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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Eu já sabia



Bom saber que eu não estou sozinho...

Se precisar de tubos e conexões, procurarei a Casa Tognini, que parece ser uma empresa de grande responsabilidade social.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

O enterro




Em Itaú, o cemitério fica no alto de um morro. Dando acesso a ele tem uma pequena avenida de paralelepípedos, bastante irregular. Esta estradinha desemboca, pra quem desce, numa rua que segue em frente e numa avenida maior, que segue à direita (atualmente, é um cruzamento, mas à época, era assim). A avenida da direita tinha sido construída há pouco; o canteiro central rodeava um córrego, a uns três ou quatro metros de altura em relação ao nível da rua. A baliza de proteção, então, estava ainda sendo construída, estando prontos apenas os pilares de concreto.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Dicção

Pessoal da minha família não tem, como se pode dizer, exatamente uma boa dicção. No popular: falam enrolado.

Uma vez minha irmã estava no sofá da casa do meu tio Osmar, quando chegou meu primo Rodrigo. Eles se cumprimentaram, conversaram por uns três minutos, saíram da sala, e até hoje minha irmã não faz idéia do que eles falaram.

Mas emblemático mesmo foi o episódio do papel alumínio. Domingão na casa da avó, família costumava se reunir lá. O tio TC (de Tóim Carlos) disse ao tio Osmar que precisava de papel laminado. Tio Osmar disse que achava que tinha em casa, ia lá buscar. Chegando, viu que não tinha, resolveu procurar pela cidade, pra não voltar de mãos vazias. (parêntese: Itaú tem 15 mil habitantes, e domingo, a cidade morre). Depois de rodar um bom pedaço, ele achou o bendito papel laminado numa vendinha, que por acaso estava aberta.

Chegando à casa da minha avó, ele entrega o rolo de papel alumínio a um surpreso TC:

- Que isso?
- Uai, papel laminado, que você pediu.
- Papel laminado? Eu pedi um PRESTOBARBA!

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Polícia da informação

Eu sinto um impulso quase irrefreável de corrigir pessoas que estão passando informações errôneas adiante.

Não é muito difícil imaginar porque não sou popular em cursos nem em fóruns de internet.

Por que as pessoas têm tanta dificuldade de dizer, simplesmente: "não sei"?

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

A parábola do t*ba

Os órgãos do corpo discutiam entre si quem deveria ser o chefe, e coordenar os outros órgãos.

Coração: - Obviamente, eu deveria ser o líder. Afinal, além de ser o órgão dos sentimentos, ainda sou responsável por bombear o sangue da vida para todos vocês. Sem mim, vocês morreriam de inanição!

Pulmões: - De que adianta bombear o sangue se não tiver oxigênio? Eu que purifico o sangue gasto que você me manda!

Fígado: - Meu caro camarada pulmão: você é responsável por purificar apenas uma coisa, o gás carbônico. Já eu, sou a maior glândula do organismos, purifico todo o resto do sangue de todo tipo de impureza que vocês, órgãos poluidores, acabam por produzir em suas infindáveis funções, além de produzir muitas substâncias digestivas...

Estômago: - Apenas algumas substâncias! A maioria dela sou eu e meu vice, o Sr. Intestino que produzimos, devendo ser, assim, os chefes, pois sem a alimentação os órgãos não teriam matéria-prima para recompor suas perdas diárias, nem energia para funcionarem...

Cérebro: - Pessoal, sejamos mais práticos e menos prolixos. Obviamente que o organismo precisa de um órgão capaz de organizar (sic) e coordenar todos os outros. Eu me apresento como o melhor candidato, porque já tenho experiência na área...

E assim a discussão se arrastava, cada órgão tentava convencer os outros de sua importância e capacidade de liderança. A contenda já ia larga, com uma certa tendência a elegerem o cérebro como chefe, quando o furico, vulgo toba, resolveu perguntar timidamente:

- Mas e eu? Por que também não posso me candidatar?

Foi um fiasco. Os órgãos gargalharam diante daquela inusitada proposta, ridicularizando o pobre toba. O nariz comentou o quanto ele era fedido, os olhos remarcavam da audácia daquele órgão tão feio em sequer se dirigir aos outros...

O toba se enfezou! Fechou-se, e por duas semanas ele se recusou a funcionar. O corpo sentiu as consequências: os pulmões arfavam, o coração trabalhava acelerado, o intestino estava sobrecarregado. Os olhos estavam vesgos, as mãos tremiam, o fígado já ia ficando verde, o cérebro estava em febre.

Fizeram uma reunião de emergência e, em caráter de urgência, resolveram que permitiriam que o toba fosse o chefe, desde que ele saísse do caminho e os deixasse trabalhar em paz. Assim, o toba voltou a funcionar, e os órgãos respiraram aliviados (menos o nariz, que continuou torcido).

MORAL DA HISTÓRIA: pra ser chefe, não é preciso coração ou cérebro. Basta ser um cuzão, fazer um monte de merda e deixar os outros trabalharem em paz.

sábado, 17 de setembro de 2011

Fio dental

Eu tenho o hábito de usar fio dental todos os dias após o almoço. Uso no banheiro do trabalho, olhando pro espelho, e - não sei o porquê disso - sempre dá uma pontinha de constrangimento quando alguém entra e me surpreende naquela situação. Sei lá, fico meio receoso de causar nojo ou de que a pessoa considere aquilo uma coisa muito pessoal pra se fazer num banheiro público.

Hoje fui fazer a higiene bucal como de costume, abro o banheiro e dou de cara com o Big Boss (o chefe do chefe do meu chefe) sem camisa, debruçado na pia, com um sabonete molhado na beira. Fazendo o quê, não sei.

Acho - acho -  que ele estava fazendo a barba, e tirou a camisa pra não sujar, mas não posso afirmar, porque saí rapidinho pro cômodo ao lado, pra passar demoradamente meu fio dental e dar tempo de ele terminar. Sabe como é, né? Minha prudência é mais forte que minha curiosidade.

Acho que agora vou ficar mais tranquilo com o fio dental diário...



sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Exército

Não criei este blog pra falar de assuntos sérios, que isso eu já faço, por profissão, o dia inteiro. Mas surgiu uma discussão na seção de e-mails do site Charges.com sobre casos de truculência do exército em ações no Morro do Alemão, no Rio de Janeiro.

Pra quem não quer ler tudo, a situação foi esta: Maurício Ricardo, o criador do site, fez uma charge sobre a situação, e recebeu e-mails indignados de militares defendo a si e à instituição. Imagino que tenham sido muitos, pois normalmente essas discussões não extrapolam mais que o dia posterior à publicação da charge. Em seu argumento, o militar afirma que a charge é ofensiva à instituição inteira por causa de alguns comportamentos isolados, e que M.R. estava enganado na abordagem do assunto.

O cartunista respondeu à altura, mas este assunto me incomodou, tive até dificuldades pra dormir. Acordando hoje, entendi o que me incomodava. Assim, posto aqui a minha resposta ao tópico.

"Eu concordo em 110% com o MR em criticar. Uma coisa que o brasileiro precisa começar a ter é consciência global do problema.

Sou funcionário público, então estou falando com propriedade. Por quê? Porque minha classe é a mais criticada do país, excetuando os políticos, que não são profissionais. E criticada com razão: o cidadão não tem como saber o quanto eu trabalho e tenho compromisso com o erário e a eficiência da máquina pública. Porque, no fim das contas, o que importa pro cidadão é: meu problema foi resolvido? Minha necessidade, a qual pago para o Estado suprir, foi sanada? Se não, então toda a Administração é responsável. Incluindo eu.

Quando você veste o uniforme do exército, da polícia, o crachá de funcionário do judiciário ou qualquer coisa do gênero, naquele momento você não é simplesmente você: você representa uma instituição, um órgão público e, em última instância, o Estado. E o comportamento do Estado deve ser EXEMPLAR.

Quando um soldado agride a um cidadão, é o exército inteiro representado nele que o está fazendo. A responsabilidade individual só interessa num nível interno. Externamente ao órgão, você, soldado, é o exército. Essa é a carga de ser um representante do Poder Público. Poder que emana do mesmo povo que você está esculachando.


Mas se a responsabilidade é da instituição, como controlar estes ditos "indivíduos discrepantes"? Uma simples questão de postura. A pessoa precisa se enquadrar no sistema ou ser expelido dele. É preciso traçar um perfil rigoroso da postura que se deseja dos agentes públicos e impor categoricamente que sejam seguidos, e estabelecer punições cabíveis e proporcionais, inclusive a possibilidade de exclusão do quadro. O que eu vejo são líderes omissos e mentalidade de "tá bom, vai assim mesmo".


Como você, indivíduo, pode resolver isso? Não pode. Ao menos, não sozinho. Mas pode fazer ao menos a sua parte. Enquanto subordinado, execute suas tarefas com a diligência e eficiência necessárias ao cumprimento satisfatório da função. E, quando tornar-se líder, tolerância zero com a indolência e o desrespeito à ética e à retidão ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIAS ao exercício da função pública."

É isso. Tenho pra mim que a raiz de 95% dos problemas sociais brasileiros são consequência direta da postura. É um problema de base. E, enquanto me parece certo que a iniciativa de resolução deve vir de cima para baixo, nem por isso há desculpa válida para ter baixa qualidade enquanto ser humano. Porque se você é um peso pra sociedade, ignorando o potencial de ser um adendo, então você é um tumor e, segundo meu entendimento, deveria ser extirpado e jogado ao lixo.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

McJesus

Não bastasse o McDonald's ser o símbolo da dominação imperialista estadunidense, agora os catsos estão com complexo de Messias.


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Hábitos vardomiros

Hábitos são intrigantes.

São absolutamente necessários dentro da psicologia humana, que, aparentemente, precisa da segurança da rotina pra ter forças para lidar com os imprevistos. Eu mesmo, desatencioso como sou, sobrevivo graças aos hábitos. Por exemplo, só acho as chaves do carro porque tenho o costume de deixá-la sempre no mesmo lugar. Se eu dependesse de lembrar onde eu deixei a chave, cada vez que precisasse sair com o automóvel, teria que calcular uma horinha de antecedência. (acontece quando esqueço de tirar a chave do bolso da calça...)

Muitas vezes temos hábitos estranhos, que foram adquiridos por algum motivo que fazia sentido à época, mas seria complicada de se explicar a razão da sua manutenção por tempos após a sua utilidade ter se esvaído.

Quando eu era moleque, costumava levar um pacote de bolachas a caminho de qualquer lugar: se eu comesse concomitantemente à caminhada, otimizaria o meu tempo. Só que, nessa época, comer um pacote inteiro de biscoitos recheados era ficha. Comia sem nem perceber. Hoje, meu paladar não suporta aquela carga de açúcar de uma só tacada.

Portanto, se você vir algum vardomiro no metrô, com um pacote de Bono de chocolate meiado e fechado meia-boca, com cara de que não sabe o que fazer com aquele trambolho, grande chance de que seja eu.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Prefeitura

Sábado sem compromissos no domingo. Resolvi fazer uma das coisas que mais gosto: dormir de madrugada. Madrugada mesmo, quase amanhecendo.

Domingão, dez da manhã, toca o telefone. Acordo meio sonado, atendo e ouço: uma gravação da prefeitura de São Paulo dizendo que o trânsito é formado por pessoas, e que eu deveria respeitar os pedestres.

Deu vontade de pegar o carro e sair brincando de Carmaggedon no mundo real.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O que o ócio faz com cientistas


Se você ficar gritando por 8 anos, 7 meses e cinco dias, terá produzido energia sonora suficiente para aquecer uma xícara de café. (Não parece valer a pena.)

Se você peidar constantemente durante 6 anos e 9 meses, terá produzido gás suficiente para criar a energia de uma bomba atômica. (Agora sim!)

O coração humano produz pressão suficiente para jorrar o sangue para fora do corpo a uma distância de 10 metros(Espero que ninguém fique competitivo a respeito deste recorde.)

O orgasmo de um porco dura 30 minutos. (Na próxima encarnação, quero ser um porco!)

Uma barata pode sobreviver 9 dias sem sua cabeça até morrer de fome. (Sacanagem... por que a natureza foi tão generosa com o porco?)

Bater a sua cabeça contra a parede continuamente gasta em média 150 calorias por hora. (Não tente isso em casa! Talvez no trabalho...)

O louva-deus macho não pode copular enquanto a sua cabeça estiver conectada ao corpo. A fêmea inicia o ato sexual arrancando-lhe a cabeça. (Taí a origem do dito: "perde-se a cabeça por uma boa chave de ...")

A pulga pode pular até 350 vezes o comprimento do próprio corpo. É como se um homem pulasse a distância de um campo de futebol. (Trinta minutos...que porco sortudo! Dá pra imaginar?)

O bagre tem mais de 27 000 papilas gustativas. (O que é que pode haver de tão saboroso no fundo de um rio?)

Alguns leões se acasalam até 50 vezes em um dia. (Na próxima encarnação continuo querendo ser um porco. Qualidade é melhor que quantidade!)

As borboletas sentem o gosto com os pés. (Taí uma coisa que eu sempre quis saber.)

O músculo mais forte do corpo é a língua. (Sugestivo...)

Pessoas destras vivem em média 9 anos mais do que as canhotas. (E se a pessoa for ambidestra?)

Elefantes são os únicos animais que não conseguem pular. (E é melhor que seja assim!)

A urina dos gatos brilha quando exposta à luz negra. (Devem fazer sucesso em raves.)

Quando morrem de forma natural, as formigas sempre caem para o lado direito. (Quem pagou esta pesquisa?)

O olho de um avestruz é maior do que o seu cérebro(Conheço gente assim)

Estrelas-do-mar não têm cérebros. (Conheço gente assim também)

Ursos polares são canhotos. (Se eles começarem a usar o outro lado, viverão mais)

Seres humanos e golfinhos são as únicas espécies que fazem sexo por prazer. (Imagina se fossem como o porco!)

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Riscos diários

Todos os dias corremos riscos tais que muitas vezes não nos damos ciência.

Um dia nublado pode se tornar numa chuva torrencial e conter muitos perigos embutidos.





Por exemplo, outro dia choveu, e o chão do metrô ficou tão traiçoeiro que até as placas de aviso de "Cuidado! Chão molhado." estavam escorregando!

Radiologia curiosa

Tive um insight sobre como surgem aquelas radiografias do fulano com o celular enfiado no reto: são pessoas que ouvem "Filme Triste", versão infantil, a todo volume no metrô, e que se sentam ao lado de alguém pouca coisa menos paciente do que eu.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Televisão


Eu praticamente não assisto a televisão. "Praticamente" porque às vezes, pra ficar em companhia da minha mãe ou da minha mulher, acabo sentando um tempo na frente da tela. Mas assistir mesmo, não gosto.

A maior parte da programação é simplesmente retardada. Gugu, por exemplo, ou Xuxa. Ou aqueles programas que comentam o cotidiano das celebridades. “Angelina Jolie compra fraldas tamanho grande para seu mais novo filho adotivo” ou “O cachorro da Britney Spears soltou um pum enquanto nossos paparazzis a seguiam na praia.”

Outras coisas são um mistério pra mim: quem assiste ao Canal do Boi?

Nem às poucas coisas interessantes - filmes, CQC, algumas séries - eu me animo a assistir. Primeiro, que a maioria, mesmo em canais pagos, é dublada; segundo, porque no me gusta compromissar um horário. Por isso, aliás, que eu gosto de DVD e internet: o programa fica à minha disposição, não o contrário.

Aliás, é péssimo assistir TV comigo ao lado. Eu já tenho uma veiazinha ácida pra criticar, mas em frente à televisão, eu fico insuportável. Critico tudo. Tudo. Não passa uma besteirinha pelo meu crivo.

De vez em quando, porém, eu acabo caindo na besteira de assistir a umas passagens. E sempre acabo me surpreendendo. Era um daqueles programas saudosistas do VH1, falando do Guns’n Roses, onde fãs comentavam o quão magnífica foi a banda, o quanto o Axl Rose é o novo Beethoven, o quanto eles queriam que a banda voltasse, blá blá blá. Um dos comentaristas, um músico de alguma banda aí, me solta a frase:

- Se eles não tivessem se separado, estariam juntos até hoje.

Brilhante, Pedro Bó! Será que esse vardomiro pensou nisso sozinho?

¬¬

domingo, 4 de setembro de 2011

CNH começada em 00

Essa aconteceu com uma amiga.


Depois de muitas dores de cabeça nas aulas da auto-escola, e aquele medo estranho que dá em algumas pessoas, chegou o dia do exame de direção.

Ela sentou, tentando lembrar das instruções: retrovisor interno, retrovisor externo, posição do banco, cinto de segurança, cinto de segurança do passageiro, chave, câmbio... tudo OK.

Ponto morto, partida, engata a primeira e... o carro dá dois trancos e morre.

Dá aquele frio na barriga.

Ela refaz a lista mental, tudo em ordem. Ponto morto, partida, engata a primeira e... o carro anda uns centímetros, dá uns trancos, ela pisa na embreagem no reflexo. O carro não morre, mas ela começa a suar frio. O examinador pergunta:

- Não está esquecendo de nada?

Ela re-refaz a lista mental. Cinto, retrovisores, passageiro... tudo em ordem! O que tá faltando?

Ponto morto, partida, engata a primeira...

- Desculpe, moça, mas você foi reprovada. Você esqueceu de soltar o freio-de-mão.

E essa foi a única vez que ouvi falar de alguém que foi reprovado no exame de direção antes mesmo de sair do lugar.

sábado, 3 de setembro de 2011

Marisa

Essa história de publicidade-alvo tem lá suas desvantagens.

Quando vou à Marisa, fico me sentindo tão integrado ao ambiente quanto um açougueiro na XII Convenção Vegana do Brasil.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Funcionalismo Público

Quando eu visito o blog Homem é Tudo Palhaço, lendo sobre as situações, eu fico num dilema: embora eu mesmo não faça aquelas coisas (embora faça das minhas próprias palhaçadas) clássicas, como criticar escrachadamente a namorada/esposa, combinar de aparecer e sumir sem aviso, ou ficar sabotando namoro ao invés de terminar, sou obrigado a reconhecer que acontece com tal frequência que não dá pra defender a classe.

Faço parte de uma outra classe que não dá pra defender: a dos funcionários públicos.

Meu amigo Douglas tinha terminado o mestrado em uma universidade em Franca, mas o diploma demora alguns meses pra sair após a conclusão. Assim, ele precisava de um certificado de conclusão do curso, pois tinha conseguido uma vaga de professor numa faculdade e teria de comprovar o currículo.

O protocolo da universidade pedia uma semana de prazo para requerimento de documentos. Na época, ele já morava em outra cidade, no sul de Minas, pois, com o fim da bolsa de estudos, não podia se manter sozinho e sem remuneração. Assim, organizado como só ele, Douglas planejou tudo, e pediu o documento numa sexta-feira, para que pudesse retirar na sexta-feira seguinte, logo antes de viajar para o centro-norte de Minas para assumir o posto que havia conquistado.

Ou seja: ele sairia do sul de Minas, iria até Franca, para depois seguir de volta pra Minas, desta vez para uma cidade 200 Km depois de Belo Horizonte. A ida a Franca acrescentou assim, uns 300 Km a uma viagem que já não era curta, mas fazer o quê? Ele precisava do certificado.

Pois bem. Ele pediu o documento na sexta e foi buscar na sexta seguinte. Chegando lá, ele abordou o funcionário, que atendeu com aquela cara de "que-saco-esse-otário-fdp-que-me-tira-de-meu-sossego":

- Pois não.
- Vim retirar um documento. Semana passada eu pedi um Certificado de Conclusão de Curso, tá aqui o protocolo.

O sujeito olha com certo desdém pro pedaço de papel.

- É... é hoje mesmo o prazo.

Ato contínuo, ele vai para seu terminal, digita o Certificado, imprime, carimba, assina e o entrega para um estupefato Douglas. NA MESMA HORA.

¬¬

Turma do Quiabo


Pra quem gosta de assuntos nerds: super-heróis, RPG, quadrinhos, filmes e besteiras genéricas.