um representante do Poder Público. Poder que emana do mesmo povo que você está esculachando.


Mas se a responsabilidade é da instituição, como controlar estes ditos "indivíduos discrepantes"? Uma simples questão de postura. A pessoa precisa se enquadrar no sistema ou ser expelido dele. É preciso traçar um perfil rigoroso da postura que se deseja dos agentes públicos e impor categoricamente que sejam seguidos, e estabelecer punições cabíveis e proporcionais, inclusive a possibilidade de exclusão do quadro. O que eu vejo são líderes omissos e mentalidade de "tá bom, vai assim mesmo".


Como você, indivíduo, pode resolver isso? Não pode. Ao menos, não sozinho. Mas pode fazer ao menos a sua parte. Enquanto subordinado, execute suas tarefas com a diligência e eficiência necessárias ao cumprimento satisfatório da função. E, quando tornar-se líder, tolerância zero com a indolência e o desrespeito à ética e à retidão ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIAS ao exercício da função pública."

É isso. Tenho pra mim que a raiz de 95% dos problemas sociais brasileiros são consequência direta da postura. É um problema de base. E, enquanto me parece certo que a iniciativa de resolução deve vir de cima para baixo, nem por isso há desculpa válida para ter baixa qualidade enquanto ser humano. Porque se você é um peso pra sociedade, ignorando o potencial de ser um adendo, então você é um tumor e, segundo meu entendimento, deveria ser extirpado e jogado ao lixo.

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