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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Laranja madura na beira da estrada...

Sabe o que faz da adolescência uma fase ainda mais difícil de passar? É que é quando você mais convive com adolescentes.

O episódio da maior vergonha que me lembro ter passado na vida aconteceu quando estava na sétima série. Tinha trocado de turma recentemente, e começado a estudar na cidade vizinha, Passos. Na época, a faculdade local (então FESP, atual UEMG) tinha turmas do 1º grau, embora fossem pequenas: minha classe tinha apenas 12 alunos. E dois deles eram mais velhos. Os chamados repetentes (figura que foi erradicada pelo programa impeditivo de reprovação do governo FHC).

E eu mesmo era um ano mais novo que o resto da turma.

Eu sou um nerd típico em quase todos os detalhes. O mais característico deles sendo a habilidade em lidar com mulheres. Até hoje, que dirá na sétima série.

Uma dia, Waguinho (um dos repetentes) me entrega uma carta, dada a ele por alguém chamado Samantha. Ele disse que a tal menina me observava de longe, mas não tinha coragem de se revelar, e resolveu me escrever e pedir pra que ele me entregasse a tal epístola.

Eu cheguei a empatizar com a menina. Afinal, eu mesmo sou um tímido incorrigível. Gostei de ler as coisas que ela escrevia. Durante umas duas semanas, ela me escreveu umas quatro cartas. Na última, ela pedia que eu respondesse.

Utopista como era, nem cheguei a considerar que a tal Samantha podia muito bem ser uma baranga caolha de perna peluda, coisa que o meu atual cinismo não permitiria passar batido. Agarrando-me ao estereótipo imaginado, escrevi uma resposta toda romântica e rebuscada, em que a encorajava a vir me conhecer, pois, já pelas cartas, já podia entrever que gostaria dela.

Ha. Passada a hora do intervalo, entro na sala e percebo que todos me olham e riem, uns contidos, outros abertamente mesmo. Procuro na minha roupa, nos óculos, no rosto, qualquer coisa que pudesse estar causando este efeito... viro-me, e dou de cara com ela!

A minha carta, pregada na porta, com um "OTÁRIO" escrito a canetinha hidrográfica, em letras garrafais!

Não havia Samantha nenhuma! As cartas tinham todas sido escritas pelo próprio Wagner, junto com o Júnior, o outro repetente.

Nem sei como tive coragem de voltar novamente àquela classe pelo resto do ano. Durante muito tempo, tive tanta vergonha dessa história que, ao contá-la, mudava o final, dizendo que eu tinha reconhecido a letra da carta no caderno do Waguinho antes e, ao responder, escrevi dizendo como ELE era o otário.

Eu concordo com o pessoal do Obrigado Esparro: adolescente deveria ser cimentado dentro de uma caverna com víveres aos 14 e ser libertado somente aos 25! Ô, raça.

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